No último sábado (04), o Allianz Parque — popularmente conhecido como o estádio do Palmeiras — foi palco da nona edição do festival Monsters of Rock, consagrado como um dos maiores eventos dedicados ao gênero no Brasil.
Um dos grandes destaques desta edição foi o line-up, que soube equilibrar nomes consagrados e novidades da cena. O público pôde conferir desde lendas como Guns N’ Roses, Extreme e Lynyrd Skynyrd até nomes mais recentes, como Halestorm, Jayler e Dirty Honey. Sem dúvida, foi uma celebração não apenas do legado do rock, mas também do seu presente, reforçando a importância de manter o movimento vivo. Ainda assim, chama a atenção o fato de que, mais uma vez, o evento não contou com nenhuma atração nacional em destaque.
Histórico
O Monsters of Rock é um festival lendário dentro do universo da música pesada, sendo um dos primeiros eventos de grande porte dedicados ao rock realizados em São Paulo.
Sua primeira edição aconteceu em 1994, no Estádio do Pacaembu, e apresentou um line-up que mesclava grandes nomes internacionais, como Slayer e Black Sabbath, com representantes do cenário nacional, como Viper e Angra. O sucesso foi imediato, consolidando o festival como um marco na história do rock no Brasil.
Ao longo dos anos, novas edições trouxeram headliners icônicos como Iron Maiden, Alice Cooper, Faith No More, Megadeth e Manowar, reforçando sua relevância no circuito internacional.
Após um hiato de 15 anos, o festival retornou em 2013 com um novo formato, apostando em dois dias de programação e na combinação entre bandas clássicas e contemporâneas. Apesar da boa recepção, a marca voltou a entrar em pausa a partir de 2016, deixando, ainda assim, um legado importante na cena de festivais no país.
Em 2023, o Monsters of Rock ressurgiu com força total, tendo o Allianz Parque como palco de seu retorno triunfal. Já em 2025, o local foi novamente escolhido para sediar a edição comemorativa de 30 anos desse verdadeiro ícone do rock. Alguns fãs esperavam um novo hiato em 2026, porém, felizmente, o evento teve continuidade. Há ainda rumores de que 2027 poderá contar com mais uma edição do festival.
Experiência geral e shows
Como de costume nas edições do Monsters of Rock, os arredores do Allianz Parque e da Avenida Francisco Matarazzo foram tomados por headbangers e ambulantes que vendiam produtos bootlegs das atrações presentes no line-up do festival ainda pela manhã.
Dentro do estádio, o público pôde conferir diversas ativações temáticas. Entre os destaques, estava a representação em tamanho real do “Monstro do Rock” desta edição — já apresentada previamente no show realizado na Audio — além de espaços interativos onde os fãs podiam tirar fotos caracterizados com mascotes de edições anteriores. Havia também barracas de alimentação, estandes de merchandising oficial e outras experiências que ajudavam a compor a atmosfera do evento. O festival ainda contou Walcir Chalas, dono da loja Woodstock Discos e Eddie Trunk, apresentador do programa “The Metal Show”, que serviram como mestres de cerimônia, interagindo com a galera nos intervalos.
A sessão de música ao vivo teve início com as bandas Jayler e Dirty Honey, evidenciando a força de uma nova geração do rock. O Jayler abriu os trabalhos com uma performance energética, fortemente influenciada pelo Led Zeppelin — perceptível tanto na sonoridade quanto na estética. Faixas como “Down Below”, “The Getaway” e “No Woman” trouxeram riffs marcantes e solos expressivos, além de destacarem a versatilidade do vocalista James Bartholomew, que alternou entre voz, guitarra e gaita. Momentos como “Lovemaker”, que já se mostra quase como um hit do rock moderno, e a intensa interação com o público reforçaram o carisma da banda, que equilibra nostalgia e identidade própria ao revisitar o rock dos anos 1970.

Na sequência, o Dirty Honey manteve o nível elevado com uma apresentação igualmente animada, mas com influências mais voltadas ao Aerosmith. Liderados por Marc LaBelle, que demonstrou uma presença de palco inspirada em Steven Tyler, a banda entregou um show dinâmico, alternando entre momentos mais pesados e outros mais melódicos. Músicas como “Gypsy”, “California Dreamin’” e “Rolling 7s” incendiaram o público, enquanto “Another Last Time” proporcionou um momento mais intimista, com forte participação da plateia.

Após a abertura com duas promessas da cena atual, teve início o bloco dedicado aos nomes clássicos do rock. A sequência começou com o lendário guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, reconhecido como um dos grandes do instrumento. Acompanhado por músicos extremamente competentes e tendo como pano de fundo uma imponente parede de amplificadores Marshall, o artista impressionou com execuções de “Rising Force”, “Into Valhalla”, “Relentless Fury” e “Fire and Ice”, entre outras. Seu repertório transitou entre o speed metal e passagens mais lentas com forte influência neoclássica. Além da técnica apurada, Malmsteen transformou sua performance em um verdadeiro espetáculo visual, com movimentos performáticos e interação com o instrumento. Para se aproximar do público, incluiu um cover de “Smoke on the Water”, do Deep Purple, além de um medley com trechos de “Bohemian Rhapsody”, do Queen. Ainda assim, o excesso de virtuosismo e as longas passagens instrumentais fizeram com que sua apresentação destoasse levemente de um line-up mais voltado ao rock acessível.

Na sequência, foi a vez do Halestorm subir ao palco. Apesar de estar na ativa desde 1997, a banda apresenta uma sonoridade contemporânea, que mescla elementos de metalcore, hard rock e post-grunge. Com um repertório de 13 músicas, o grupo entregou uma performance poderosa, com faixas como “I Miss the Misery”, “Love Bites (So Do I)”, “I Get Off” e “Freak Like Me” agradando tanto o público mais jovem quanto os roqueiros mais velhos. O grande destaque foi a vocalista Lzzy Hale, que impressionou com sua potência vocal e intensidade ao longo de toda a apresentação, explorando drives e agudos com facilidade. Carismática, ela interagiu constantemente com o público, demonstrando gratidão pela recepção calorosa. O baterista Arejay Hale também brilhou, com uma performance precisa e energética, tornando-se um dos pontos altos do show em diversos momentos.

Logo depois, veio a banda Extreme. Infelizmente, o início da apresentação foi prejudicado por uma breve chuva, que levou parte do público a buscar abrigo na área coberta do estádio. Felizmente, o mau tempo durou pouco, e os fãs logo retornaram, retomando a energia do evento. Conhecida popularmente pela balada “More Than Words”, o grupo mostrou que vai muito além do sucesso radiofônico dos anos 1990, entregando um som mais pesado e consistente em faixas como “It (‘s a Monster)”, “Am I Ever Gonna Change”, “Hole Hearted” e “Get the Funk Out”, marcadas por riffs cativantes, batidas intensas e solos bem trabalhados. Ainda assim, foi durante a execução do megahit que o grupo conquistou o estádio por completo, com o público cantando em uníssono e iluminando o ambiente com as lanternas dos celulares. Além da qualidade técnica, destacou-se a presença de palco teatral de Gary Cherone, sempre em movimento e interagindo com o cenário, enquanto Nuno Bettencourt demonstrou carisma ao dialogar constantemente com o público.

Indo para a reta final, Lynyrd Skynyrd, pioneiros do southern rock, assumiram o palco. A apresentação se destacou pela forte produção visual e efeitos especiais, começando com uma exibição que mesclava imagens históricas da banda com paisagens do sudeste dos Estados Unidos. No repertório, músicas como “Workin’ for MCA”, “What’s Your Name”, “I Need You” e “Saturday Night Special” evidenciaram uma sonoridade que foge do rock mais pesado, incorporando elementos de country e blues, além de uma marcante presença de backing vocals femininos. A performance foi enriquecida por iluminação poderosa, máquinas de fumaça e animações no telão de LED. Entre os momentos mais emocionantes, destacou-se “Tuesday’s Gone”, dedicada ao falecido guitarrista Gary Rossington, com imagens exibidas durante a execução. Já em “Simple Man”, o público criou um cenário de beleza ímpar ao acender as lanternas dos celulares. No entanto, foram “Sweet Home Alabama” e “Free Bird” que levaram a plateia ao auge, com todos cantando em uníssono. Foi marcante ver pessoas de diferentes gerações se entregando à apresentação de uma banda com mais de 50 anos de carreira, reforçando que o bom rock permanece atemporal.

Após mais de 10 horas de rock no Allianz Parque, coube ao Guns N’ Roses — os verdadeiros donos da festa — encerrar a noite. Vale lembrar que a banda já havia se apresentado no mesmo local em novembro do ano passado, mas isso não diminuiu a expectativa do público. O grupo abriu o show com o clássico “Welcome to the Jungle” e engatou uma sequência poderosa com “Slither” (cover do Velvet Revolver), “It’s So Easy”, uma releitura mais pesada de “Live and Let Die”, do Wings, e “Mr. Brownstone”. Em seguida, surpreenderam ao incluir faixas menos frequentes no repertório, como “Perhaps”, “Rocket Queen” (estreando no set da turnê), “Atlas” e “Bad Apples”, que não era tocada desde 1991. O set ainda contou com um cover já incorporado ao estilo da banda, “Knockin’ on Heaven’s Door” (Bob Dylan), além de surpresas como “New Rose” (The Damned), com Duff nos vocais, e “Junior’s Eyes” (Black Sabbath), também surgindo no repertório da turnê. A produção visual foi um espetáculo à parte, com efeitos especiais e artes diferentes acompanhando cada música.

Por outro lado, a performance vocal de Axl Rose apresentou limitações perceptíveis, especialmente na segunda metade do show, o que acabou destoando em alguns momentos. Ainda assim, Duff McKagan, Slash e os demais integrantes entregaram execuções impecáveis, sustentando a força da apresentação. Clássicos como “Sweet Child o’ Mine” e “Paradise City” continuam sendo experiências arrebatadoras ao vivo, mantendo o público completamente envolvido até o fim.

Mais uma vez, o Monsters of Rock se mostrou como um grande presente para o cenário roqueiro brasileiro: não apenas uma celebração do legado do gênero, mas também uma prova de que o rock segue vivo, relevante e em constante renovação.
Fotos: Ricardo Matsukawa e Guns N’ Roses team (disponibilizadas por Catto Comunicação)



































































































































Setlists
Guns N’ Roses
Welcome to the Jungle
Slither
It’s So Easy
Live and Let Die
Mr. Brownstone
Bad Obsession
Rocket Queen
Perhaps
Dead Horse
Double Talkin’ Jive
Nothin’
You Could Be Mine
Civil War
Junior’s Eyes
Knockin’ on Heaven’s Door
New Rose
Atlas
Sweet Child o’ Mine
Estranged
Bad Apples
November Rain
Nightrain
Paradise City
Lynyrd Skynyrd
Workin’ for MCA
What’s Your Name
That Smell
I Need You
Gimme Back My Bullets
Saturday Night Special
Down South Jukin’
Still Unbroken
The Needle and the Spoon
Tuesday’s Gone
Simple Man
Gimme Three Steps
Call Me the Breeze
Sweet Home Alabama
Free Bird
Extreme
It’s a Monster
Decadence Dance
#REBEL
Play With Me
Am I Ever Gonna Change
THICKER THAN BLOOD
Hole Hearted
Flight of the Wounded Bumblebee
Midnight Express
More Than Words
Get the Funk Out
RISE
Halestorm
Fallen Star
Mz. Hyde
I Miss the Misery
Love Bites (So Do I)
WATCH OUT!
Like a Woman Can
I Get Off
Familiar Taste of Poison
Rain Your Blood on Me
Freak Like Me
Wicked Ways
I Gave You Everything
Here’s to Us
Yngwie Malmsteen
Rising Force
Top Down, Foot Down
No Rest for the Wicked
Soldier
Into Valhalla
Baroque And Roll
Relentless Fury
Now Your Ships Are Burned
Wolves at the Door
Concerto #4 / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody
Fire and Ice
Evil Eye
Smoke on the Water
Trilogy Suite Op: 5
Overture
Badinerie / Black Star
I’ll See the Light Tonight
Dirty Honey
Gypsy
California Dreamin’
Heartbreaker
Another Last Time
Won’t Take Me Alive
Don’t Put Out the Fire
Lights Out
Rolling 7s
When I’m Gone
Jayler
Down Below
The Getaway
No Woman
Riverboat Queen
Lovemaker
I Believe to My Soul
Need Your Love
Over the Mountain
The Rinsk
