{"id":31273,"date":"2025-06-30T09:00:00","date_gmt":"2025-06-30T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=31273"},"modified":"2025-06-30T12:34:16","modified_gmt":"2025-06-30T12:34:16","slug":"com-biacromioxifopubiano-o-flesh-grinder-segue-triturando-timpanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=31273","title":{"rendered":"Com \u201cBiacromioxifopubiano\u2019 o Flesh Grinder segue triturando t\u00edmpanos"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meio a uma discografia encharcada de sangue e v\u00edsceras, o <strong>Flesh Grinder<\/strong> retorna com <strong><em>\u201cBiacromioxifopubiano\u201d<\/em><\/strong>, um t\u00edtulo que por si s\u00f3 j\u00e1 evoca o vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico de necropsia que virou marca registrada do grupo catarinense. Lan\u00e7ado em janeiro, o disco mant\u00e9m o lugar da banda como uma das mais resilientes e viscerais do Goregrind sul-americano \u2013 uma sobrevivente da era anal\u00f3gica que se mant\u00e9m ativa e afiada mesmo em plena era do streaming.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei quanto ao resto do Brasil, mas aqui no Rio Grande do Sul costumamos chamar o estilo deste estilo de bandas de \u201cpodreira\u201d. Temos inclusive grandes representantes do g\u00eanero por aqui, como as bandas <strong>Sarcastic<\/strong>, <strong>V\u00f4mito<\/strong> e <strong>Harmony<\/strong> <strong>Fault<\/strong>, todas da regi\u00e3o da serra, como Farroupilha e Bento Gon\u00e7alves. E para os lados de Santa Catarina, o cen\u00e1rio \u00e9 o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundado em 1993 justamente no estado vizinho, na cidade de Joinville, o <strong>Flesh Grinder<\/strong> sempre se destacou n\u00e3o apenas pela brutalidade sonora, mas pela fidelidade \u00e0 est\u00e9tica Splatter, tanto nas letras quanto nas artes visuais. Essa identidade \u00e9 insepar\u00e1vel da trajet\u00f3ria do guitarrista e vocalista <strong>F\u00e1bio Gorresen <\/strong>(tamb\u00e9m conhecido como Necromaniak), que na vida real trabalha em um necrot\u00e9rio e cuja experi\u00eancia direta com cad\u00e1veres moldou boa parte da l\u00edrica do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Gravado entre o final de 2023 e o primeiro trimestre de 2024 no est\u00fadio <strong>Audio Goblin<\/strong>, o \u00e1lbum foi lan\u00e7ado em formato f\u00edsico limitado pela <strong>Black Hole Productions<\/strong>. Com dez faixas em pouco menos de 28 minutos, o trabalho \u00e9 conciso e cir\u00fargico \u2013 como uma incis\u00e3o bem-feita. O bel\u00edssimo t\u00edtulo da obra, <strong><em>\u201cBiacromioxifopubiano\u201d,<\/em><\/strong> pode ser interpretado (n\u00e3o sou legista, tampouco expert em corpo humano!) como um plano ou eixo anat\u00f4mico que une a linha entre os ombros (biacromial), desce pela linha m\u00e9dia do tronco (passando pelo processo xifoide) e vai at\u00e9 a regi\u00e3o pubiana e seria uma esp\u00e9cie de linha de dissec\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, possivelmente usada em necropsias ou exames antropom\u00e9tricos \u2014 algo coerente com a tem\u00e1tica forense da banda. \u00c9 um termo t\u00e9cnico e obscuro, t\u00edpico da linguagem do <strong>Flesh Grinder<\/strong>, mas que sintetiza bem o conte\u00fado do disco: precis\u00e3o anat\u00f4mica, frieza cient\u00edfica e brutalidade sonora. E olha quem n\u00e3o sou da \u00e1rea&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo na faixa-t\u00edtulo que abre o \u00e1lbum e \u00e9 justamente a mais longa do \u00e1lbum, temos uma avalanche r\u00edtmica de riffs com timbre cavernoso, linhas de baixo compressas e blast beats que sustentam vocais absolutamente putrefatos. \u00c9 uma introdu\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica do que vir\u00e1 a seguir: uma sequ\u00eancia de faixas com riffs que remetem \u00e0 velha escola do Death sueco e um excelente trabalho do baterista <strong>Daniel Henriques<\/strong>, que faz uso da tradicional batida Goregrind (quem conhece sabe do que falo) com maestria. O ritmo de <strong><em>\u201cTanatognose\u201d<\/em><\/strong>, de pouco mais de dois minutos de dura\u00e7\u00e3o, foca numa velocidade ora cadenciada, ora r\u00e1pida, sem apelar para a velocidade desenfreada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"807\" height=\"605\" src=\"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/flesh-banda.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31275\" srcset=\"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/flesh-banda.jpg 807w, https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/flesh-banda-300x225.jpg 300w, https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/flesh-banda-768x576.jpg 768w, https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/flesh-banda-333x250.jpg 333w\" sizes=\"auto, (max-width: 807px) 100vw, 807px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em <strong><em>\u201cGreen Bacterianus\u201d <\/em><\/strong>o <strong>Flesh Grinder<\/strong> encaixa uma sonoridade mais r\u00e1pida, com algumas quebradas e um solo de guitarra bem colocado. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00edtida o suficiente para que cada instrumento se destaque, mas sem esterilizar a sujeira que o estilo exige. Os vocais processados, ora grunhidos visc\u00f3ides, ora guturais abissais, ampliam o senso de horror e decrepitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o \u00e1lbum seja de qualidade homog\u00eanea, algumas faixas se destacam, tanto pela sonoridade quanto pelos seus nomes escatol\u00f3gicos, como <strong><em>\u201cFossa das Flictenas\u201d<\/em><\/strong>, um nome grotesco e imag\u00e9tico, onde podemos imaginar um local onde a pele entrou em colapso e se transformou num foco de infec\u00e7\u00e3o l\u00edquida. Uma festa das bact\u00e9rias e gosma verde! \u00a0O in\u00edcio de<strong><em>\u201cButyricum Clostridium\u201d <\/em><\/strong>empolga at\u00e9 o mais r\u00edgido dos cad\u00e1veres com suas batidas empolgantes, o que ao vivo dever\u00e1 causar um grande impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>A saideira, com <strong><em>\u201cMetano, Cadaverina e Putrescina\u201d<\/em><\/strong> condensa o conceito do \u00e1lbum em composi\u00e7\u00f5es curtas e ca\u00f3ticas, quase como flashes cl\u00ednicos de uma mesa de aut\u00f3psia. O disco termina antes que o ouvinte perceba, numa estrat\u00e9gia eficaz que evita o desgaste comum em \u00e1lbuns de Goregrind muito longos. Da\u00ed ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 colocar no repeat e seguir o \u201cbaile\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A capa, assinada por <strong>Jansen Baracho<\/strong>, \u00e9 uma verdadeira extens\u00e3o visual do discurso sonoro. Com refer\u00eancias claras ao cl\u00e1ssico corte em \u201cY\u201d utilizado em necropsias, a arte apresenta uma figura humana em estado de disseca\u00e7\u00e3o, mostrando a fus\u00e3o entre ci\u00eancia forense e imagin\u00e1rio grotesco que a banda vem cultivando h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas. O cuidado est\u00e9tico tamb\u00e9m se manifesta na mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o (por Rudolf Virchow e Maurice Letulle, pseud\u00f4nimos que reverenciam figuras hist\u00f3ricas da patologia), o que confere ao disco uma coes\u00e3o rara em lan\u00e7amentos do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u201cBiacromioxifopubiano\u201d<\/em><\/strong> \u00e9 um \u00e1lbum que n\u00e3o busca inovar e, sinceramente nem precisa. A festa est\u00e1 garantida. O m\u00e9rito do <strong>Flesh Grinder<\/strong> est\u00e1 em manter viva uma linguagem sonora extrema, mantendo-se fiel \u00e0 ess\u00eancia do Goregrind enquanto atualiza timbres, intensifica estruturas e se ancora na experi\u00eancia aut\u00eantica de seus criadores. Um \u00e9pico da podreira com menos de meia hora de dura\u00e7\u00e3o. E para aqueles que tiverem a oportunidade, encarar os \u201cbailes\u201d e dan\u00e7ar valsas Goregrind divertidas, \u00e9 uma boa pedida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Track list:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Biacromioxifopubiano<\/li>\n\n\n\n<li>Tanatognose<\/li>\n\n\n\n<li>Green Bacterianus<\/li>\n\n\n\n<li>De Processus Corporis Apertio<\/li>\n\n\n\n<li>Artificialis Pathologia<\/li>\n\n\n\n<li>Hemicorporectomia<\/li>\n\n\n\n<li>Fossa das Flictenas<\/li>\n\n\n\n<li>Fen\u00f4meno Abi\u00f3tico Transformativo Destrutivo<\/li>\n\n\n\n<li>Butyricum Clostridium<\/li>\n\n\n\n<li>Metano, Cadaverina e Putrescina<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong><em>Confira o \u00e1lbum no Spotify:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Biacromioxifopubiano\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/175k3MNCjP844XUhiAMDGZ?utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Ou\u00e7a no YouTube:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Flesh Grinder - Biacromioxifopubiano FULL ALBUM (2025 - Goregrind \/ Death Metal)\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4hjgLbP4eeU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a uma discografia encharcada de sangue e v\u00edsceras, o Flesh Grinder retorna com \u201cBiacromioxifopubiano\u201d, um t\u00edtulo que por si s\u00f3 j\u00e1 evoca o vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico de necropsia que virou marca registrada do grupo catarinense. 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