Nota: 8
2026: a tecnologia da IA já se tornou uma realidade que avança a um ritmo que nem mesmos as empresas desenvolvedoras sabem para onde ela vai. Crenças religiosas estão tomando cada vez mais o caminho do fanatismo e sendo usadas como prerrogativa até para ações violentas. O êxodo diário de pessoas fugindo de guerras e da invasão de seus próprios países, ou ao que um dia era seu país por direito, alimenta conflitos étnicos e gera xenofobia daqueles que fogem.
Alguns desses problemas são velhos conhecidos, seculares até, e é pra cima deles que o Paura mira em seu novo disco, “Primitive Chaos” (2026), seu nono álbum de estúdio.

Formado em 1995 em São Paulo, já se vão aí mais de trinta anos de estrada, com lançamentos frequentes, muitos shows e mantendo uma postura coerente entre discurso e prática – uma bagagem invejável para qualquer banda. Não foi por acaso que o Paura se tornou um dos grupos mais respeitados do nosso underground.
“Primitive Chaos” (2026) é um disco mais direto ainda que o anterior, “Karmic Punishment” (2023): apesar de terem quase o mesmo número de faixas, o atual é quase quinze minutos mais curto, mas nem por isso menos intenso. O peso do metal continua presente com alguns riffs de guitarra típicos do thrash metal, mais a levada do hardcore, que é o cerne do grupo. A faixa título e “Who’s The Brave” por exemplo, tomam o caminho do hardcore típico, “Sarcastic Sadistic” traz bumbos duplos dando ainda mais peso ao som do grupo; “King Of Yourself” e “Death Trap” é metalcore com quebradas de tempo na medida para bater pescoço.
“Primitive Chaos” (2026) também vai fundo em conflitos gerados por relações pessoais e deixa no ar a questão: apesar de muito progresso, estamos condenados a repetir os mesmos erros do passado indefinidamente? Será que nunca vamos conseguir evoluir como uma sociedade justa e humanitária?

Gravado e mixado por Thiago Bezerra no Madness Music Studio (SP), “Primitive Chaos” (2026) apresenta também dois novos membros do Paura: Thiago Bezerra assumiu o baixo no lugar de Paulo Demutti e Ramon Mantuan, que havia tirados as fotos para o disco anterior, fez um ótimo trabalho com as baquetas, no lugar de Felippe Max.
O disco chega também na sua versão física, um lançamento da Spider Merch em parceria com outros selos do underground brasileiro e até uruguaio.
Formação:
Fábio Prandini: vocais
Rogério Rodontaro: guitarra
Bira Pironi: guitarra
Thiago Bezerra: baixo
Ramon Mantuan: bateria
Faixas:
01 Murder With A Message (intro)
02 Primitive Chaos
03 The Deepest Evil
04 Sarcastic Sadistic
05 Master Your Hate
06 King Of Yourself
07 Who’s The Brave
08 Purity In Heresy
09 Death Trap
10 Serpent’s Nest
11 Immigrants Are Beautiful
12 Their History Still Bleeds
