{"id":37117,"date":"2026-03-26T18:45:31","date_gmt":"2026-03-26T18:45:31","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=37117"},"modified":"2026-03-26T22:07:18","modified_gmt":"2026-03-26T22:07:18","slug":"lidamos-com-o-que-temos-com-os-sentimentos-e-expectativas-que-nos-sao-depositados-e-tambem-com-o-que-nos-falta-tudo-isso-esta-expresso-no-personagem-que-conduz-o-a","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=37117","title":{"rendered":"\u201cLidamos com o que temos, com os sentimentos e expectativas que nos s\u00e3o depositados\u200a\u2014\u200ae tamb\u00e9m com o que nos falta. Tudo isso est\u00e1 expresso no personagem que conduz o \u00e1lbum\u201d, entrevista com Controversy"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Banda catarinense revela bastidores do disco \u201cIT\u00c1-UM\u201d, influ\u00eancias no metal progressivo e os desafios de fazer m\u00fasica independente no Brasil.<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Ol\u00e1, pessoal da Controversy. Obrigado pela disponibilidade para esta conversa. Para come\u00e7ar, gostaria que falassem um pouco sobre a trajet\u00f3ria da banda at\u00e9 aqui. Como surgiu o projeto e quais foram os principais marcos nesse caminho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Apesar destes 12 anos de hist\u00f3ria, parece que estamos sempre revisitando esse in\u00edcio da banda. Diferente de outros projetos, cada vez que a gente se encontra l\u00e1 em casa, parece que estamos iniciando algo novo, aprendendo algo novo, ouvindo uma banda que algu\u00e9m traz como refer\u00eancia. Foi assim que surgiu a banda: um grupo de amigos, no est\u00fadio improvisado nos fundos da casa, ouvindo sons experimentais, pesados, po\u00e9ticos, expressivos e por a\u00ed vai. De l\u00e1 pra c\u00e1, tivemos mudan\u00e7as nas forma\u00e7\u00f5es, amigos que v\u00eam e v\u00e3o. Mas o Marcus, assim como o Guilherme, est\u00e3o desde o come\u00e7o. Sentimos que, na composi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas da Um \u00e0 Cinco, t\u00ednhamos uma pegada um pouco mais crua, e talvez um dos marcos da banda seja a entrada do Andr\u00e9, que trouxe para n\u00f3s uma complexidade extra nas cria\u00e7\u00f5es, mudando as composi\u00e7\u00f5es da m\u00fasica Seis em diante. Essa mudan\u00e7a fica um pouco mais evidente agora que estamos com o \u00e1lbum completo lan\u00e7ado. Mas a adi\u00e7\u00e3o do Lucas e do Adan tamb\u00e9m foi fundamental para a gente olhar para tr\u00e1s e sentir que chegamos onde quer\u00edamos, mesmo enfrentando o dia a dia dif\u00edcil do trabalhador brasileiro, que precisa ficar arrumando intervalos na vida para se dedicar \u00e0 arte. Ou, no nosso caso, ainda ter que driblar enchentes que insistem em acontecer na nossa regi\u00e3o. Tudo isso foram marcos que fazem a banda ser o que \u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: O nome Controversy chama bastante aten\u00e7\u00e3o. Qual foi a ideia por tr\u00e1s dessa escolha? Existe um conceito ou proposta que o nome busca transmitir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Quando come\u00e7amos a pensar em ter um projeto, logo pensamos em um nome. A ideia inicial era muito clara: ter um nome que n\u00e3o nos limitasse. Que, mesmo quando quis\u00e9ssemos explorar algo muito bizarro ou estranho aos ouvidos, o nome nos permitisse isso. E, claro, um nome que n\u00e3o fosse t\u00e3o batido. Ao pesquisar, vimos, na \u00e9poca, que n\u00e3o existia nenhuma banda de metal no Brasil com esse nome e, no exterior, apenas projetos abandonados com nomes semelhantes. Controversy agradou muito: palavra \u00fanica, direta, abrangente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Ao ouvir o som de voc\u00eas, fica evidente uma sonoridade bastante madura. Este \u00e9 o primeiro projeto musical dos integrantes ou voc\u00eas j\u00e1 tiveram experi\u00eancias anteriores em outras bandas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Acredito que n\u00e3o \u00e9 a primeira banda de ningu\u00e9m, mas \u00e9 a banda mais consistente, resistente e duradoura para a maioria de n\u00f3s. Literalmente insistimos nesta banda at\u00e9 dar certo. Mesmo com mudan\u00e7as de integrantes, enchentes, projetos paralelos\u2026 todos n\u00f3s notamos que aqui tem algo diferente, seja na forma de compor ou na pr\u00f3pria amizade que criamos, e isso influencia o resultado final. Os integrantes j\u00e1 passaram por bandas de grind, death, progressivo, mel\u00f3dico, entre tantas outras coisas, e aqui \u00e9 o espa\u00e7o onde conseguimos juntar os elementos que achamos necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Outro ponto de destaque \u00e9 a mistura de estilos presente no trabalho, que transita entre stoner rock, metal progressivo, death metal e elementos mais experimentais. Essa diversidade surgiu de forma natural ou j\u00e1 era algo planejado desde o in\u00edcio da banda?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Acredito que a maior parte dessa diversidade n\u00e3o tenha sido proposital, mas uma verdade sobre o Controversy \u00e9 que todo mundo que passou por aqui deixou uma marca. N\u00f3s extrapolamos de prop\u00f3sito as ideias \u201cmenos convencionais\u201d que aparecem durante o processo de composi\u00e7\u00e3o e, como cada membro traz refer\u00eancias bem diversas, isso acontece com frequ\u00eancia. Sobre a mistura de g\u00eaneros, d\u00e1 pra dizer que surgiu naturalmente, mas que a gente foi aprimorando\u200a\u2014\u200ae continuamos aprimorando\u200a\u2014\u200ae experimentando coisas novas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Voc\u00eas lan\u00e7aram uma demo em 2020 e, depois disso, passaram um per\u00edodo inativos. O que motivou esse hiato nas atividades?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Foram \u00e9pocas complicadas: todo mundo muito ocupado ou vivendo momentos turbulentos na vida particular, isso quando n\u00e3o ocorria alguma enchente, pandemia ou desastre que impedisse a gente de se juntar para criar com calma. Isso, somado \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o da banda, fez a gente ficar um tempo longe das grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Recentemente, voc\u00eas lan\u00e7aram o \u00e1lbum \u201cIT\u00c1-UM\u201d. Como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o desse material?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> O processo de grava\u00e7\u00e3o foi delicioso. Vale um salve para quem produziu esse \u00e1lbum, o Alessandro Takassaki (Caverna), profissional atencioso e paciente, amigo da banda e agora respons\u00e1vel por finalmente tirarmos esse \u00e1lbum da fila de espera.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00fasicas de \u201cUm\u201d a \u201cCinco\u201d foram gravadas quase como foram criadas. Por serem composi\u00e7\u00f5es mais antigas, a gente tentou manter a originalidade delas. Da m\u00fasica \u201cSeis\u201d em diante, tivemos cria\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es mais evidentes durante a pr\u00f3pria grava\u00e7\u00e3o: gravamos em partes e montamos, criando uma esp\u00e9cie de \u201cmosaico sonoro\u201d. Inclusive, no decorrer dos outros ensaios, continu\u00e1vamos debatendo e criando.<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente, a mudan\u00e7a de membros da banda durante todo esse tempo foi importante para incrementar essa colet\u00e2nea de ideias e refer\u00eancias. A \u201cZero\u201d foi composta pelo Lucas depois de o \u00e1lbum j\u00e1 estar constru\u00eddo e caiu como uma luva, exatamente o que precis\u00e1vamos para a intro.<\/p>\n\n\n\n<p>Agradecemos novamente ao Caverna por ter conduzido isso. Aprendemos muito no processo, e as li\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o tendo efeito nas nossas novas composi\u00e7\u00f5es e planejamentos para as pr\u00f3ximas obras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*hjUz7lC3L7Y_0UI-O9zj7w.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Um aspecto curioso do disco \u00e9 a aus\u00eancia de t\u00edtulos tradicionais nas faixas, que s\u00e3o nomeadas como \u201cZero\u201d, \u201cUm\u201d, \u201cCinco\u201d, \u201cSete\u201d, entre outras. Qual \u00e9 o significado dessa escolha? Existe algum conceito por tr\u00e1s dessa estrutura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> A gente tem um certo receio de parecer \u201cclich\u00ea\u201d em muitos momentos. Ent\u00e3o, quando escrev\u00edamos os nomes das m\u00fasicas para ensaiar, acab\u00e1vamos nos referindo a elas pela sequ\u00eancia do ensaio: \u201cvamos de Um ou come\u00e7amos o ensaio com a m\u00fasica Dois?\u201d, por exemplo. Com o tempo, notamos que isso era muito mais verdadeiro do que colocar um nome oficial, \u201ctrevoso\u201d, ou qualquer coisa semelhante. Conversando um dia sobre como apresentar\u00edamos as m\u00fasicas para os amigos e o p\u00fablico, decidimos pela honestidade, pela vida bruta como ela \u00e9: \u201cse \u00e9 assim no ensaio, por que n\u00e3o pode ser assim no \u00e1lbum?\u201d. Coincidentemente, o Opeth (uma das bandas que mais escutamos) anos depois lan\u00e7ou um \u00e1lbum nomeando m\u00fasicas com \u201cpar\u00e1grafos, 1, 2, 3\u2026\u201d E a gente at\u00e9 brinca dizendo que eles copiaram em partes a nossa ideia. Mas \u00e9 isso: retornar ao bruto \u00e9 importante \u00e0s vezes, \u00e9 at\u00e9 mais original. Nem sempre \u00e9 necess\u00e1rio criar um nome complexo, cheio de met\u00e1foras e refer\u00eancias para soar original. Inclusive, tamb\u00e9m n\u00e3o gostamos de tirar fotos; tem sido quase uma tortura fazer \u201cfoto de banda\u201d, com os integrantes posando com cara de mal. N\u00e3o \u00e9 a nossa verdade, mas a gente compreende que \u00e9 a forma mais comum de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: E para quem n\u00e3o conseguiu captar totalmente a proposta do \u00e1lbum, sobre quais temas voc\u00eas trabalham nas composi\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Os temas s\u00e3o variados, mas convergem na busca por significados interiores. S\u00e3o m\u00faltiplas facetas de personagens que sofrem diferentes mazelas: algumas vezes psicol\u00f3gicas, outras sociais, outras existenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois que est\u00e1vamos compondo, percebemos que o \u00e1lbum apresenta um eu l\u00edrico que, em um momento de solid\u00e3o e desespero, \u00e9 amaldi\u00e7oado com a d\u00e1diva da consci\u00eancia. Isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de entender, mas temos experi\u00eancias que nos conectam de alguma forma, e, quando criamos, sempre imaginamos alguma hist\u00f3ria, buscamos elos, conflitos e tudo mais que possa nos inspirar na escolha de uma nota ou batida. Ent\u00e3o, as m\u00fasicas expressam, de alguma forma, esses sentimentos e palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cUm\u201d e a \u201cTr\u00eas\u201d apresentam a consci\u00eancia sobre a inevitabilidade da morte, n\u00e3o somente f\u00edsica, mas mental e espiritual ao longo da vida. A \u201cTr\u00eas\u201d fala sobre a morte da esperan\u00e7a e dos sonhos que s\u00e3o cessados pelo fim iminente. J\u00e1 a \u201cQuatro\u201d e a \u201cCinco\u201d mostram a consci\u00eancia acerca da deteriora\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia pelas quais passam a felicidade, o amor e os objetivos. A chuva no final da \u201cCinco\u201d fala sobre um momento de hiato da banda (por conta de enchentes e tamb\u00e9m tempestades internas de cada um), mas tamb\u00e9m pode ser interpretada como a solid\u00e3o do eu l\u00edrico, como na \u201cZero\u201d, que abre o \u00e1lbum. A \u201cSeis\u201d\u2019 fala sobre o n\u00e3o pertencimento a nenhum grupo, ao mesmo tempo em que somos todos irm\u00e3os, filhos do amor da m\u00e3e, filhos do \u00f3dio do pai\u200a\u2014\u200auma cr\u00edtica direta aos aparelhos ideol\u00f3gicos do Estado, em especial ao n\u00facleo familiar, \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de nacionalidade. A \u201cSete\u201d apresenta o eu l\u00edrico imerso em uma depress\u00e3o profunda, decr\u00e9pito, moribundo, mas meditando sobre seu estado e aceitando o sofrimento como companheiro na solid\u00e3o. A \u201cOito\u201d denuncia como a sociedade molda nossos comportamentos e personalidades para um modo individualista e rob\u00f3tico: cada um \u00e9 programado para pensar em si pr\u00f3prio, divindades isoladas em suas ilhas do ego.<\/p>\n\n\n\n<p>A parte com influ\u00eancias brasileiras representa o eu l\u00edrico tentando se libertar e, ao final, o eu l\u00edrico tentando avisar o ouvinte, antes de se tornar mais um rob\u00f4, que a vida \u00e9 mais do que somos programados para ver. A \u201cDez\u201d resgata uma vis\u00e3o pessimista da sociedade e como tudo \u00e9 feito para nos cegar e nos manter imersos em uma rotina que nunca acaba, sempre igual, mas o vazio e a superficialidade acabam por libertar o eu l\u00edrico de sua \u201cmaldi\u00e7\u00e3o\u201d. Por fim, na \u201cDois\u201d, o eu l\u00edrico deixa que o monstro interno o consuma por completo, deixando-o ensandecido por sangue, numa v\u00e3 tentativa de libertar os outros e a si pr\u00f3prio. O eu l\u00edrico passa a se sentir completo.<\/p>\n\n\n\n<p>Conceitualmente, conseguimos traduzir o \u00e1lbum dessa forma. Mas, no fundo, como comentamos, h\u00e1 algo que vai al\u00e9m: o que conecta todas essas m\u00fasicas \u00e9 a nossa insist\u00eancia em viver em um lugar que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3-m\u00fasica, n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3-arte, principalmente quando falamos de metal. Viver no Itaum muitas vezes \u00e9 insalubre. Quando falamos de insistir para fazer m\u00fasica, \u00e9 porque muitas vezes nos juntamos l\u00e1 em casa para pegar potes e tirar \u00e1gua de dentro da resid\u00eancia, para conseguir limpar tudo e depois ensaiar. N\u00e3o h\u00e1 nenhum herdeiro aqui para comprar um espa\u00e7o melhor, ent\u00e3o lidamos com o que temos, lidamos com os sentimentos e expectativas que nos s\u00e3o depositados, lidamos com o que temos e com o que falta. E isso est\u00e1 expresso nesse personagem que conduz o \u00e1lbum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: O disco conta ainda com a participa\u00e7\u00e3o do m\u00fasico franc\u00eas Yannick Jacquet. Como surgiu essa colabora\u00e7\u00e3o e como foi trabalhar com ele? E como ele reagiu ao trabalhar com uma banda de metal, embora seu som seja voltado ao ac\u00fastico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> O Yannick \u00e9 um m\u00fasico incr\u00edvel, que conhecemos por meio da irm\u00e3 do Marcus (Taiane), que est\u00e1 morando na Espanha neste momento. Quando come\u00e7amos a conversar sobre o \u00e1lbum com os parentes, tratamos desde a ideia conceitual at\u00e9 a vontade de ter participa\u00e7\u00f5es especiais; nesse momento, o pr\u00f3prio Yannick se ofereceu para participar, e n\u00f3s aceitamos de primeira. Durante a composi\u00e7\u00e3o, notamos que as m\u00fasicas \u201cTr\u00eas\u201d e \u201cSete\u201d precisavam de \u201calgo a mais\u201d e, assim que jogamos a ideia para ele, ele nos retornou com in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es de teclados, cello e outros instrumentos. Foi uma experi\u00eancia maravilhosa. Por ser um m\u00fasico t\u00e3o completo, ele entendeu a ideia de primeira, mesmo n\u00e3o sendo do metal, e se divertiu muito fazendo esse experimento. S\u00f3 temos a agradecer pela disponibilidade. Aguardamos com ansiedade a possibilidade de um dia fazermos uma vers\u00e3o ao vivo dessas m\u00fasicas. Ele j\u00e1 tem viagens programadas para o Brasil, ent\u00e3o quem sabe isso aconte\u00e7a em breve.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Em determinado momento, voc\u00eas mencionam uma enchente que ocorreu em Joinville e que impactou diretamente a trajet\u00f3ria da banda. Poderia contar um pouco mais sobre esse epis\u00f3dio e seus desdobramentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Enchentes s\u00e3o frequentes na zona sul de Joinville. O bairro Itaum, na zona sul, d\u00e1 nome ao \u00e1lbum. O nosso est\u00fadio fica na casa onde nosso baterista morou grande parte da vida. A perda e o sofrimento provenientes das enchentes s\u00e3o acontecimentos frequentes para os moradores da regi\u00e3o. O est\u00fadio, a banda e pessoas relacionadas j\u00e1 sofreram perdas materiais nessas circunst\u00e2ncias mais de uma vez nestes anos de estrada. Inclusive, a foto da capa do \u00e1lbum \u00e9 de uma das c\u00e2meras da casa, e a pessoa que aparece na imagem \u00e9 um grande amigo nosso, o Adolfo. Ele representa n\u00e3o s\u00f3 os integrantes, mas todos os familiares e amigos que passaram por essa casa, que sofreram com as enchentes ou que nos ajudaram em todo alagamento que ocorreu por l\u00e1. N\u00e3o tinha como tratar de outro tema, direta ou indiretamente, que n\u00e3o fosse esse. Novamente, buscamos originalidade, mas com bases s\u00f3lidas e reais. Essa \u00e9 uma verdade, \u00e9 um fato, \u00e9 um desastre que nos afeta, ent\u00e3o faz sentido falar sobre isso nas imagens do \u00e1lbum, nas m\u00fasicas ou na insist\u00eancia em fazer m\u00fasica. Sofrer com a enchente \u00e9 algo complexo, mas que nos une a outras pessoas, de diversas regi\u00f5es do Brasil, inclusive, pois representa tamb\u00e9m um problema social, representa desigualdade e por a\u00ed vai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Como \u00e9 ser uma banda underground em Joinville? Quais s\u00e3o os principais desafios da cena local e, por outro lado, quais aspectos positivos voc\u00ea destacaria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Joinville \u00e9 uma cidade plural, constru\u00edda por muita, muita gente que veio de fora em busca de uma vida melhor. Sejam nossos av\u00f3s, pais ou n\u00f3s mesmos, ent\u00e3o a cena underground reflete um pouco disso. S\u00e3o v\u00e1rios nichos que, \u00e0s vezes, se conectam, com muita potencialidade, mas uma coisa sempre foi muito evidente: faltam espa\u00e7os f\u00edsicos para que as bandas e artistas marginais explorem sua arte. H\u00e1 muito artista bom aqui, muita gente com potencial, mas falta estrutura para que isso seja compartilhado. Talvez seja porque Joinville virou uma esp\u00e9cie de \u201ccidade de passagem\u201d, onde as pessoas trabalham a semana inteira para curtir o final de semana nas praias ou nas cidades pr\u00f3ximas. Infelizmente, esse sentimento faz com que as pessoas curtam eventos em outros locais. A gente compreende que h\u00e1 p\u00fablico, arte e espa\u00e7o a serem explorados aqui ainda, ent\u00e3o talvez esse seja o principal desafio: ter espa\u00e7os pr\u00f3prios, resistentes e estruturados para os artistas se apresentarem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Para quem curtiu o som de voc\u00eas, que outros artistas ou bandas voc\u00eas indicariam como refer\u00eancia ou afinidade sonora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Gojira, Opeth, Tool, King Crimson, Death, Porcupine Tree, Sepultura, Pink Floyd, Bloodbath.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Agora, com o lan\u00e7amento de \u201cIT\u00c1-UM\u201d, quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos da Controversy para o restante de 2026?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Lan\u00e7amento de pelo menos um clipe e um novo single. J\u00e1 temos muito material novo represado, que queremos estruturar para lan\u00e7ar, em breve, um novo \u00e1lbum, mas talvez fique para 2027\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guilherme: Marcus, obrigado novamente pela entrevista. Para encerrar, deixe uma mensagem final para os leitores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controversy:<\/strong> Joguem Dark Souls e bebam \u00e1gua. Obs.: o Lucas tamb\u00e9m falou \u201ctor\u00e7am pro Vasco\u201d, mas os outros integrantes est\u00e3o batendo nele neste momento, pois temos um palmeirense, um torcedor do Joinville Esporte Clube e outros que nem gostam de futebol. Mas \u00e9 isso: com humor, amor e \u00f3dio, sejam originais. Ou tentem, pelo menos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"IT\u00c1-UM - Controversy - Full Album\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Kt6H8CRuGk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Banda catarinense revela bastidores do disco \u201cIT\u00c1-UM\u201d, influ\u00eancias no metal progressivo e os desafios de fazer m\u00fasica independente no Brasil. Guilherme: Ol\u00e1, pessoal da Controversy. Obrigado pela disponibilidade para esta conversa. Para come\u00e7ar, gostaria que falassem um pouco sobre a trajet\u00f3ria da banda at\u00e9 aqui. 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