{"id":31886,"date":"2025-09-11T02:56:47","date_gmt":"2025-09-11T02:56:47","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=31886"},"modified":"2025-09-11T02:56:50","modified_gmt":"2025-09-11T02:56:50","slug":"soulspell-retorna-com-o-epico-spirits-of-ghosts-a-metal-opera-brasileira-em-seu-quinto-ato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=31886","title":{"rendered":"Soulspell retorna com o \u00e9pico \u2018Spirits of Ghosts\u2019: a Metal Opera brasileira em seu quinto ato"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando se fala em \u201cMetal Opera\u201d, \u00e9 inevit\u00e1vel lembrar de nomes como <strong>Avantasia<\/strong>, <strong>Ayreon<\/strong> ou mesmo o pouco lembrado <strong>Genius: A Rock Opera<\/strong>, dos ex-<strong>Empty Tremor<\/strong>, <strong>Dario Ciccioni <\/strong>e<strong> Daniele Liverani. <\/strong>At\u00e9 projetos menos conhecidos, como o alem\u00e3o <strong>Taraxacum<\/strong>, tamb\u00e9m exploraram essa fus\u00e3o \u00e9pica com m\u00faltiplos vocalistas, cada um assumindo um papel em uma hist\u00f3ria. Cada um destes projetos \u2013 e outros tantos mais, como o Aina e o nosso Hamlet &#8211; carrega suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas, mas todas compartilham o desejo de transformar \u00e1lbuns em uma hist\u00f3ria a ser acompanhada. No entanto, enquanto os europeus dominaram esse formato por anos, foi do Brasil que surgiu uma resposta \u00e0 altura: o <strong>Soulspell Metal Opera<\/strong>, ou simplesmente <strong>Soulspell<\/strong>, idealizado pelo baterista e compositor <strong>Heleno Vale<\/strong> em 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Soulspell<\/strong> nasceu com uma proposta bem conhecida: unir diversos m\u00fasicos em torno de uma saga conceitual, dividida em atos, que pudesse dialogar com filosofia, literatura, religi\u00e3o e outros temas. Desde o debut<strong><em> \u201cA Legacy of Honor\u201d<\/em><\/strong> (2008), o projeto vem se expandindo n\u00e3o s\u00f3 musicalmente, mas tamb\u00e9m em sua narrativa, construindo uma mitologia \u00fanica. Cada \u00e1lbum \u00e9 um cap\u00edtulo de uma \u00f3pera cont\u00ednua, com novos personagens e dilemas que se conectam ao todo. \u00c9 algo complexo, mas f\u00e1cil de se ouvir. Diferente do <strong>Avantasia<\/strong> ou <strong>Ayreon<\/strong>, aqui temos uma hist\u00f3ria unificada, mais centralizada, com personagens recorrentes e desenvolvimento de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado em mar\u00e7o, o play chega depois de longos oito anos ap\u00f3s o quarto ato e apresenta uma evolu\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com os anteriores. Com oito faixas e quase cinquenta minutos de dura\u00e7\u00e3o, <strong><em>\u201cSpirits of Ghosts\u201d<\/em><\/strong> mostra o projeto cada mais interessante, englobando teatro, filosofia e fantasia costurados com riffs, corais e melodias bem estruturadas, tudo muito bem pensado e executado. A mixagem ficou a cargo de <strong>Matias Kupiainen<\/strong> (Stratovarius), enquanto a arte da capa foi desenvolvida por <strong>Filipe Oliveira<\/strong>, sintetizando o clima do disco: um mergulho em um reino espectral.<\/p>\n\n\n\n<p>A trama do \u00e1lbum coloca a personagem <strong>Judith<\/strong> (interpretada por Da\u00edsa Munhoz) como protagonista, ap\u00f3s sua passagem pelo purgat\u00f3rio. Ela desperta no <strong>Reino dos Fantasmas<\/strong>, onde \u00e9 recepcionada por <strong>Elliot<\/strong> (Airton Araujo), o mordomo espectral. Mas a estadia n\u00e3o \u00e9 acolhedora: o <strong>Rei Adze<\/strong> (Kleber Ramalho) deseja apagar suas mem\u00f3rias terrenas e for\u00e7\u00e1-la a um casamento, prendendo-a definitivamente naquele mundo. Enquanto isso, em outra frente, o aprendiz <strong>Adrian<\/strong> (Victor Emeka \u2013 ex-Hibria) encontra <strong>Timo<\/strong> (Pedro Campos) inconsciente junto \u00e0 <strong>\u00c1rvore Sagrada<\/strong>. Para salv\u00e1-lo, <strong>Adrian<\/strong> e seu aliado <strong>Frith<\/strong> embarcam no lend\u00e1rio <strong>Navio de Teseu<\/strong>. O navio \u00e9 comandado pelo exc\u00eantrico <strong>Capit\u00e3o Sparrot<\/strong> (F\u00e1bio Caldeira), que adiciona uma dose de teatralidade \u00e0 jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>No caminho, surge ainda a figura de <strong>Wiles<\/strong> (Daniel Guirado), o matem\u00e1tico que carrega o <strong>\u00daltimo Teorema de Fermat<\/strong>, transformado aqui em pe\u00e7a-chave para resolver os enigmas espirituais e completar a miss\u00e3o. \u00c9 esse equil\u00edbrio entre mitologia, hist\u00f3ria e ci\u00eancia que torna a trama t\u00e3o peculiar: um quebra-cabe\u00e7a onde fantasmas, reis e teoremas dividem o mesmo palco. Com o enredo e seus personagens apresentados, vamos \u00e0 parte sonora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1022\" src=\"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls-1024x1022.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31888\" srcset=\"http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls-1024x1022.jpg 1024w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls-300x300.jpg 300w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls-500x500.jpg 500w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls-768x766.jpg 768w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls-251x250.jpg 251w, http:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/souls.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Cada faixa funciona como um ato dentro do ato, explorando cada detalhe ao m\u00e1ximo. O \u00e1lbum alterna entre momentos mais diretos, como em <strong><em>\u201cDragon Waltz\u201d<\/em><\/strong>, onde a pegada mais Power Metal assume a dianteira (e com uma \u00f3tima linha de baixo!), e constru\u00e7\u00f5es longas e \u00e9picas, como <strong><em>\u201cThe Blackbeard And His Quest for Perfection\u201d<\/em><\/strong>, que ultrapassa os dez minutos de dura\u00e7\u00e3o sem perder o fio da meada. A m\u00fasica encerra com um coral de crian\u00e7as cantando em portugu\u00eas, algo que poderia ser melhor explorado no futuro. Em tempos l\u00edquidos, em que muita gente mal consegue ouvir um \u00e1lbum at\u00e9 o fim (n\u00e3o \u00e9 meu caso!), o desafio \u00e9 prender o ouvinte. Nisso, o <strong>Soulspell <\/strong>acertou em cheio. Imposs\u00edvel n\u00e3o colocar a bomb\u00e1stica <strong><em>\u201cCastle of Illusions\u201d<\/em><\/strong> no repeat, com seus riffs cavalgados e solos inspirados, aliados \u00e0 linhas de baixo mais uma vez marcantes, executadas por <strong>Daniel Guirado<\/strong>, ou melhor, <strong>Wiles<\/strong>, cuja matem\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 bem aplicada nas quatro cordas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe importante: obviamente a diversidade de vozes \u00e9 o grande trunfo aqui, onde cada vocalista representa um personagem, e o ouvinte \u00e9 arrastado para dentro da trama com diferentes camadas. Al\u00e9m do mais, para os leitores e ouvintes desavisados, <strong><em>\u201cSpirits of Ghosts\u201d<\/em><\/strong> \u00e9 o tipo de \u00e1lbum que exige fones de ouvido, um pouco de paci\u00eancia e uma imagina\u00e7\u00e3o, digamos, mais aberta. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Soulspell<\/strong> mostra \u2013 e n\u00e3o \u00e9 de hoje &#8211; que o Brasil tamb\u00e9m tem sua pr\u00f3pria voz nesse cen\u00e1rio das \u201cMetal Opera\u201d \u2013 e que pode dialogar em p\u00e9 de igualdade com qualquer projeto internacional. <strong><em>\u201cSpirits of Ghosts\u201d<\/em><\/strong> \u00e9, portanto, n\u00e3o s\u00f3 um disco de Metal, mas uma experi\u00eancia art\u00edstica completa, que transforma o ouvinte em parte do enredo. Defeitos? Nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para situar o leitor, separamos um breve resumo de cada \u201cato\u201d:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAct I: A Legacy of Honor\u201d (2008)<\/strong> \u2013 ponto de partida da hist\u00f3ria, ainda sem Judith como protagonista, mas j\u00e1 apresentando a luta espiritual em torno do livre-arb\u00edtrio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAct II: Labyrinth of Truths\u201d (2010) \u2013<\/strong> surge Judith, que passa a conduzir toda a trama. A hist\u00f3ria mergulha em dilemas morais e no contraste entre verdade e ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAct III: Hollow\u2019s Gathering\u201d (2012) \u2013<\/strong> a jornada se expande com encontros entre fantasia e realidade, questionando a ess\u00eancia da alma e a busca pelo conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAct IV: The Second Big Bang\u201d (2017) \u2013<\/strong> aqui a hist\u00f3ria envereda um pouco mais al\u00e9m, abordando o destino da humanidade, a origem do universo e a fus\u00e3o entre ci\u00eancia e espiritualidade. Judith atravessa o purgat\u00f3rio, preparando a transi\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo ato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cAct V: Spirits of Ghosts\u201d (2025) \u2013<\/strong> Judith chega ao Reino dos Fantasmas, enfrentando o Rei Adze e novos desafios ligados \u00e0 mem\u00f3ria, identidade e reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ou\u00e7a via Spotify:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Spirits of Ghosts\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/7ylL9R67fuJRw1c1HhzC0i?si=0n_2yjFcSa2NQSu_TVSepQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em \u201cMetal Opera\u201d, \u00e9 inevit\u00e1vel lembrar de nomes como Avantasia, Ayreon ou mesmo o pouco lembrado Genius: A Rock Opera, dos ex-Empty Tremor, Dario Ciccioni e Daniele Liverani. 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