Stryper celebra o natal e suas quatro décadas com “The Greatest Gift of All”

Resenha por André Luiz Paiz

O Natal e o Rock and Roll sempre tiveram uma relação curiosa, muitas vezes oscilando entre o oportunismo comercial e releituras sem alma. Para o Stryper, no entanto, um álbum natalino nunca foi uma questão de “se”, mas de “quando”. Após 40 anos de espera — uma promessa que remonta aos dias do EP “The Yellow and Black Attack” (1984) — Michael Sweet e companhia finalmente entregam “The Greatest Gift of All”. Lançado mundialmente pela Frontiers Records e com o cuidado da parceria nacional da Shinigami Records, o disco chega como um manifesto de fé e resiliência.

O grande destaque da obra é, invariavelmente, Michael Sweet. Mesmo enfrentando desafios de saúde delicados e públicos, Sweet prova ser um mestre da lapidação musical, capaz de transformar qualquer “pedra bruta” em ouro melódico. Sua voz soa extremamente agradável; ele demonstra um controle maduro, sabendo exatamente onde encaixar os agudos que são sua marca registrada e onde privilegiar a doçura e a emoção exigidas pelo tema. É admirável vê-lo entregar um trabalho com tanta dedicação, exercendo o direito legítimo de um artista de seguir seus gostos e vontades autorais.

Musicalmente, “The Greatest Gift of All” não tenta ser um sucessor para o peso denso dos últimos álbuns de estúdio da banda, como “The Final Battle” ou “When We Were Kings”. É um disco de celebração, focado em harmonias ricas e composições que equilibram o “cozimento lento” das tradições natalinas com a energia das guitarras. A balança é bem dividida entre cinco temas tradicionais e cinco faixas inéditas. Enquanto clássicos como “Reason For The Season” (revisitada com vigor) e “Winter Wonderland” trazem um acerto nostálgico, as novas canções provam que a criatividade de Sweet continua afiada.

As faixas autorais são, inclusive, o que eleva o disco acima de uma mera “novidade sazonal”. A faixa-título e a vibrante “Heaven Came (On Christmas Day)” carregam o DNA melódico clássico do grupo, mas é em “Still the Light” que o Stryper entrega bons riffs e ganchos vocais que poderiam facilmente figurar em um álbum “comum” da banda. O resultado é surpreendente: um álbum polido, mas que respira honestidade e evita a cafonice das produções pop de fim de ano.

Certamente, este não é um item indispensável para quem busca apenas a face mais agressiva do Metal Cristão, e provavelmente não será um disco para se ouvir em todas as estações do ano. No entanto, quando o ouvinte decide apertar o play, a experiência não decepciona. É um registro sólido, feito por quem acredita no que está cantando. Se o objetivo era entregar um presente aos fãs que esperaram quarenta anos, o Stryper cumpriu a missão com dignidade, entregando beleza onde muitos esperavam apenas o óbvio.

Tracklist:

1.    ”The Greatest Gift of All”    3:14

2.    ”Go Tell It on the Mountain”  3:06

3.    ”Heaven Came (On Christmas Day)”    4:07

4.    ”Little Drummer Boy”    4:06

5.    ”Still the Light” 4:02

6.    ”Silent Night”    3:22

7.    ”On This Holy Night”    4:33

8.    ”Joy to the World”      3:25

9.    ”Reason for the Season” 6:51

10.   ”Winter Wonderland”     3:09

Lineup:

Michael Sweet – Lead Vocals/Lead & Rhythm Guitar

Robert Sweet – Drums & Percussion

Oz Fox – Vocals/Lead and Rhythm Guitar

Perry Richardson – Vocals/Bass