Metal nativo brasileiro: as bandas nacionais e a rica cultura do Brasil!

By: Vitor Rodrigues

Desde que o grande Sepultura lançou o multi-platinado Roots, e o Angra com o Holy Land, ambos no ano de 1996, estamos passando por uma fase no mínimo peculiar.

Em 2002, a banda Glory Opera surgiu com o álbum Rising Moangá narrando a saga de um índio guerreiro que se apaixona por Iara. A banda usou elementos da cultura amazônica tanto na melodia, quanto nas letras obtendo um resultado esplêndido. Porém, nos últimos anos, parece que houve uma verdadeira invasão histórico-nativa no metal.

O álbum do Glory Opera, Rising Moangá, narra a saga de um índio guerreiro que se apaixona por Iara.

Em 2013, a banda Armahda lança seu primeiro álbum auto-intitulado trazendo à tona temas como Duque de Caxias, Guerra dos Canudos, a Revolução Armada entre outros, mesclando com um instrumental primoroso e pesado. São 13 faixas em seu álbum debut onde o ouvinte aprenderá muito sobre História, mas de uma maneira muito prazerosa e com embasamento.

Nesse mesmo ano, a banda Cangaço, oriunda da cidade de Recife (PE), lança seu primeiro álbum, intitulado Rastros. O grupo faz um resgate da história do espírito dos antigos guerreiros do sol que faziam parte da vida no nordeste brasileiro há muitos anos atrás, mostrando uma música verdadeira, sincera e densa, misturando elementos do metal, e de outros estilos como o baião, forró, maracatu.

Em 2014, o Voodoopriest lança o álbum Mandu que conta a história de Mandu Ladino, um índio guerreiro que vê sua aldeia ser massacrada pelos bandeirantes gananciosos. Sobrevivente desse genocídio e ensinado pelos padres jesuítas, Mandu começa a conhecer como o homem branco pensa, e vendo sua descendência ameaçada por constantes invasões e aumento considerável do gado na região, o guerreiro toma uma alternativa.

A estratégia dele era fazer aliados, e com isso aumentar o número de guerreiros para enfrentar de igual pra igual com o branco invasor. E por pouco quase consegue. Mesmo possuindo uma milícia indígena de quase 5000 guerreiros de várias etnias lutando ao seu lado, Mandu foi traído pelos Ibiapavas e morto a tiros quando tentava fugir, vindo a se afogar nas águas Iguaraçu.

O Arandu Arakuaa mistura Metal com música indígena em suas composições!

A banda Arandu Arakuaa, de Brasília, lança em 2012, um EP homônimo onde as faixas são cantadas em tupi-guarani. Acredito que, com esse registro, o Arandu se torna a primeira banda de folk metal genuinamente nativa. Em 2015, a banda lança seu segundo álbum Wde Nnãkrda, onde mistura heavy metal, música indígena e regional, e letras cantadas em três línguas nativas mostrando a diversidade étnica do Brasil, e servindo para que as pessoas possam conhecer mais ainda a cultura dos povos indígenas.

Mais outras bandas estão seguindo por esse mesmo caminho com trabalhos baseados no tema indígena, são elas: Aclla (SP) com o álbum Pindorama, e Scud (PI) com Tremembés. E fico aqui imaginando um super festival com todas essas bandas, e tendo como headliners Sepultura, Andre Matos ou Angra comemorando os 20 anos de seus respectivos álbuns. Seria sensacional!

SEPULTURA – Roots (1996)
ANGRA – Holy Land (1996)
GLORY OPERA – Rising Moangá (2002)
ARMAHDA – Armahda (2013)
CANGAÇO – Rastros (2013)
VOODOOPRIEST – Mandu (2014)
ARANDU ARAKUAA – Wdê Nnãkrda (2015)
ACLLA – Pindorama (previsto para final do ano)
SCUD – Tremembés (previsto para final do ano)

COGUMELO RECORDS – 30 ANOS

O METAL RESGATANDO A NOSSA HISTÓRIA

EVOLUÇÃO NO HEAVY METAL

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