“C6 no Rock” faz a alegria do público saudosista com seleção poderosa de alguns dos maiores nomes nacionais do estilo na década de 1980

Em maio de 2023, o banco brasileiro C6 Bank, em parceria com a produtora Dueto Produções, realizou, em São Paulo, a primeira edição de seu evento musical, o C6 Fest, na área externa do Auditório Ibirapuera. A programação reuniu diversos nomes de destaque da música alternativa nacional e internacional e rapidamente conquistou seu espaço no calendário cultural paulistano, tornando-se uma referência dentro do circuito musical. Desde então, o festival passou a ser realizado anualmente, ampliando gradativamente seu alcance e sua proposta artística.

Porém, demonstrando que seu investimento no universo musical vai além da cena indie, as marcas presentearam o público roqueiro nos dias 22 e 23 de agosto com uma celebração dedicada a alguns dos principais nomes e trabalhos associados ao rock brasileiro dos anos 1980 no mesmo local que sedia sua já tradicional festa. Batizado de “ C6 no Rock”, o evento reuniu atrações como Plebe Rude, Paulo Ricardo, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Blitz, Ira! e Marina Lima, além de prestar homenagens a duas figuras lendárias da música brasileira — Rita Lee e Cazuza — por meio de convidados especiais, e ao Legião Urbana, com um tributo dedicado à banda.

Ao longos das duas datas, grande parte das atrações aproveitou a ocasião para executar, na íntegra ou parcialmente, trabalhos que completam 40 anos de lançamento em 2026. Dessa maneira, o C6 Rock não apenas revisitou uma das fases mais importantes da música brasileira, como também proporcionou ao público a oportunidade de reencontrar canções que atravessaram gerações. Para os admiradores daquela que muitos consideram a época de ouro do rock nacional, certamente foi um verdadeiro presente.

– C6 no Rock além da música 

De fato, o evento não se limitou a música, e contou com outras atividades que colocaram o público no clima do rock. Em diversos pontos da àrea, diversas atividades dos patrocinadores foram instaladas, além de pontos de venda de bebidas e lanches. Entre os destaque, um estande com diversos discos de vinil de variados artistas, além da instalação “Mitologia e Intuição”, criada pela artista Verena e, homenagem aos 30 anos do falecimento do artista, que destacava manuscritos, poemas e outras obras do compositor em uma espécie de telão de LED em 360º. 

  • Shows

A abertura do festival ficou a cargo da Plebe Rude, um dos nomes mais representativos do punk rock produzido em Brasília durante os anos 1980. Sob um sol forte e diante de uma pista já bastante cheia, o grupo executou as sete faixas do aclamado O Concreto Já Rachou, lançado em 1985. Com uma sonoridade que mescla passagens agressivas a elementos pop, músicas como “Brasília”, “Seu Jogo”, “Minha Renda” e “Até Quando Esperar” deram o tom do início da programação e rapidamente conquistaram o público. Além do repertório, outro ponto alto foi a evidente sintonia entre os integrantes no palco. Clemente e Philippe Seabra conversaram bastante com a plateia, fizeram brincadeiras e contribuíram para criar uma atmosfera descontraída, sem comprometer a força da apresentação.

Na sequência, Paulo Ricardo e sua banda de apoio surgiram no palco para conduzir o público em uma verdadeira viagem nostálgica a 1986, executando o clássico Rádio Pirata Ao Vivo. Ao longo do set, sucessos como “Revoluções por Minuto”, “Alvorada Voraz”, “Estação do Inferno” e “Naja” evidenciaram a combinação entre rock, elementos eletrônicos e refrões marcantes, fazendo com que a plateia acompanhasse praticamente todo o repertório em alto e bom som. Foi, até então, o momento de maior mobilização do público.

Aos 63 anos, Paulo Ricardo mostrou que continua em excelente forma no palco. O cantor percorreu o cenário, interagiu constantemente com os fãs e executou as linhas de contrabaixo com grande precisão, demonstrando uma energia impressionante para conduzir o espetáculo. Seus músicos de apoio também merecem destaque pela competência ao reproduzir os arranjos das gravações originais.

Fugindo um pouco do roteiro mais previsível para os fãs, o artista ainda prestou uma homenagem a Renato Russo com “A Cruz e a Espada”, além de incluir no repertório versões de “London, London”, de Caetano Veloso, e “Flores Astrais”, dos Secos & Molhados. Para encerrar a apresentação em grande estilo, vieram os clássicos “Olhar 43” e “Rádio Pirata”, que levaram a plateia à loucura. Sem dúvida, Paulo Ricardo mostrou que permanece um artista completo, carismático e plenamente capaz de entregar um espetáculo marcante.

Ao término da mistura de pop rock e elementos eletrônicos apresentada por Paulo Ricardo, foi a vez de o público, que já lotava o espaço, ser conduzido a uma viagem por uma das facetas mais cruas e agressivas do rock nacional. Nada menos do que os Titãs subiram ao palco para apresentar Cabeça Dinossauro, um dos trabalhos mais pesados e contundentes da trajetória do grupo paulistano. A apresentação começou com a exibição de um documento de censura referente à música “Bichos Escrotos”, produzido durante o período da ditadura militar e retirado diretamente dos arquivos do Departamento de Censura de Diversões Públicas (DCDP) da Polícia Federal, órgão responsável pelo controle das produções artísticas durante o regime.

Em seguida, o álbum foi executado na íntegra e respeitando a mesma ordem das faixas do trabalho original. Músicas como “Polícia”, “Igreja” e “Porrada” evidenciaram a forte influência punk presente no disco, enquanto “Família” e “Homem-Primata” apresentaram uma faceta mais acessível e próxima do pop. Um dos elementos mais interessantes da performance foi a dinâmica entre os integrantes: a cada música, os vocalistas alternavam suas posições no palco e assumiam os vocais, criando uma apresentação bastante movimentada e evitando que o formato de execução integral do álbum se tornasse estático.

Já com a noite tomando conta da cidade e deixando um pouco de lado a sonoridade mais pesada, foi a vez de Os Paralamas do Sucesso subirem ao palco para celebrar os 40 anos de Selvagem?. Lançado em 1986, o álbum se destaca justamente pela combinação bastante particular de diferentes referências, transitando por elementos de MPB, reggae, pop e música eletrônica. Assim como os Titãs, o trio executou o trabalho na íntegra, proporcionando ao público o contato com faixas que raramente aparecem nos repertórios atuais da banda, como “Terrã”, “Melô do Marinheiro” e “Marujo Dub”, além das releituras de “Gostava Tanto de Você”, de Tim Maia, e “A Novidade”, de Gilberto Gil, e do clássico “Alagados”.

A apresentação também foi a primeira da noite a explorar de maneira mais ampla todo o potencial da estrutura do auditório. Imagens da trajetória dos Paralamas ao longo de quatro décadas foram projetadas nas paredes do local, criando um interessante diálogo entre a performance atual e a extensa história do grupo. Depois de revisitar Selvagem?, a banda presenteou a plateia com uma seleção de grandes sucessos, incluindo “Uma Brasileira”, “Lourinha Bombril”, “Óculos” e “Meu Erro”. As canções fizeram o público cantar e dançar intensamente e transformaram o espaço em uma grande celebração. Certamente, foi uma das apresentações mais enérgicas e carismáticas de todo o dia.

Quer saber como foi o segundo dia do C6 no Rock? Em breve, resenha aqui no Heavy Metal On Line!

Fotos de Belmilson Santos (credenciado pelo site Scream & Yell)