{"id":31533,"date":"2025-08-11T12:22:32","date_gmt":"2025-08-11T12:22:32","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=31533"},"modified":"2025-08-11T14:21:46","modified_gmt":"2025-08-11T14:21:46","slug":"finita-chega-ao-apice-com-children-of-the-abyss","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=31533","title":{"rendered":"Finita chega ao \u00e1pice com \u201cChildren of the Abyss\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>A banda ga\u00facha <strong>Finita<\/strong> sempre pareceu trabalhar com afinco em busca de uma identidade pr\u00f3pria. Al\u00e9m disso, desde a estreia com <strong><em>\u201cVoices From Sanatorium\u201d<\/em><\/strong> (2015), o grupo j\u00e1 dava sinais de que n\u00e3o estava interessado em apenas misturar subg\u00eaneros de Metal. Havia tamb\u00e9m um desejo de transformar sonoridades extremas em ve\u00edculo para hist\u00f3rias pr\u00f3prias, onde tudo se conecta. O EP <strong><em>\u201cAbove Chaos\u201d<\/em><\/strong> (2022) j\u00e1 dava uma boa amostra do que estava por vir. E por fim, quinze anos depois do in\u00edcio de suas atividades, <strong><em>\u201cChildren of the Abyss\u201d<\/em><\/strong> \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o dessa ideia e o \u00e1pice desta jornada: trata-se de um \u00e1lbum t\u00e3o completo e rico que fica at\u00e9 dif\u00edcil traduzi-lo em palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, \u00e9 preciso tentar entender todo o conceito que envolve o \u00e1lbum. O ponto de partida do disco \u00e9 a reinterpreta\u00e7\u00e3o do Caos. Ao inv\u00e9s de trat\u00e1-lo como um estado primordial, a banda o personifica como uma for\u00e7a criadora e destruidora que emerge para reescrever a ordem do universo. Dessa premissa surgem as \u201ccrian\u00e7as do abismo\u201d, entidades que carregam a ambiguidade do pr\u00f3prio mito: ao mesmo tempo respons\u00e1veis pela ru\u00edna e pelas sementes de um novo ciclo. A hist\u00f3ria, complexa, eu diria, se desdobra em epis\u00f3dios que envolvem a queda de divindades, o retorno de L\u00facifer, magias e a dissolu\u00e7\u00e3o das leis do tempo e do espa\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria linear, pois a banda costura elementos filos\u00f3ficos, liter\u00e1rios e religiosos em um mundo simb\u00f3lico pr\u00f3prio. E criar algo assim n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. E musicalizar isso ainda mais. Mas os ga\u00fachos de Santa Maria deram conta do recado com sobras.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a busca por uma identidade e a riqueza tem\u00e1tica se reflete diretamente nas m\u00fasicas, onze ao total, incluindo a introdu\u00e7\u00e3o com <strong><em>\u201cWomb of Night\u201d <\/em><\/strong>(com belos pianos) e a b\u00f4nus ac\u00fastica <strong><em>\u201cMermaid Melody\u201d<\/em><\/strong>. No geral, o \u00e1lbum alterna entre diversos climas, indo de um extremo a outro com facilidade e desenvoltura numa mesma faixa. Em <strong><em>\u201cWitch\u2019s Laugh\u201d<\/em><\/strong>, por exemplo, a voz declamat\u00f3ria em portugu\u00eas, acompanhada por piano, soa muit\u00edssimo bem constru\u00edda; em <strong><em>\u201cQuicksand\u201d<\/em><\/strong>, o grupo usa de forma inspirada a fus\u00e3o de ritmos \u00e1rabes e o nosso bai\u00e3o, simbolizando culturas e for\u00e7as colidindo dentro do abismo, ao passo em que insere um trecho veloz no decorrer da faixa, tipicamente Black Metal. J\u00e1 <strong><em>\u201cGates of Oblivion\u201d<\/em><\/strong>, com muito pedal duplo e \u00f3timos arranjos orquestrais, mostra uma pegada cinematogr\u00e1fica bem n\u00edtida, algo que podemos sentir, ali\u00e1s, em todo o \u00e1lbum.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Finita - Gates of Oblivion (Official music video)\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mc6It47WogU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Tecnicamente, o \u00e1lbum demonstra uma maturidade que a banda vinha ensaiando h\u00e1 anos. As guitarras de <strong>Bruno<\/strong> <strong>Portela<\/strong> ocupam um lugar de destaque: riffs de palhetada alternada evocam o Death Metal mel\u00f3dico, mas frequentemente se abrem em harmoniza\u00e7\u00f5es em ter\u00e7as que expandem o espectro harm\u00f4nico, aproximando-se do Metal sinf\u00f4nico europeu. O baixo de <strong>Fernando <\/strong>ganha destaque ao alternar ritmos e linhas mel\u00f3dicas discretas, especialmente percept\u00edveis nas partes mais atmosf\u00e9ricas. A bateria de <strong>Pablo Castro<\/strong> foge da previsibilidade. Blast beats est\u00e3o presentes, mas sem exageros; ao contr\u00e1rio, dividem espa\u00e7o com grooves sincopados e usos criativos dos tons, quase como \u201cpontua\u00e7\u00f5es\u201d. Essa varia\u00e7\u00e3o r\u00edtmica ajuda a manter as faixas em movimento constante, evitando a fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ou\u00e7a o \u00e1lbum:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Children of the Abyss\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/0umA8VOtVqRSRB7kGjWO6j?utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Os teclados de <strong>Guilherme Pereira<\/strong> e os arranjos orquestrais de <strong>Pablo Greg<\/strong> e <strong>Evandro\u00a0D\u00f6rner<\/strong> funcionam como uma espinha dorsal conceitual. Cordas e metais s\u00e3o equalizados para coexistirem com as guitarras, evitando a sobreposi\u00e7\u00e3o artificial que frequentemente prejudica discos do g\u00eanero. H\u00e1 momentos em que essas camadas parecem assumir um papel principal: ora soam como coros invis\u00edveis acompanhando a ascens\u00e3o do Caos, ora como vozes do pr\u00f3prio abismo, dissolvendo-se lentamente na massa sonora. A produ\u00e7\u00e3o de <strong>Thiago Bianchi<\/strong>, no <strong>Est\u00fadio Fus\u00e3o<\/strong>, deixou tudo isso bem claro e org\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos vocais, <strong>Luana<\/strong> <strong>Palma<\/strong> encarna a ambiguidade central do \u00e1lbum. Sua altern\u00e2ncia entre vocais limpos e extremos funciona de forma natural tamb\u00e9m e apresenta \u00f3timos resultados. As partes guturais t\u00eam uma textura seca e direta, criando contraste com os belos arranjos que permeiam o \u00e1lbum. Ao vivo, ela personifica tudo isso de forma intensa.<\/p>\n\n\n\n<p>As refer\u00eancias musicais encontradas no \u00e1lbum s\u00e3o claras, e lembram muito aquela vibe noventista, unindo a sofistica\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica do <strong>Therion<\/strong>, a complexidade do <strong>Septicflesh<\/strong> e a dramaticidade do <strong>Fleshgod<\/strong> <strong>Apocalypse<\/strong>, mas <strong><em>\u201cChildren of the Abyss\u201d<\/em><\/strong> tem muito, muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com <strong><em>\u201cChildren of the Abyss\u201d<\/em><\/strong>, a banda parece ter alcan\u00e7ado sua melhor fase: um disco que consegue ser intenso e repleto de camadas. \u00c9 uma obra que precisa ser compreendida, como se o pr\u00f3prio abismo descrito em sua mitologia se estendesse para dentro da m\u00fasica, convidando quem ouve a caminhar por ele. Mas n\u00e3o olhe demais para dentro do abismo, ele pode olhar de volta para voc\u00ea&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"898\" src=\"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/finita-foto-1024x898.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31535\" srcset=\"http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/finita-foto-1024x898.jpg 1024w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/finita-foto-300x263.jpg 300w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/finita-foto-768x674.jpg 768w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/finita-foto-285x250.jpg 285w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/finita-foto.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A banda ga\u00facha Finita sempre pareceu trabalhar com afinco em busca de uma identidade pr\u00f3pria. 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