Underground Forces: unindo potências do Underground para coroar o Metal extremo!

By: Reynaldo Trombini

Belo Horizonte foi palco no último dia 14/04 de mais um grande evento dedicado às bandas do underground brasileiro. Desta vez as atenções se voltaram para o ‘Underground Forces’, fest dedicado ao Metal extremo que contou com quatro atrações locais e ainda teve as garotas do Valhalla como headliners, diretamente do Distrito Federal!

O primeiro a subir ao palco da casa de show Matriz foi o Dunkell Reiter, nome tradicional do Thrash Metal da grande BH e na estrada desde 1995. Quando o assunto é Thrash, os caras se baseiam na velha escola guiada por Destruction, Sodom, Testament, dentre muitos outros.

 

Dunkell Reiter: Thrash Metal old scholl para abrir o festival

 

Para a ocasião vieram faixas devidamente registradas nos discos “Unholy Grave” (2013) e “Death and Pain” (2009). O melhor de tudo isso é que a banda ainda trouxe músicas que provavelmente estarão no próximo full lenght, caso de ‘Slaves of terror’ e ‘Fell the Pain’, que já virou clipe – clique e assista.

O resultado? Um show que abriu com estilo a festa, rodeado de riff’s poderosos e muita velocidade das guitarras com direito a solos, vigor e entrosamento. No decorrer de faixas como ‘Unholy Grave’, ‘Evil Never Dies’ e ‘Chainsaw… Return to Slaughter’ era notório a agitação do público que pouco a pouco ia tomando as dependências da casa e já aproveitando para bater cabeça frente a frente a uma grande potência do Thrash Metal mineiro.

O Defacer, atração seguinte, é outro grande ícone do underground local. A banda carrega nada menos que 25 anos de história dedicados ao Black Metal e ao Doom e traz conceitos anticristãos em suas letras. Na pauta a divulgação de faixas do seu mais recente trabalho “Beyond The Mountains” (2009) e do longínquo “Nocturnal Mysteries” (1998), não menos importante!

 

Defacer: banda trouxe experiência de mais de duas décadas na cena

 

Um som obscuro, carregado com linhas de teclados e seguindo características de nomes tradicionais do gênero foram vistos em faixas como ‘Heretic Hate’, ‘Angry Fire’ e das novas ‘History and Revenge’ e ‘Never Surrender’, por exemplo. Em meio a uma faixa e outra o vocalista Incredulous Cataclysm fez questão de agradecer a presença de todos e ainda evidenciar a temática da banda em seu discurso. Estivemos diante de uma apresentação honrosa, honesta e digna de quem carrega mais de duas décadas no underground, superando os obstáculos que de quem opta pelo Black Metal, um estilo autêntico e de muita atitude.

O Death Metal extremo também teve sua vez na noite com os caras do Mortifer Rage, que vieram para promover “Fall of Gods”, recente trabalho gravado em 2017. A banda executou oito faixas, sendo sete do recente disco e uma que veio de “Murderous Ritual”, de 2008.

O som da trupe é extremamente brutal, com guitarra pegajosa (no bom sentido!) e gutural de causar inveja aos mais consagrados. ‘Genocide of Minds’, ‘Guilty’ – única que não pertence ao recente disco – e ‘Immolation’, foram alguns dos principais destaques da apresentação e lembraram medalhões como Deicide, Morbid Angel e Cannibal Corpse.

 

Mortifer Rage: músicas do último disco invadiram set-list da noite

 

A performance da banda ao vivo e a fúria com que exibem seu som chega a impressionar o headbanger mais desatento, tamanha a agressividade das suas composições e a pegada no palco. Imagine um som pesado em seu limite, com arranjos impactantes e um vocal estrondoso, tudo devidamente bem trabalho com boa dosagem de técnica. Assim é o Mortifer, que acrescentou muita qualidade no resultado final do Underground Forces. Até aí, nenhuma novidade!

A quarta atração era um dos nomes mais esperados da noite, afinal, o In Nomine Belialis chama a atenção por onde passa, não apenas pelo seu som direto e dedicado ao Black Metal, mas também pela postura dos caras no palco, com direito a corpse paint e figurino especial para as apresentações.

‘Por Satanás’, ‘Nefasto Caminho da Profanação’ e ‘Originated in Magma’ foi uma trinca poderosa para mostrar do que a banda é capaz logo na abertura. O baterista Nefastus Porphir é um destaque a parte, pois além de assumir os vocais em alguns momentos ainda traz fúria e muito peso ao resultado final do sombrio e obscuro som feito pelo In Nomine.

A exemplo do Defacer, a horda apostou em discursos frequentes e agradecimentos aos headbangers, sendo logo retribuída. Ao todo foram sete canções que teve ‘La Messe Noir’, do álbum homônimo de 2017, como a cereja do bolo de uma junção de atitude, obscuridade e, claro, música enfurecida em todos os quesitos, sem titubear!

 

In Nomine Belialis: Black Metal impiedoso do início ao fim

 

Nem mesmo a madrugada que adentrava desanimou os bangers que esperavam ansiosamente pela dupla Adriana Tavares e Ariadne, do respeitado Valhalla, que retornou a BH após 17 anos de ausência. Para quem não sabe, o grupo é um dos pioneiros quando o assunto são mulheres fazendo Death Metal no Brasil. Entre idas e vindas e mudanças constantes na formação a banda chega próximo de três décadas na ativa e trouxe para terras mineiras um compilado destes anos de história, com petardos dos discos “…In the darkness of limb” (1994), “Petrean Self”  (2002), “Innerstorm” (2009) e “Evil fills me” (2014).

Um ponto curioso é que a banda tocou sem baixista, ficando a cargo somente da bateria e guitarra turbinar o Death Metal Old Scholl das garotas. Para o mais pessimista, nem isso se tornou um problema, afinal, foram só os primeiros minutos de ‘Internal war’ darem às caras para que todos pudessem presenciar um show digno da história do Valhalla: pesado, avassalador, direto e sem firulas!

O passeio pela discografia da banda trouxe também ‘Renunciation’ e ‘Unleash the Power’, do álbum “Petrean Self” (2001) e uma das antigas, trata-se de ‘In the darkness of limb’, do LP homônimo de 1994. Um ponto alto a favor da banda é que independente da época sua sonoridade apresenta boa regularidade, sem desapontar os mais tradicionalistas fãs do Death Metal.

 

Valhalla: mesmo sem baixista, dupla mostrou poderio do seu Death Metal

 

O instrumental da banda é afiado ao vivo, pois mesmo sem um baixista, a dupla consegue unir técnica e vitalidade na dosagem certa, sempre sobrando espaço para vocais insanos e marcantes, já característicos do estilo de uma forma geral. Para fechar com chave de ouro a banda separou ‘The Apogee of despair’, canção nova, que estará no próximo trabalho.

A sensação de dever cumprido imperou com o fim da apresentação e, consequentemente, do festival. Se o objetivo foi unir forças do underground, como o nome do evento sugere, a missão foi cumprida com destaque e maestria! Não há dúvida que BH, berço do Metal, vivenciou um momento histórico para a sua cena já bastante consagrada, trazendo para um mesmo palco grupos respeitadíssimos nos quatro cantos do país e com décadas de história!

E você? Estava lá?

 

Texto: Reynaldo Trombini

Fotos: Carlos Pira e Edmar Alves

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