{"id":41133,"date":"2026-08-26T12:36:03","date_gmt":"2026-08-26T12:36:03","guid":{"rendered":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=41133"},"modified":"2026-08-26T17:24:05","modified_gmt":"2026-08-26T17:24:05","slug":"rhegia-prova-o-valor-do-metal-brasileiro-com-the-mirror-of-light-confira-resenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/?p=41133","title":{"rendered":"Rhegia prova o valor do Metal brasileiro com &#8220;The Mirror of Light&#8221;; confira resenha"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 muito tempo o Heavy Metal deixou de ser um g\u00eanero restrito \u00e0s fronteiras europeias ou norte-americanas, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio discutir a import\u00e2ncia de as bandas brasileiras olharem para o pr\u00f3prio quintal. O Brasil possui uma das culturas mais ricas do mundo, e explorar nossas ra\u00edzes, mitologias e a for\u00e7a dos povos origin\u00e1rios tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de identidade e resist\u00eancia. Temos um vasto repert\u00f3rio de hist\u00f3rias que vai muito al\u00e9m dos temas europeus tantas vezes explorados pelo g\u00eanero. O <strong>Rhegia<\/strong>, diretamente do Par\u00e1, entende isso como poucos e demonstra a for\u00e7a dessa proposta em <strong><em>&#8220;The Mirror of Light&#8221;<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o ano passado tenho feito diversas resenhas aqui para o <strong>Heavy Metal Online<\/strong>, e o n\u00edvel das bandas tem atingido padr\u00f5es elevados, seja de produ\u00e7\u00e3o, apelo tem\u00e1tico, visual ou sonoro. Interessante citar justamente a quest\u00e3o l\u00edrica, j\u00e1 que bandas como <strong>Miasthenia, Hall of Gods <\/strong>e <strong>Pagan Throne <\/strong>trazem, cada um \u00e0 sua maneira, um pouco da cultura brasileira aos holofotes do Heavy Metal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8220;The Mirror of Light&#8221;<\/em><\/strong> \u00e9 o segundo \u00e1lbum da carreira do grupo e cap\u00edtulo final de uma trilogia \u2013 iniciada no EP <strong><em>\u201cShadow Warrior\u201d<\/em><\/strong> (2019) &#8211; inspirada na cultura, na mitologia e na ancestralidade dos povos origin\u00e1rios da Amaz\u00f4nia. O trabalho leva o conceito constru\u00eddo nos trabalhos anteriores para um cen\u00e1rio futurista e dist\u00f3pico. Se antes a banda mergulhava no passado e nas lendas da floresta, agora a hist\u00f3ria projeta esse universo para um futuro marcado pelo conflito entre o avan\u00e7o opressor da intelig\u00eancia artificial e a for\u00e7a org\u00e2nica, pulsante e persistente da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>A identidade visual do lan\u00e7amento traduz essa colis\u00e3o de maneira bel\u00edssima. A capa, criada por <strong>R\u00f4mulo Dias<\/strong>, ilustra o conceito do \u00e1lbum ao apresentar um rosto ind\u00edgena m\u00edstico, marcado por pinturas e olhos iluminados, emergindo das \u00e1guas. Sobre a cabe\u00e7a, uma gigantesca metr\u00f3pole cibern\u00e9tica substitui o tradicional cocar de penas, com arranha-c\u00e9us que se fundem a uma est\u00e9tica futurista e sombria, dominada pelas m\u00e1quinas. Que ideia fant\u00e1stica! A imagem funciona como representa\u00e7\u00e3o do confronto entre a expans\u00e3o urbana e tecnol\u00f3gica e a ancestralidade amaz\u00f4nica, mas tamb\u00e9m sugere que o esp\u00edrito origin\u00e1rio permanece presente, sustentando essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos sonoros, o disco reproduz esse conflito por meio de contrastes. Os vocais limpos de <strong>Bianca<\/strong> <strong>Palheta<\/strong> e os guturais de <strong>Amanda<\/strong> <strong>Alencar<\/strong> estabelecem uma oposi\u00e7\u00e3o que dialoga diretamente com o conceito central do \u00e1lbum. <strong>Amanda<\/strong> tamb\u00e9m acrescenta o violoencelo \u00e0 sonoridade da banda, enquanto as guitarras de <strong>Saulo<\/strong> <strong>Caraveo<\/strong> despejam riffs pesados e precisos, sustentados pelo baixo de <strong>Naoto<\/strong> <strong>Shibata<\/strong> e pela bateria de <strong>Michel<\/strong> <strong>Machado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 um trabalho mais maduro e agressivo, mas que preserva os elementos que ajudaram a construir a identidade do <strong>Rhegia<\/strong>. A influ\u00eancia amaz\u00f4nica est\u00e1 incorporada \u00e0 pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum e serve como ponto de partida para discutir uma quest\u00e3o cada vez mais presente no mundo contempor\u00e2neo \u2014 at\u00e9 onde o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico pode avan\u00e7ar sem romper definitivamente com aquilo que nos conecta \u00e0 natureza e \u00e0 nossa pr\u00f3pria origem?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"ARTIFICIAL LIGHTS - RHEGIA\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sjbFZrOujgo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O disco abre com a intro <strong><em>\u201cVoice of Time\u201d<\/em><\/strong>, que soa basicamente como se fosse uma abertura de um filme, com <strong>Amanda <\/strong>criando lind\u00edssimas linhas de violoencelo em meio a pianos e uma pegada mais moderna, al\u00e9m de uma introdu\u00e7\u00e3o de <strong>Bianca <\/strong>ao conceito do disco, em meio a sons da natureza. <strong><em>\u201cThe Mirror of Light\u201d<\/em><\/strong> vem na sequ\u00eancia, pesada e com riffs cortantes, trazendo a altern\u00e2ncia dos vocais limpos e guturais. As guitarras tamb\u00e9m transbordam melodia, com \u00f3timos solos, enquanto a cozinha traz trechos mais quebrados com outros mais velozes, tudo bem constru\u00eddo e servindo como um perfeito cart\u00e3o de visitas. E o disco est\u00e1 apenas come\u00e7ando&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A bem bolada <strong><em>\u201cAmazon&#8217;ias\u201d<\/em><\/strong>, cujo t\u00edtulo n\u00e3o poderia ser mais atual, une a Amaz\u00f4nia com intelig\u00eancia artificial, focando na velocidade e alternando entre trechos cadenciados, belas guitarras, bumbos duplos, refr\u00e3o grudento e vocais variados. \u00c9 a t\u00edpica m\u00fasica que empolga ao vivo, sobretudo pelas guitarras inspiradas de <strong>Saulo<\/strong> e os vocais de <strong>Bianca <\/strong>e <strong>Amanda. <\/strong>Muito bom! Na sequ\u00eancia, <strong><em>\u201cArtificial Lights\u201d <\/em><\/strong>tem uma pegada mais calma, com muita melodia e passagens marcantes. <strong><em>\u201cBlack Earth\u201d<\/em><\/strong> emerge como um Power Metal de respeito, onde o baixo de <strong>Naoto<\/strong> <strong>Shibata <\/strong>brilha logo de in\u00edcio. Dentre outros destaques h\u00e1 a excelente <strong><em>\u201cTwo Sides of a Life\u201d<\/em><\/strong>, faixa ac\u00fastica que transborda sentimento. A longa <strong><em>\u201cSongs of Glory\u201d<\/em><\/strong> encerra o \u00e1lbum de forma \u00e9pica: dedilhados, vocais limpos e mel\u00f3dicos (que voz tem a Bianca!), e as demais caracter\u00edsticas que fazem de <strong><em>&#8220;The Mirror of Light&#8221;<\/em><\/strong> um dos fortes candidatos a melhor \u00e1lbum de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>E o encerramento da trilogia chega acompanhado de um momento importante na trajet\u00f3ria do grupo: a participa\u00e7\u00e3o no <strong>Rock in Rio<\/strong>. O <strong>Rhegia<\/strong> sobe ao Palco Global Village no dia 5 de setembro, levando a identidade do Metal produzido no Norte do Brasil para um dos maiores eventos de m\u00fasica do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8220;The Mirror of Light&#8221; <\/em><\/strong>\u00e9 instigante, pesado e ambicioso. Mais do que olhar para o passado, o <strong>Rhegia<\/strong> utiliza a ancestralidade amaz\u00f4nica para imaginar o futuro \u2014 e, nesse processo, mostra que o Heavy Metal brasileiro possui hist\u00f3rias, s\u00edmbolos e sonoridades pr\u00f3prias capazes de dialogar com o mundo sem abrir m\u00e3o de sua identidade. Perfeito! E que o p\u00fablico do <strong>Rock in Rio <\/strong>os receba de bra\u00e7os abertos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: The Mirror of Light\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/1pgxFVno2MUpxIYF9yBrc8?si=7lW8XPXSQf-P-iKVCepKCQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rhegia_por_estacio_jr.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-41135\" srcset=\"https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rhegia_por_estacio_jr.webp 700w, https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rhegia_por_estacio_jr-300x169.webp 300w, https:\/\/heavymetalonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/rhegia_por_estacio_jr-370x208.webp 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo o Heavy Metal deixou de ser um g\u00eanero restrito \u00e0s fronteiras europeias ou norte-americanas, mas ainda \u00e9 necess\u00e1rio discutir a import\u00e2ncia de as bandas brasileiras olharem para o pr\u00f3prio quintal. 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