Certamente, 2026 foi um ano especial para os fãs do Angra, um dos maiores nomes do heavy metal brasileiro. Em abril, o grupo anunciou o fim de seu hiato, com o vocalista Alírio Netto assumindo o posto que anteriormente pertencia ao cantor italiano Fabio Lione. Neste mesmo período, a banda realizou dois shows de grande importância: apresentação headliner do festival Bangers Open Air e um sideshow com ingressos esgotados no Espaço Unimed, uma das principais casas de espetáculo da capital paulista. As apresentações marcaram o reencontro, pela primeira vez, dos músicos da formação da era Rebirth, Edu Falaschi e Kiko Loureiro, em celebração aos 25 anos do álbum.
Quando parecia que a banda já havia proporcionado emoções suficientes aos seus fiéis seguidores, o Angra decidiu oferecer mais uma dose de nostalgia. Nos dias 2 e 3 de outubro, o grupo realizou dois shows especiais no Tokio Marine Hall. A primeira apresentação celebrou os 30 anos de Holy Land e contou com a participação do baixista Luis Mariutti. Na noite seguinte, novamente em homenagem ao importante álbum Rebirth, recebendo Edu Falaschi como convidado especial. Representantes do site Heavy Metal Online tiveram o privilégio de acompanhar ambas as apresentações.
- Experiência geral e shows
Para completar a festa, na sexta-feira, dois nomes de peso — um clássico do metal brasileiro e uma revelação da cena contemporânea — foram convidados para integrar a programação, elevando ainda mais o clima de celebração da noite.
A primeira banda a subir ao palco foi o Throw Me To The Wolves. Formado em 2023, o grupo já conquistou espaço no cenário headbanger paulistano, especialmente por ter dividido o palco com nomes de peso como Possessed, In Flames e Exodus, entre outros. Outra curiosidade é que o conjunto acompanhou o Angra nos últimos meses em outras apresentações especiais em comemoração aos 30 anos de Holy Land.
Musicalmente, o grupo passa longe da sonoridade da atração principal, apostando em uma abordagem mais próxima do metalcore. Ainda assim, faixas como “Chaos”, “Tartarus” e “Fragments”, todas presentes no álbum Days of Retribution, foram recebidas com atenção pelo público. O quinteto também aproveitou a ocasião para apresentar “Angels Fall”, música inédita que provavelmente estará presente em seu próximo álbum de estúdio. A nova composição mantém as principais características apresentadas no trabalho anterior, indicando que a banda não pretende se afastar dessa direção sonora tão cedo.
Outro ponto positivo da apresentação foi o cuidado com a parte visual. Os efeitos exibidos nos telões de LED, acompanhados por artes chamativas, contribuíram para valorizar o espetáculo e proporcionaram uma experiência mais completa ao público.
Na sequência, foi a vez do Viper — nada menos que a primeira banda do saudoso “maestro do metal” André Matos, primeiro vocalista do Angra. Em um set enxuto, composto por apenas oito músicas, o grupo decidiu apostar em clássicos, revisitando alguns dos maiores hinos de Soldiers of Sunrise, Theatre of Fate e Evolution. Entre os destaques estiveram “A Cry from the Edge”, “To Live Again” e “Rebel Maniac”.
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante “The Spreading Soul”, quando imagens de André Matos e Pit Passarell, ambos já falecidos, foram exibidas no telão. A homenagem conferiu um peso ainda maior à execução da música e reforçou a importância dos dois músicos para a história do Viper e do metal brasileiro.

Na reta final da apresentação, o grupo anunciou o lançamento de um novo álbum ao vivo, intitulado Forty Live. A novidade reforça que o Viper atual está longe de ser apenas uma banda dedicada a revisitar o próprio passado: o conjunto permanece extremamente energético e capaz de reproduzir seus clássicos com vigor.
Leandro Caçoilo demonstrou por que é considerado um frontman ideal para a formação. Sua interpretação preserva elementos característicos da técnica vocal do saudoso André Matos, mas está longe de soar como uma simples imitação. O cantor imprime personalidade própria às composições e consegue, ao mesmo tempo, respeitar a identidade original das músicas. No baixo, Daniel Matos combinou competência técnica com bastante carisma, conquistando o público também por sua importante contribuição nos backing vocals. Já Guilherme Martin elevou ainda mais o peso das canções com uma performance intensa e vigorosa, conferindo força adicional às composições originalmente gravadas no final da década de 1980. Certamente, um nome que mantém seu legado vivo, mas que possui enorme potencial no presente.

Então, subiram ao palco Alírio Netto (vocais), Rafael Bittencourt (guitarra e vocais de apoio), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria), com a missão de celebrar os 30 anos de Holy Land, além de revisitar outros clássicos do importante catálogo do Angra. Diferentemente do que alguns poderiam esperar, o repertório não seguiu a ordem cronológica do álbum. A banda abriu a apresentação com “Carry On”, seu maior sucesso, presente em Angels Cry (1993).

Na sequência, Felipe Andreoli surgiu sozinho no palcoexecutando uma introdução em tapping, antes de Alírio se juntar a ele para iniciar “Tide of Changes — Part I” e “Tide of Changes — Part II”. A dobradinha serviu como uma breve retrospectiva de Cycles of Pain (2023), o mais recente álbum de estúdio do grupo, ainda com Fabio Lione. Ao término das duas faixas, a arte de Temple of Shadows (2004) tomou conta do telão, anunciando “Waiting Silence”, um dos grandes clássicos da banda. Aqui, vale destacar o elaborado trabalho visual, que incorporou uma mensagem relacionada a conflitos religiosos.
Em seguida, Alírio permaneceu sozinho no palco e, ao piano, executou um breve trecho de “The Show Must Go On”, do Queen. Finalmente, a homenagem ao álbum que dava título à noite teve início: os demais integrantes retornaram ao palco para executar “Silence and Distance”. Logo depois, veio “Holy Land”, faixa-título do disco, acompanhada por instrumentos de matriz brasileira, como berimbau e percussão, além de imagens no telão que celebravam as belezas naturais do país.

O bloco dedicado ao álbum de 1996 também contemplou faixas como “Deep Blue”, “Z.I.T.O.”, “The Shaman” e “Lullaby for Lucifer”, intercaladas com “Wuthering Heights”, “Angels and Demons” e “Rebirth”. A apresentação deixou evidente a singularidade de Holy Land: um trabalho que combina peso e dramaticidade com momentos de melancolia e uma rica utilização de elementos da música tradicional brasileira. Trata-se de uma obra ousada para sua época e que permanece única dentro da trajetória do Angra e da própria cena de música pesada brasileira.
Na reta final, chegou um dos momentos mais aguardados pelos fãs: a participação de Luis Mariutti. O baixista assumiu o instrumento em “Nothing to Say”, “Make Believe” e “Carolina IV”, encerrando a revisão dedicada a Holy Land. Para o público, foi um verdadeiro presente poder testemunhar novamente no palco o músico responsável pelas linhas de baixo que marcam o trabalho. Para encerrar a noite, veio “Nova Era”, de Rebirth, quase como uma prévia do que os fãs poderiam esperar da apresentação do dia seguinte.

Assim, o Angra entregou uma homenagem à altura de Holy Land. A banda não impressionou apenas pela execução cuidadosa das composições e pela participação especial de Mariutti, mas também pelo esmero na construção do espetáculo. Os efeitos visuais, as imagens exibidas nos telões e os diferentes elementos dialogaram diretamente com a atmosfera do álbum, enriquecendo a experiência sem ofuscar a música. No fim, a apresentação reforçou o cuidado do conjunto em revisitar sua própria história com respeito aos trabalhos originais e, ao mesmo tempo, oferecer aos fãs uma experiência grandiosa.
Em breve, resenha da segunda noite aqui no Heavy Metal Online!
Fotos: Rodrigo Neves


























































Angra
- Carry On
- Tide of Changes — Part I
- Tide of Changes — Part II
- Waiting Silence
- Silence and Distance
- Holy Land
- Angels and Demons
- Deep Blue
- Wuthering Heights
- Z.I.T.O.
- Stand Away
- The Shaman
- Lullaby for Lucifer
- Rebirth
- Nothing to Say
- Make Believe
- Carolina IV
- Nova Era
Viper
- Soldiers of Sunrise
- Prelude to Oblivion
- Rebel Maniac
- A Cry from the Edge
- To Live Again
- The Spreading Soul
- Under the Sun
- Living for the Night
Throw Me To The Wolves
- Chaos
- Tartarus
- Days of Retribution
- Fragments
- Angels Fall
