{"id":40455,"date":"2026-07-27T15:16:25","date_gmt":"2026-07-27T15:16:25","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=40455"},"modified":"2026-07-27T15:17:44","modified_gmt":"2026-07-27T15:17:44","slug":"boom-boom-kid-retorna-a-sao-paulo-e-entrega-a-formula-divertida-que-o-consagrou-no-underground","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=40455","title":{"rendered":"Boom Boom Kid retorna a S\u00e3o Paulo e entrega a f\u00f3rmula divertida que o consagrou no underground"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<p>Manter uma banda de hardcore punk ativa no circuito independente nunca foi uma tarefa simples, especialmente em pa\u00edses em desenvolvimento, onde dificuldades econ\u00f4micas, escassez de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 cultura e a falta de incentivo da iniciativa privada tornam a sobreviv\u00eancia art\u00edstica ainda mais desafiadora. Encontrar espa\u00e7os para se apresentar, arcar com os custos de equipamentos e turn\u00eas, lidar com cach\u00eas modestos e conciliar a m\u00fasica com outras atividades profissionais fazem parte da rotina da maioria dos m\u00fasicos do g\u00eanero. Ainda assim, algumas bandas conseguiram superar essas barreiras e construir carreiras s\u00f3lidas, tornando-se verdadeiras refer\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre esses nomes que merecem destaque est\u00e1 Boom Boom Kid. Fundado por Carlos \u201cNekro\u201d Rodr\u00edguez ap\u00f3s o fim do Fun People, o grupo iniciou suas atividades em 2001, justamente quando a Argentina atravessava uma de suas maiores crises econ\u00f4micas e sociais, marcada pelo epis\u00f3dio conhecido como Corralito. Nesse contexto turbulento, o conjunto entregou ao mundo o incr\u00edvel <em>Okey Dokey<\/em>, \u00e1lbum considerado um dos grandes cl\u00e1ssicos do hardcore punk latino-americano. Nos anos seguintes, vieram outros trabalhos igualmente importantes, como <em>Smiles from Chappa Noland<\/em> (2004), <em>Wassabi<\/em> (2007) e <em>Frisbee<\/em> (2009), consolidando uma identidade musical \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco mais de um ano ap\u00f3s sua \u00faltima passagem pelo Brasil, o Boom Boom Kid retornou a S\u00e3o Paulo na \u00faltima quinta-feira (23) para um show na Burning House. Mesmo em uma noite fria e em pleno dia \u00fatil, o p\u00fablico compareceu em bom n\u00famero, praticamente lotando a pequena casa de espet\u00e1culos localizada na Barra Funda. A excurs\u00e3o tamb\u00e9m incluiu apresenta\u00e7\u00f5es em Porto Alegre, Curitiba e Florian\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>A abertura ficou por conta do veterano The Biggs, trio de Sorocaba convidado pessoalmente por Nekro ap\u00f3s uma conversa pelo Instagram, de acordo com a vocalista Fl\u00e1via. Apesar de parecer desconhecida por parte do p\u00fablico, a banda acumula cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas de trajet\u00f3ria no underground paulista. Com uma sonoridade baseada no rock alternativo, marcada por guitarras fortes e melodias diretas, o grupo apresentou m\u00fasicas dos discos <em>Wishful Thinking<\/em> (2001) e <em>The Roll Call<\/em> (2007), mas n\u00e3o apresentou nenhuma can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita. O destaque ficou para o clima descontra\u00eddo da apresenta\u00e7\u00e3o. Fl\u00e1via, Mayra e Brown Biggs mostraram grande entrosamento e interagiram constantemente com a galera pr\u00f3xima ao palco e acostumada com as composi\u00e7\u00f5es. Em um dos momentos mais divertidos do show, Fl\u00e1via resumiu bem o esp\u00edrito da cena independente ao brincar: \u201cRock independente n\u00e3o d\u00e1 futuro, mas d\u00e1 presente e passado pra caralho.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*3ZdlJCsc7Bgx2eJNqf_9ug.png\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Com a casa aquecida, chegou a vez da principal atra\u00e7\u00e3o da noite. Antes mesmo da primeira m\u00fasica, Nekro j\u00e1 chamava aten\u00e7\u00e3o pelo figurino extravagante, composto por roupas coloridas que simulavam respingos de tinta e um inusitado chap\u00e9u de pirata. Bastaram os primeiros acordes para transformar a Burning House em uma grande festa. Logo na abertura, o vocalista lan\u00e7ou serpentinas sobre a plateia e, dali em diante, praticamente n\u00e3o parou um segundo sequer. Dan\u00e7ou, pulou, rolou pelo ch\u00e3o, dividiu o microfone com os f\u00e3s e transformou o palco em uma extens\u00e3o da pista. Enquanto isso, a banda na \u201ccozinha\u201d transitava naturalmente entre hardcore, punk rock, grindcore, surf music e at\u00e9 baladas latinas, mostrando a identidade \u00fanica do quarteto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*6ByUW8SSKZTg-ogbnqgHfQ.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Al\u00e9m da m\u00fasica, Nekro aproveitou diversos momentos para conversar com o p\u00fablico. Em seus discursos, destacou a import\u00e2ncia de preservar o respeito dentro da cena underground, criticou o clima de intoler\u00e2ncia dos tempos atuais neste \u201cmundo de merda\u201d e defendeu a m\u00fasica como ferramenta de uni\u00e3o, amizade e constru\u00e7\u00e3o de comunidade. O repert\u00f3rio percorreu praticamente toda a carreira do Boom Boom Kid, mas tamb\u00e9m abriu espa\u00e7o para cl\u00e1ssicos do Fun People, como \u201cVientos\u201d, \u201cF.M.I.\u201d, \u201cF.M.S.\u201d, \u201cQuestion\u201d, \u201cA Mi Manera\u201d e \u201cSi Pudiera\u201d. Curiosamente, o trabalho <em>Okey Dokey<\/em> recebeu aten\u00e7\u00e3o especial, com a execu\u00e7\u00e3o de \u201cJ\u00falio\u201d, \u201cPei Pa Koa\u201d, \u201cBrick By Brick\u201d\u200a\u2014\u200aonde Nekro literalmente \u201csurfou\u201d sobre o p\u00fablico utilizando uma prancha\u200a\u2014\u200ae \u201cFeliz\u201d, encerrada com uma invas\u00e3o espont\u00e2nea de f\u00e3s ao palco para cantar junto com a banda. De fato, uma celebra\u00e7\u00e3o marcada pela aus\u00eancia de barreiras entre p\u00fablico e artistas e com o espir\u00edto de alegra e divers\u00e3o dominando o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/800\/1*AYmQga9kXwadw1rSvKimWQ.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Mais uma vez, o Boom Boom Kid mostrou por que permanece como um dos nomes mais queridos do punk rock latino-americano. Sem recorrer a grandes produ\u00e7\u00f5es ou efeitos especiais, o grupo entregou exatamente aquilo que seus f\u00e3s esperam: autenticidade, proximidade com o p\u00fablico e uma celebra\u00e7\u00e3o coletiva baseada em m\u00fasica, amizade e divers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Fotos: Fl\u00e1vio Santiago (credenciado pelo site&nbsp;<a href=\"https:\/\/onstage.mus.br\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><em>ONSTAGE<\/em><\/a>)<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/400\/1*3EF8BYw2JrcABkW4q7KwNg.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/400\/1*_0VMIhp_q0-j5XtQYilKvg.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/600\/1*UqFW_HVoV53qDOcCBeTQFA.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/600\/1*6ByUW8SSKZTg-ogbnqgHfQ.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/400\/1*GiEUWNHS9L0pxD1iDRhh2w.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/400\/1*FZHTk2UxE3QyBsOiWonNoA.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/600\/1*qSxxDdrlhiBLJxBUVTNQqQ.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-images-1.medium.com\/max\/600\/1*D-Lt4nnpYEtpyInawl6FRQ.jpeg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manter uma banda de hardcore punk ativa no circuito independente nunca foi uma tarefa simples, especialmente em pa\u00edses em desenvolvimento, onde dificuldades econ\u00f4micas, escassez de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 cultura e a falta de incentivo da iniciativa privada tornam a sobreviv\u00eancia art\u00edstica ainda mais desafiadora. 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