EP de estreia do Isegrim chega ao Brasil com faixas bônus e com black metal frio, brutal e acelerado

Nota: 7

A bonita capa do EP “Isegrim”, mérito de Michael Schindler (autor de dezenas de capas de bandas undergrounds extremas, RIP 2016), de um roxo profundo e fúnebre, aliado ao grande símbolo prateado cheio de pontas e símbolos, já passavam a impressão de que tinha em mãos um disco de black metal. E assim que os alto-falantes começaram a cuspir parte da sua fúria, veio a certeza: era mesmo um disco de black metal.

O EP foi lançado em 1998, mas como para mim até então a banda era desconhecida, fui atrás de informações e a primeira foi que, o nome escolhido para batizar banda e EP, seria uma referência a um lobo, personagem de antigas fábulas europeias medievais, que aparece, por exemplo, na história de “Reinaldo, a Raposa”. Daí também surgiu algo bem estranho: Isegrim é hoje também o nome de uma marca de comida natural para cães…

Mas o melhor estava por vir: houve dois Isegrim registrados na Alemanha, formados em cidades diferentes, a uma distância de apenas setenta quilômetros uma da outra. E sabe por que um deles mudou de nome? Por que seus membros teriam recebido algum aviso legal? Não, isso não é nada black metal. O que eles receberam foram ameaças de morte por usar esse nome.

O autor desse “recado” foi A. Blackwar (Sven Meesters), que fundou o Isegrim “verdadeiro” em 1998 como um projeto totalmente seu, em paralelo ao Mystic Circle, onde lá assume o codinome de Aaarrrgon. Para o debut, ele foi o faz-de-tudo: escreveu todas as letras, cantou, tocou todos os instrumentos e ainda participou da produção.

Divulgação: Shinigami Records

Agora em 2026, marcando o retorno da banda depois de uma parada iniciada em 2001, o EP chega ao Brasil pela parceria da Shinigami Records com a Fireflash Records em uma versão remasterizada e contendo ainda três das quatro faixas do outro EP lançado pelo grupo, “Gloria Deo, Domino Inferi” (2001).  Dá para dizer que a primeira metade do CD, “Isegrim” (1998), era mais black metal old school: frio, brutal, acelerado e ainda com faixas longas. A segunda metade, “Gloria Deo, Domino Inferi” (2001), tem menos faixas, é verdade, e traz faixas igualmente pesadas, porém mais cadenciadas e curtas, a meu ver, mais interessantes. Seria pela influência de agora ser uma banda, com influências e opiniões diferentes, e não mais um projeto solo?

Há momentos muito bons em ambos os EPs, apesar de hoje em dia esse tipo de som não soar tão inovador assim, mas devemos nos atentar a época do seu lançamento: “Diabolical Witchcraft” tem um tom meio épico; “Seven Legions” traz um trecho mais variado amparado por bumbos duplos e a boa versão de “Bestial Invasion”, cover do Destruction, foi uma feliz escolha que acabou caindo bem com a proposta sonora do Isegrim.

O encarte da versão brasileira traz apenas uma foto de A. Blackwar (parece que o sujeito não é muito chegado em exposição), duas fotos sinistras no melhor estilo preto e branco e alguns desenhos, mas senti falta mesmo foram das letras, elas seriam um bom complemento que valorizaria ainda mais esse relançamento. Aos fãs, uma outra boa notícia: a Shinigami Records também está comercializando camisetas oficiais da banda e kits, que incluem camiseta + CD.

Formação:

A. Blackwar: vocais e todos os instrumentos

Faixas:

01 In Domine (intro)

02 Diabolical Witchcraft

03 Rape Jesus Christ                          

04 Seven Legions

05 Hear The Screams Of Hell

06 Ave Luciferi (bonus track, intro)

07 Hail Emperor Caesar (bonus track)

08 Bestial Invasion (bonus track, Destruction cover)