Com um dos melhores discos do ano, Grave Dance Company faz sua estreia em “Ruins”
Nota: 9
Pelo DNA do Grave Dance Company, um bom disco de dark/gothic rock era o mínimo esperado.
Surgido após o último show do Jack Frost, em outubro de 2023, quando o corpo do grupo austríaco nem tinha esfriado, boa parte dos seus membros se uniu a Michelle Darkness e Kirk Kerker, voz e baixo, respectivamente, do alemão End Of Green para seguir em frente, agora, com outro propósito.
Depois do lançamento independente do EP “Lon Chaney” (2025), a alemã Reaper Entertainment não perdeu tempo e trouxe o grupo para sua já ampla gama de artistas. O núcleo oriundo do Jack Frost ficou responsável pela criação das estruturas das músicas, que eram enviadas então para Michelle Darkness criar as letras e adicionar seus vocais. E é justamente ele o grande nome do disco: além das letras, responsável pela boa produção (mesmo tendo o bumbo um pouco alto demais em alguns momentos), foram seus vocais, ainda que algumas pessoas possam achá-lo um tanto afetado, como se fosse uma versão exagerada de Peter Steele (Type O Negative) ou Jyrki 69 (The 69 Eyes), o grande trunfo do Grave Dance Company ao ser capaz de transmitir sentimentos como perda, solidão, melancolia e términos de forma tão tocante e verdadeira.
O instrumental segue a linha do que o Paradise Lost e Moonspell fizeram de melhor dos anos 2000 para cá em termos de gothic rock, não doom metal, e ter três guitarristas na formação, a princípio um exagero, acabou sendo uma decisão acertada, graças as camadas criadas que ajudam a dar um ar denso nas faixas. A trinca “Wild Ones”, “Die In My Sleep” e “Lon Chaney” (baseada no ator Lon Chaney Jr., famoso na década de 1940/50 por participações em dezenas filmes de terror, mas derrotado pelo alcoolismo), por si só, já valeriam o disco, mas há mais. Com muito peso, “The Devil’s Hour” contrasta com a melancolia de “Give Myself Away”, “These Are The Ruins” e “Where Are You Now”. “The Loneliest Place” ganha destaque graças ao som cortante de guitarra ao fundo e ainda, pela escolha arriscada, mas que se mostrou muito acertada para o perfil do Grave Dance Company, de recriar “New Dawn Fades”, uma das faixas mais conhecidas do Joy Division.
Eu até poderia continuar escrevendo mais sobre as virtudes desse disco, mas a descrição da própria banda diz mais do que poderia colocar aqui: “Grave Dance Company é para aqueles que sabem que, às vezes, a música é o último lugar que resta onde se pode ficar”.
Com esse time e toda essa experiência de décadas, minhas expectativas em torno de “Ruins” (2026) era altas, mas posso dizer tranquilamente que o disco é melhor do que esperava e que, para mim, se tornou um dos grandes lançamentos desse ano.
“Ruins” (2026) está disponível no Brasil em CD pela Shinigami Records e outra boa notícia no ar: em entrevista, o guitarrista Mournful Morales já avisou que o grupo está trabalhando em músicas para um segundo álbum e que datas de shows serão divulgadas em breve.
Formação:
Michelle Darkness: vocais
Kirk Kerker: baixo
Hell Baker: guitarra
Mournful Morales: guitarra
Gary Gloom: guitarra
Collossos Rossos: bateria
Faixas:
01 Wild Ones
02 Die In My Sleep
03 Lon Chaney
04 The Devil’s Hour
05 Give Myself Away
06 These Are The Ruins
07 The Loneliest Place
08 New Dawn Fades (Joy Division cover)
09 Where Are You Now
