Em estreia no Brasil, Six Feet Under conquista público em BH!

Em estreia no Brasil, Six Feet Under conquista público em BH!

Dentre a grande sequência de shows que Belo Horizonte tem recebido em 2026, um deles era muito esperado e tinha, digamos, um “gostinho especial”: estamos falando da passagem do Six Feet Under pelo Brasil!

E todo esse alarde não surgiu por acaso, já que a Latin American Tour 2026 marcou nada menos que a primeira passagem da banda pelo Brasil, após mais de três décadas de sua fundação. Soma-se a isso a oportunidade de ver ao vivo ninguém menos que Chris Barnes (vocal), aos 59 anos, em cima do palco.

Vale lembrar que Chris foi o vocalista original do Cannibal Corpse entre 1988 e 1995 e participou da gravação de quatro trabalhos de estúdio com a banda, consolidando-se como uma das principais figuras do Metal extremo mundial.

Já com o Six Feet Under, banda da qual é fundador, são 33 anos de história e diversos registros em estúdio.

O grupo se apresentou, além de BH, nas cidades de Limeira, São Paulo (capital) e Curitiba, nessa ordem. A banda Chaos Synopsis, nome respeitado no underground brasileiro, acompanhou o Six Feet Under como banda de abertura em todas essas datas.

Uma estreia para ficar na memória!

Pouco a pouco, os integrantes foram adentrando o palco, até que a entrada de Chris Barnes, acompanhada pelos riffs pesados da clássica ‘War Is Coming’, desse oficialmente o pontapé inicial àquilo que se tornaria um show digno de boas lembranças para os headbangers mineiros.

O Death Metal denso executado pela banda ganhou força no palco do Mister Rock e fez o público vibrar ao longo de faixas tradicionais como ‘Silent Violence’ e ‘Lycanthropy’, logo no início da apresentação. Ao que consta, o set executado em MG foi o mesmo das outras cidades brasileiras e também nos shows pela América do Sul.

Marco Pitruzzella (bateria), Jeff Hughell (baixo), Ray Suhy (guitarra) e Jack Owen (guitarra) entregaram ao vivo toda a potência das gravações de estúdio, mantendo as distorções de baixa afinação e todo o entrosamento de uma formação composta por nomes experientes do Death Metal mundial.

Falando em experiência, os holofotes principais não estavam voltados apenas para Chris Barnes, dividindo espaço também com o ovacionado guitarrista Jack Owen. O músico é mundialmente conhecido por sua trajetória como um dos fundadores do Cannibal Corpse e carrega no currículo uma passagem pelo Deicide. Aos 58 anos, Jack já não possui o vigor de antes e é mais discreto em termos de presença de palco. Entretanto, continua despejando peso, feeling e a técnica que ajudam a moldar o som do Six Feet Under até os dias atuais.

Aos 59 anos, Chris Barnes continua a impressionar com sua potência vocal

O alto nível seguiu com um setlist que priorizou os primórdios da banda, relembrando os discos “Haunted” (1995) e “Warpath” (1997), mas também contemplou diferentes fases de sua trajetória, como na marcante ‘Seed of Filth’, de “Death Rituals” (2008), por exemplo. A faixa ‘Mister Blood and Guts’ foi a única do setlist a representar o recente disco “Next to Die”, lançado neste ano.

Em meio às diversas fases contempladas no repertório, Chris Barnes parece ser musicalmente o mesmo de décadas atrás. Sua voz e seu timbre soam praticamente inalterados com o passar dos anos. Com uma presença de palco cadenciada, o frontman carrega com facilidade a alcunha de figura principal da banda.

Nem mesmo sua aparência de poucos amigos e sua forte personalidade parecem impedir que Chris continue sendo a grande razão de ser do Six Feet Under na percepção dos fãs. Falando em fãs, há quem concluiu que a apresentação tenha sido curta demais, já que o show teve um pouco mais de 1 hora de duração.

Foram 33 anos de espera até a estreia do Six Feet Under em terras brasileiras. Sendo assim, é fácil concluir que quem esteve presente no Mister Rock, em 30/10, foi testemunha de um acontecimento marcante e, por que não, histórico nas últimas décadas da música pesada por aqui. Vale ressaltar que o Six Feet Under já teve shows anunciados no Brasil em anos anteriores, mas que acabaram cancelados em mais de uma oportunidade.

Ciente da responsabilidade que acompanhava essa estreia, a banda liderada por Chris Barnes não decepcionou. Mais do que revisitar uma trajetória de 33 anos, mostrou que sua relevância no cenário extremo mundial não foi construída por acaso. Para os fãs mineiros, ficou a satisfação de finalmente conferir de perto um dos nomes que ajudam a escrever a história do Death Metal mundial!

Texto: Reynaldo Trombini
Fotos: Luiz Figueiredo