Overload Beer Festival 2026: celebração à vida e à música extrema

Fotos: Leandro Cherutti – @leandro.cherutti

Certamente, o Overload Beer Festival ficou marcado na memória de muitos headbangers paulistanos. Em 2020, ao reunir D.R.I., Periferia S.A., Surra, Desalmado e outros nomes no palco do Carioca Club, o evento acabou se tornando o último grande encontro de música pesada na capital antes da pandemia. Poucos dias depois, o então governador João Doria decretou medidas mais rígidas contra a COVID-19, iniciando um dos períodos mais difíceis da história recente: isolamento, desemprego, perda de renda e a morte de milhares de pessoas.

Apesar das perdas irreparáveis e das cicatrizes que ainda persistem, seguimos vivos — e a cena heavy metal também. No último sábado (21), o Overload Beer Festival retornou ao Carioca Club para promover uma verdadeira celebração aos headbangers. Com um lineup caprichado, o evento reuniu bandas nacionais de diferentes gerações e ainda contou com a presença do Obituary, um dos gigantes do death metal mundial, que veio com setlist especial apresentando o lendário disco Cause Of Death.

Na primeira hora do evento, o público pôde circular pelas atividades paralelas espalhadas pela casa: barracas de alimentação, estandes de cervejas artesanais e pontos de merch das bandas. Mesmo cedo, o Carioca Club já estava praticamente lotado. A sessão de música ao vivo começou com o Cemitério, nome tradicional da cena local. O grupo incendiou a plateia com seu death metal old school, fortemente influenciado pelos primeiros lançamentos do Death, além de composições inspiradas em filmes de terror. Apesar de abrir a noite, o público não economizou energia para acompanhar o trabalho dos rapazes: moshpit feroz e vários crowdsurfings já davam o tom do que viria pela frente.

Na sequência, o D.E.R. assumiu o palco representando o grindcore. O quarteto entregou um set visceral e implacável, incluindo diversas faixas do novo álbum Tempo Severo (2025). Embora todos os integrantes tenham demonstrado entrosamento e competência, o baterista Barata — também conhecido pelo trabalho na Test — roubou a cena com sua execução precisa e brutal, disparando blast beats em velocidade quase desumana.

Representando a presença feminina na cena nacional, veio a Eskröta, substituindo o Surra, que recentemente anunciou uma pausa nas atividades. Com uma sonoridade que mistura crossover e thrash metal, o trio formado por Yasmin Amaral (vocal e guitarra), Tamyris “Thamy” Leopoldo (baixo) e Jhon França (bateria) apresentou um show energético. Elas mesclaram músicas do novo disco Blasfemia com faixas já conhecidas, como “Eticamente Questionável”, “Mulheres” e “Filha do Satanás” — esta última foi um dos pontos altos do repertório, com a participação especial de Hugo Golon, do Cemitério. O show ainda teve momentos de interação descontraída, como a distribuição de balões ao público; uma apresentação tão divertida quanto caótica.

Rumo à reta final, foi a vez do Vulcano, lendária banda da Baixada Santista e uma das pioneiras do heavy metal extremo no Brasil. O grupo executou praticamente na íntegra o clássico Bloody Vengeance, levando o público a cantar em uníssono e intensificar o moshpit. Clássicos da fase em português, como “Total Destruição” e “Guerreiros de Satã”, também marcaram presença. O lendário Angel, vocalista original, subiu ao palco em alguns momentos, tornando a apresentação ainda mais memorável. Foi uma oportunidade rara para os fãs mais antigos matarem a saudade e apresentar um dos pilares do metal nacional às novas gerações.

Com a casa completamente tomada — a ponto de dificultar a circulação — , os integrantes do Obituary surgiram no palco e abriram o set com a poderosa instrumental “Redneck Stomp”, levando a plateia a se chocar de um lado ao outro da pista. Na sequência, revisitaram diferentes fases da carreira com “The Wrong Time”, “Sentence Day” e “A Lesson in Vengeance”.

O momento mais aguardado da noite veio em seguida: a execução quase integral de Cause of Death, segundo álbum de estúdio do grupo e um dos registros mais brutais da história do death metal. Com faixas como “Infected”, “Dying”, “Chopped in Half” e “Turned Inside Out”, o quinteto da Flórida demonstrou por que permanece como referência absoluta do gênero — combinando riffs densos, passagens com influência thrash e a bateria marcada por levadas rápidas e precisas.

Após um breve bis, a noite foi encerrada com dois hinos incontestáveis da música extrema: “I’m in Pain” e “Slowly We Rot”, deixando o público exausto e satisfeito.

Quase seis anos após o início da pandemia, o Overload Beer Festival ressoou não apenas como uma exaltação à música extrema, mas como um brinde à resistência, à memória e, sobretudo, à vida.

Fotos: Leandro Cherutti e Jaqueline Andrade Souza (credenciados pelo site Heavy Metal Online)





Setlists

Obituary

 Redneck Stomp
 Sentence Day
 A Lesson in Vengeance
 The Wrong Time
 Cause of Death
 Infected
 Body Bag
 Dying
 Cause of Death
 Circle of the Tyrants (Celtic Frost cover)
 Chopped in Half
 Turned Inside Out
 I’m in Pain
 Slowly We Rot

Vulcano

 Spirits of Evil
 Witches’ Sabbath
 Incubus
 Church at a Crossroads
 Dominios of Death
 Ready to Explode
 Holocaust
 Death Metal
 Total Destruição
 Guerreiros de Satã

Eskrota

A Bruxa
Playbosta
Mantra
Eticamente Questionável
Misery
Filha do Satanás
Grita
Mulheres

Cemitério

 A Volta dos Mortos Vivos
 A Vingança de Cropsy
 Quadrilha de Sádicos
 Sexta-Feira 13
 Holocausto Canibal
 Tara Diabólica
 Natal Sangrento
 Pague para Entrar, Reze para Sair