{"id":39563,"date":"2026-06-24T17:02:45","date_gmt":"2026-06-24T17:02:45","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=39563"},"modified":"2026-06-24T17:02:46","modified_gmt":"2026-06-24T17:02:46","slug":"violeta-de-outono-e-edgard-scandurra-celebram-a-psicodelia-brasileira-na-casa-natura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=39563","title":{"rendered":"Violeta de Outono e Edgard Scandurra celebram a psicodelia brasileira na Casa\u00a0Natura"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala sobre o rock brasileiro da d\u00e9cada de 1980, \u00e9 comum que venham \u00e0 mente nomes ligados ao pop rock, new wave e punk, como Legi\u00e3o Urbana, RPM, Paralamas do Sucesso, Inocentes e Nenhum de N\u00f3s. Entretanto, paralelamente ao sucesso desses grupos, uma cena underground igualmente rica se desenvolvia no pa\u00eds, explorando sonoridades mais atmosf\u00e9ricas e experimentais. Influenciada pelo rock psicod\u00e9lico, pelo p\u00f3s-punk, pelo rock progressivo e pelas paisagens sonoras que mais tarde ajudariam a definir o estilo conhecido como \u201cshoegaze\u201d, essa vertente produziu algumas das obras mais interessantes e inovadoras da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os principais representantes desse movimento est\u00e1 o Violeta de Outono. Formado em S\u00e3o Paulo, em 1984, por F\u00e1bio Golfetti (guitarra e vocal), Cl\u00e1udio Souza (baixo) e Angelo Pastorello (bateria), o trio surgiu em meio \u00e0 efervesc\u00eancia do rock nacional, mas escolheu trilhar um caminho pr\u00f3prio, distante das tend\u00eancias comerciais da \u00e9poca. Ao longo de mais de quatro d\u00e9cadas de carreira, a banda construiu uma discografia respeitada tanto no Brasil quanto no exterior, com trabalhos como \u201cVioleta de Outono\u201d (1987), \u201cEm Toda Parte\u201d e \u201cEspectro\u201d. Sua combina\u00e7\u00e3o de psicodelia, progressivo e experimenta\u00e7\u00e3o sonora influenciou gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos e consolidou o grupo como uma das forma\u00e7\u00f5es mais importantes da m\u00fasica alternativa brasileira. Mesmo sem alcan\u00e7ar grande proje\u00e7\u00e3o comercial, o Violeta de Outono conquistou um p\u00fablico fiel e permanece como uma refer\u00eancia incontorn\u00e1vel quando o assunto \u00e9 rock psicod\u00e9lico nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo domingo (21), o trio teve a oportunidade de levar sua m\u00fasica a um palco pouco habitual para bandas desse universo. Conhecido por suas frequentes apresenta\u00e7\u00f5es em teatros, centros culturais e espa\u00e7os tradicionais do circuito alternativo paulistano, o grupo protagonizou um belo espet\u00e1culo na Casa Natura Musical, uma das casas de shows mais prestigiadas da capital paulista. A apresenta\u00e7\u00e3o integrou o projeto \u201cFrequ\u00eancias<em>\u201d<\/em>, iniciativa que busca promover encontros entre artistas de diferentes estilos e gera\u00e7\u00f5es, ampliando o di\u00e1logo entre diversas vertentes da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tornar a noite ainda mais especial, o evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de Edgard Scandurra. Conhecido principalmente por seu trabalho \u00e0 frente do Ira!, o guitarrista apresentou um show in\u00e9dito ao lado da banda Ema Stoned, explorando uma faceta mais instrumental, psicod\u00e9lica e experimental de sua carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do frio que tomou conta da capital paulista na data, o evento reuniu um bom p\u00fablico, ainda que n\u00e3o tenha atingido lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima. Chamava aten\u00e7\u00e3o o contraste geracional presente na plateia: de um lado, f\u00e3s que provavelmente acompanham o Violeta de Outono desde seus primeiros anos de atividade; do outro, admiradores jovens, que provavelmente conheceram o conjunto impulsionados pelo ressurgimento do interesse pelo shoegaze, pela psicodelia e pelo rock alternativo nas redes sociais nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com alguns minutos de atraso em rela\u00e7\u00e3o ao hor\u00e1rio previsto, F\u00e1bio Golfetti, Angelo Pastorello e Cl\u00e1udio Souza surgiram no cen\u00e1rio. A partir dali, o trio conduziu o p\u00fablico por uma verdadeira viagem sonora ao executar quase integralmente o cl\u00e1ssico \u00e1lbum <em>Violeta de Outono<\/em> (1987). Das nove m\u00fasicas presentes no repert\u00f3rio, apenas \u201cSombras Flutuantes\u201d e \u201cJ\u00fapiter\u201d n\u00e3o pertenciam ao disco de estreia. O espet\u00e1culo foi marcado por longas passagens instrumentais, que evidenciaram a habilidade t\u00e9cnica dos m\u00fasicos. F\u00e1bio impressionou com seus timbres et\u00e9reos e solos precisos, enquanto o baixo de Cl\u00e1udio assumiu papel de destaque em diversos momentos, conduzindo as can\u00e7\u00f5es com linhas marcantes que frequentemente se sobressa\u00edam aos demais instrumentos. Mais de quatro d\u00e9cadas ap\u00f3s sua forma\u00e7\u00e3o, a banda demonstrou estar t\u00e3o afiada quanto em seus anos iniciais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*m9Sn73CwW4KwD42CVsODmA.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A ilumina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mereceu destaque. Extremamente bem planejada, ajudou a criar uma atmosfera hipn\u00f3tica que dialogava perfeitamente com a proposta psicod\u00e9lica das composi\u00e7\u00f5es. Tons suaves, jogos de luz e proje\u00e7\u00f5es discretas transformaram o palco em uma extens\u00e3o natural da experi\u00eancia sonora. Embora a intera\u00e7\u00e3o entre os m\u00fasicos e o p\u00fablico tenha sido m\u00ednima, isso n\u00e3o se mostrou como um problema. Ver o trio executando faixas de um dos \u00e1lbuns mais importantes do rock independente brasileiro em uma casa com excelente ac\u00fastica, estrutura profissional e cen\u00e1rio cuidadosamente elaborado foi um verdadeiro presente para os f\u00e3s presentes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*xoSNatpKsXaovcymvSq-Uw.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma breve pausa para a troca de equipamentos, chegou a vez de Edgard Scandurra, lend\u00e1rio guitarrista nacional e amplamente reconhecido por sua trajet\u00f3ria \u00e0 frente do Ira!, seguir com a gig. O m\u00fasico veio acompanhado por Ale Duarte (guitarra), Elke Lamers (baixo) e Theo Charbel (bateria), apresentando um espet\u00e1culo que transitou entre psicodelia, rock instrumental e experimenta\u00e7\u00e3o sonora. O repert\u00f3rio incluiu releituras de can\u00e7\u00f5es como \u201c\u00bfPor Qu\u00e9 Te Vas?\u201d (Jos\u00e9 Luis Perales), al\u00e9m de m\u00fasicas da carreira da Ema Stoned e trabalhos do pr\u00f3prio Scandurra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*pxAeXuqH6AZsSkOU59b28w.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O ponto alto da apresenta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ficou por conta das composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas surgidas da parceria entre os m\u00fasicos. Entre elas, destacou-se o single \u201cCinzas das Horas\u201d, que chamou aten\u00e7\u00e3o pela combina\u00e7\u00e3o de elementos psicod\u00e9licos com influ\u00eancias ib\u00e9ricas, especialmente pelo uso marcante do viol\u00e3o espanhol. Durante todo o show, Edgard demonstrou a t\u00e9cnica refinada que o transformou em uma das figuras mais respeitadas da guitarra nacional, alternando riffs elaborados, passagens mel\u00f3dicas e solos executados com naturalidade. Ao mesmo tempo, as meninas da Ema Stoned enriqueceram as m\u00fasicas com camadas atmosf\u00e9ricas e psicod\u00e9licas que deram identidade pr\u00f3pria ao projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado foi um encontro surpreendentemente harmonioso entre diferentes gera\u00e7\u00f5es e trajet\u00f3rias musicais. A fus\u00e3o entre a experi\u00eancia de Scandurra e a abordagem contempor\u00e2nea da Ema Stoned mostrou-se natural e inspirada, rendendo alguns dos momentos mais interessantes da noite. Para completar, o guitarrista revelou que a parceria ter\u00e1 continuidade, com novos lan\u00e7amentos em breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, o projeto <em>Frequ\u00eancias<\/em> entregou exatamente o que prometia: uma celebra\u00e7\u00e3o da diversidade e da riqueza do rock psicod\u00e9lico brasileiro. Com rever\u00eancia aos cl\u00e1ssicos do Violeta de Outono e a experimenta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea de Edgard Scandurra e Ema Stoned, a Casa Natura Musical entregou uma verdadeira festa para os admiradores do estilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Setlists<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Violeta de&nbsp;Outono<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Noturno Deserto<\/li>\n\n\n\n<li>Outono<\/li>\n\n\n\n<li>Decl\u00ednio de Maio<\/li>\n\n\n\n<li>Luz<\/li>\n\n\n\n<li>Sombras Flutuantes<\/li>\n\n\n\n<li>J\u00fapiter<\/li>\n\n\n\n<li>Reflexos da Noite<\/li>\n\n\n\n<li>Dia Eterno<\/li>\n\n\n\n<li>Tomorrow Never Knows<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Edgard Scandurra e Ema&nbsp;Stoned<\/h3>\n\n\n\n<p>Imagino<br><\/p>\n\n\n\n<p>Tubar\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Porque Te Vas<\/p>\n\n\n\n<p>UTI<\/p>\n\n\n\n<p>Cinzas das Horas<\/p>\n\n\n\n<p>Tapet\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Yo La Tengo<\/p>\n\n\n\n<p>Muito Al\u00e9m<\/p>\n\n\n\n<p>Chef\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Valsa para Derrib\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala sobre o rock brasileiro da d\u00e9cada de 1980, \u00e9 comum que venham \u00e0 mente nomes ligados ao pop rock, new wave e punk, como Legi\u00e3o Urbana, RPM, Paralamas do Sucesso, Inocentes e Nenhum de N\u00f3s. 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