Nota: 8
Quase dois anos após o lançamento de “One Assassination Under God – Chapter 1” (2024), sua aguardada continuação chegou ao mercado em agosto desse ano e já aterrizou no Brasil através da Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Records.
“One Assassination Under God – Chapter 2” (2026), como era esperado, dá sim sequência em muitos aspectos do disco anterior, afinal, ambos foram gravados na mesma época, foram produzidos pela mesma dupla Marilyn Manson/Tyler Bates e têm a mesma sonoridade industrial/alternative rock. Mas importante: não são discos iguais, são discos complementares.

Enquanto o capítulo 1 é um relato de ressurreição após (mais) um período pra lá de conturbado em sua vida pessoal, com toda cobertura midiática que Marilyn Manson condena, mas que também sabe usar muito bem para se promover, o capítulo 2 é uma declaração de guerra: “Usei cada pedra que atiraram em mim para afiar minhas arestas. Superei o purgatório e gravei estas canções na pele do mundo. Ao ouvir, espero que isso deixe uma cicatriz que você não consiga esquecer”. É nesse tom que o disco segue, de ponta a ponta.
Não há nomes mencionados, claro, isso lhe causaria mais problemas ainda, mas com certeza essas pessoas sabem quem são e devo dizer: ele não parece nada disposto a perdoar, muito pelo contrário. O recado é dado através de frases como “Burn you like a church”, “I´ve got heaven on my mind/ I´ve got hell on my heart” e “When I rise / You´re gonna learn”.

Foto: Gretchen Lanham
A produção do disco é extremamente polida, quase gélida, mas as guitarras distorcidas estão lá, ao fundo, marcando sua presença, mas sem agredir. E em um disco baseado na vingança, poderia essa ter sido uma opção mais valorizada. Talvez por isso eu tenha acho o disco anterior, de forma geral, mais pesado e esse, mais melancólico.
“One Assassination Under God – Chapter 2” (2026) traz momentos muito bons, como na sombria “Don’t Answer The Door”, onde Manson, logo ele, fala sobre se afastar de más companhias; “Front Toward Enemy”, envolta em um clima bem intimidador, é a música mais pesada do disco turbinada por vocais rosnando com vontade “Get up and fight”; “All The Vilest Things”, entre teclados, distorções e até um curto solo, nos lembra que o que não te mata, te deixa mais forte; “None Of The Suns”, minha favorita, é um post-punk dançante, swingado, com uma levada irresistível, enquanto “Exit Wound” é a faixa industrial do disco, do som ao visual do videoclipe.
Raiva, rancor, revanche, declaração de guerra e “One Assassination Under God – Chapter 2” (2026) termina, quem diria, falando de amor: “Enantiomorph”, foi considerada pelo próprio Manson como a “primeira música de verdade sobre amor que escrevi”.
O encarte, com cada música simulando ser um versículo da bíblia, ficou mais interessante do que o anterior, que remetia a notícias de um jornal sensacionalista. Outro ponto legal sobre a arte dos discos, é que todas as pinturas criadas para retratar cada música e um faixa a faixa narrado pelo próprio Manson foram disponibilizados aqui (é preciso assumir ter mais de 16 anos) https://oaug.marilynmanson.com/
Ao que tudo indica, é pouco provável que tenhamos um capítulo 3, então, o trocadilho feito em cima de “One Nation Under God” deve mesmo terminar por aqui, o que não significa dizer que em breve Marilyn Manson não voltará aos holofotes de uma sociedade do espetáculo como a dos EUA, onde será, mais uma vez, julgado com toda pompa que televisão e redes sociais gostam, mas isso já é papo para seu próximo disco.
Formação:
Marilyn Manson: vocais
Tyler Bates: guitarra, baixo, teclados, guitarra-violino
Gil Sharone: bateria
Faixas:
01 Unalive
02 Don’t Answer The Door
03 Front Toward Enemy
04 All The Vilest Things
05 None Of The Suns
06 Lucifer’s Teardrop
07 The Arsonist
08 Exit Wound
09 Enantiomorph
