Orbit Culture carrega orgulhoso a bandeira do metal moderno no bom “Death Above Life”

Resenha por Mário Pescada

Nota: 8

Imagine que você nasceu em uma pequena cidade sueca, mais precisamente na rural Eksjö (pequena mesmo, lá residem apenas dez mil pessoas), rodeada por densas florestas, o pouco sol que faz durante o ano é encoberto pela névoa e faz um frio de rachar. Você então decide formar sua banda de metal, mas, ao invés de usar esse cenário considerado ideal por nove entre dez bandas de black metal, opta por seguir outra vertente, a do “metal moderno”.

Pronto. Foi só ler “metal moderno” que alguns já largaram a resenha de lado, já que o termo ainda provoca calafrios em boa parte do público de metal. Para quem ficou, seja porque gosta do estilo ou por curiosidade mesmo, saiba que “Death Above Life” (2025), novo disco do Orbit Culture, coloca a banda entre as principais figuras desse segmento, ombro a ombro.

Mais do que ser o quinto disco, “Death Above Life” (2025) simboliza mudanças. “Ele desperta muitas emoções boas e ruins, mas é uma grande mudança para melhor. Parece um renascimento”, segundo Niklas Karlsson, fundador e único membro original. Um renascimento “turbinado”, afinal, esse é o primeiro disco do grupo lançado pela Century Media Records, gravadora que tem dado um bom suporte ao grupo, incluindo aí cinco vídeos promocionais e apoiando uma tour de quase quarenta datas pelos EUA onde o grupo é a atração principal.

Fãs de Eminence, Gojira, Static-X, Lamb Of God e Slipknot (o Orbit Culture foi a banda de abertura deles em 2024 e com certeza aprendeu muito com o grupo de Corey Taylor como é que funciona o show business em torno de uma grande banda) irão encontrar fortes influências de death metal melódico, herança recebida das dezenas de boas bandas das vizinhas Gotemburgo e Estocolmo, cidades referências no assunto.

Com muito peso, groove, mais um ar sombrio que permeia boa parte do disco, as dez faixas de “Death Above Life” (2025) abordam temas muito pessoais a Nikla, autor de todas as letras e músicas. Dá para sentir que temos uma banda coesa e consciente do que está fazendo, que entrega bons sons, como “Inferna” com seu bom riff de thrash metal, boa escolha para abrir o disco e manter o ouvinte atento; “Inside The Waves” que equilibra peso com melodia sem abrir mão da agressividade, assim como “Nerve”; “Death Above Life”, essa sim “mais moderna”, mas nem por isso menos interessante, graças a uma forte pegada industrial e “Neural Collapse”, que tem um pouco de tudo que foi apresentado antes. Todas as faixas contam com um efeito que deixou o som mais sujo, dando mais preenchimento, exceção em “The Path I Walk” que teve a ausência de guitarra, baixo e bateria, apenas alguns efeitos ao fundo e a voz limpa de Niklas, uma mostra da sua versatilidade como vocalista.

O Orbit Culture carrega orgulhoso a bandeira do metal moderno sem preocupações se isso seria o certo ou não a ser feito e pelo visto estão no caminho certo – exatamente no caminho que escolheram.

 Faixas:

01 Inferna

02 Bloodhound

03 Inside The Waves

04 The Tales Of War

05 Hydra

06 Nerve

07 Death Above Life

08 The Storm

09 Neural Collapse

10 The Path I Walk

“Death Above Life” (2025) saiu no Brasil pela Shinigami Records em uma versão de luxo em CD digifile com encarte bem-acabado, envelope e contracapa sobressalente, o que só contribuiu para valorizar ainda mais suas músicas e potencializar a bela capa criada pelo eslovaco Miroslav Pecho.

Formação:

Niklas Karlsson: vocais, guitarra

Christopher Wallerstedt: bateria

Richard Hansson: guitarra

Fredrik Lennartsson: baixo

 

Faixas:

01 Inferna

02 Bloodhound

03 Inside The Waves

04 The Tales Of War

05 Hydra

06 Nerve

07 Death Above Life

08 The Storm

09 Neural Collapse

10 The Path I Walk