Iron Maiden: em qual patamar se enquadra ‘The Book Of Souls’?

By: Vitor Rodrigues

Fazia um bom tempo que nada me empolgava no Iron Maiden, uma das maiores instituições do heavy metal, mas como fã não pude ficar incólume diante do lançamento de seu mais recente disco, The Book Of Souls.

Clássico após clássico a banda forjava seu nome no panteão dos deuses da música pesada até a saída de Adrian Smith após o 7th Son Of A 7th Son. A partir daí veio o ótimo No Prayer for the Dying seguido do multi platinado Fear of the Dark que tem boas músicas, mas que não chega ao nível dos álbuns anteriores. Muitos poderão até discordar mas é apenas a minha opinião, e ela se define pelo que sinto quando ouço um disco.

Após o anúncio da saída de Bruce Dickinson e toda aquela agitação pra escolher Blaze Bailey, uma nova fase surgiu. E mesmo na volta de Dickinson e Adrian Smith, e na permanência de Janick Gers formando um trio de guitarras com Dave Murray, o Iron Maiden alternou altos e baixos.

Com o lançamento de seu 16o. disco a Donzela de Ferro retorna triunfal esbanjando ótimas composições e energia, e mesmo com faixas que ultrapassam 13 minutos há uma estrutura que não deixa a música se tornar maçante. The Book Of Souls não chega perto dos maiores clássicos da banda, mas pelo menos colocou uma meia dúzia dos outros discos no bolso. Mas vamos ao que interessa.

Capa do novo disco, 'The Book of Souls

Capa do novo disco, ‘The Book of Souls

O disco abre com If Eternity Should Fail que começa com uma belíssima introdução vocal de Bruce Dickinson e ao longo dela percebemos um caráter épico em sua estrutura. Speed of Light tem um início meio hard rock com Nicko McBrain tocando cowbell. Ela é bem empolgante e foi escolhida para ser o video clipe da banda. Já The Great Unknown reserva um pouco dramática com um final inusitado, e serve de entrada para The Red and The Black que me lembrou rapidamente o andamento da Alexander The Great e coros no melhor estilo da Heaven Can Wait, ambas do Somewhere in Time. Muito bom!

When the River Runs Deep tem um riff muito bacana e se tocada ao vivo será um ponto alto no show. A faixa título do álbum começa com um lindo dedilhado, e também tem um andamento mais cadenciado e épico até os 5:50 min. A parte que entra após isso é puro Powerslave, mais precisamente a instrumental Losfer Words. Sensacional!

A faixa Death Or Glory vem logo em seguida para atestar definitivamente uma máxima: como é bom ouvir Steve Harris dedilhando seu baixo ao invés de ficar jogando notas. Metal puro! E para mim, a melhor do disco.

Shadows Of The Valley é uma típica composição de Gers e Harris, apenas isso. Tears Of Clown foi inspirada no ator Robin Willians e é uma música potente, cadenciada e com um refrão forte. The Man Of Sorrows começa meio balada mas muda seu curso ao longo da faixa, ora sombria, ora cadenciada, e finaliza com um dedilhado de baixo ao fundo.

E finalizando o álbum, Empire Of The Clouds. Dezoito minutos que mostram a faceta metal progressivo do Iron Maiden e onde Bruce atinge o grau máximo de interpretação, e o apresenta pela primeira vez tocando piano.

E a conclusão que chego é que o talento inegável dessa banda continua a nos surpreender… up the fucking irons!

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