Capital Moto Week - Foto: Divulgação
Transformar um festival com estrutura e movimentação de pequena cidade em uma operação Lixo Zero é um grande desafio. Mas a experiência do Capital Moto Week (CMW), que reúne 800 mil pessoas, 350 mil motos e funciona 24 horas durante 10 dias, mostra que a mudança é possível quando planejamento, engajamento e persistência caminham juntos. O festival, que conquistou pelo quarto ano consecutivo a certificação Lixo Zero pela Zero Waste International Alliance, mostra que a transformação começa com decisões simples e evolui com consistência.
O maior festival de motos e rock da América Latina saiu de um índice de apenas 5% de desvio de resíduos de aterro, em 2017, para mais de 90% nos últimos anos. O caminho, segundo Juliana Jacinto, CEO do CMW, foi construído ao longo do tempo, com testes, ajustes e engajamento coletivo. “A gente não virou Lixo Zero do dia para a noite. Foi um processo de aprendizado, tentativa e evolução. O mais importante é começar”, afirma.
Para ela, o primeiro desafio é desmistificar a jornada: “Muita gente acha que precisa ter tudo estruturado desde o início. Mas dá para começar com ações simples e ir evoluindo. Cada passo conta”. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a CEO deixa um convite direto: “Não espere o cenário ideal. Comece com o que está ao seu alcance hoje. Foi assim que a gente começou e é assim que a transformação acontece.”
O Capital Moto Week compartilha aprendizados que podem orientar outros produtores:

1. Comece pelo planejamento e comece cedo
No Capital Moto Week, a sustentabilidade não é uma etapa final, mas parte do desenho do festival desde o início. Ao longo de 11 meses de preparação, decisões como escolha de fornecedores, materiais e logística já consideram o impacto ambiental. Foi assim que o festival conseguiu, por exemplo, adotar o uso exclusivo de materiais compostáveis de forma estruturada, evitando improvisos durante a operação.
2. Traga quem entende para dentro da operação
Uma das viradas do festival foi integrar cooperativas de catadores de materiais recicláveis desde o início do processo. Em vez de tratar a destinação de resíduos como etapa final, o CMW colocou catadores no centro da operação, atuando com a triagem qualificada de todo o resíduo gerado. Essa decisão aumentou a eficiência, assim como gerou renda e inclusão produtiva.
3. Mude o olhar: resíduo é recurso
A mudança mais importante foi conceitual. Ao deixar de tratar resíduos como descarte e passar a enxergá-los como matéria-prima, o festival reestruturou toda a lógica de gestão. Na prática, isso significa que resíduos orgânicos são encaminhados para compostagem e recicláveis retornam ao ciclo produtivo. “Hoje, não geramos lixo. Geramos adubo, renda e oportunidade”, resume Juliana.
4. Reduza descartáveis ao máximo
A substituição de itens de uso único foi uma das medidas mais visíveis. No Capital Moto Week, copos retornáveis são parte da experiência do público, enquanto materiais compostáveis substituíram descartáveis convencionais. Essa mudança reduz significativamente o volume de resíduos e facilita a destinação correta. Em paralelo, ao adotar embalagens compostáveis em todas as operações de alimentação, o CMW reduz significativamente sua pegada plástica.
5. Engaje o público como parte da solução
Com 800 mil pessoas vivendo e circulando no festival durante 10 dias, o comportamento do público é decisivo. No CMW, a participação é incentivada por meio de comunicação, sinalização e até benefícios, como descontos vinculados à entrega de resíduos. Ao entender seu papel, o visitante deixa de ser apenas consumidor e passa a integrar o sistema.
6. Alinhe toda a cadeia de fornecedores
A sustentabilidade só funciona quando envolve todos os atores. No Capital Moto Week, fornecedores e parceiros precisam seguir diretrizes ambientais, desde o tipo de embalagem até a forma de descarte. Essa padronização evita ruídos na operação e garante coerência em toda a cadeia. Para que essa estratégia seja efetiva, é fundamental integrar nos contratos de prestação de serviços, regras claras no que tange às diretrizes ESG.
7. Use o evento como ferramenta de educação
Eventos e festivais têm um poder único de influenciar comportamentos. Ao vivenciar práticas sustentáveis de forma prática, como separar resíduos ou utilizar copos retornáveis, o público tende a levar esses hábitos para fora do festival. “Quem passa por aqui leva novas práticas para a vida”, afirma Juliana Jacinto.
8. Vá além da neutralização
O Capital Moto Week avançou na estratégia climática e passou a investir em créditos de carbono além do volume emitido pelo festival. “Enquanto compensar 100% das emissões representa a soma zero, o carbono positivo significa gerar mais benefício climático do que impacto ambiental. Nosso legado é ir além”, explica a CEO.
9. Amplie o impacto para além do evento
A atuação do CMW não se limita ao seu perímetro. Nos últimos anos, o CMW passou a realizar ações como a coleta de lixo eletrônico em comunidades vizinhas, recolhendo equipamentos que muitas vezes não teriam destino adequado. A iniciativa gera impacto ambiental positivo e também benefícios sociais, como geração de renda e reaproveitamento de materiais.
10. Meça, aprenda e evolua continuamente
A evolução do Capital Moto Week mostra que o Lixo Zero é um processo contínuo. Ao longo dos anos, o festival monitorou resultados e ajustou suas práticas, saindo de 5% para mais de 90% de desvio de resíduos de aterro. “Não é sobre perfeição, é sobre evolução”, finaliza a CEO.
Kadmo Côrtes, vice-presidente do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), revela que a experiência do Capital Moto Week já começa a influenciar outros grandes eventos no país. Segundo ele, o diferencial está na capacidade de transformar boas práticas em referência replicável: “Quando uma iniciativa ganha escala, ela deixa de ser pontual e passa a moldar o setor. Ao compartilhar o que funciona e promover o intercâmbio de experiências, o festival abre caminho para soluções mais amplas, consistentes e duradouras em prol do meio ambiente e das pessoas”.
Sobre o Capital Moto Week 2026
De 23 de julho a 1 de agosto, Brasília será palco do maior festival de motos e rock da América Latina. O CMW, que atrai 800 mil pessoas, 350 mil motos e mais de 1,8 mil motoclubes de todo o Brasil e do mundo, proporciona uma experiência inesquecível, reunindo rock, adrenalina e cultura motociclista em um complexo de mais de 400 mil m². Além das centenas de shows, a programação inclui tirolesa, bungee jump, roda-gigante e cinco palcos temáticos. Os headliners desta edição serão: Nazareth (23.07), Masters of Voices e Velvet Chains (24.07), Di Ferrero e Lvcas (25.07), Eagle-Eye Cherry (26.07), Supla, Matanza Ritual e Raimundos (30.07), Marcelo Falcão e Tihuana (31.07) Barão Vermelho Encontro Formação Original (01.08). O CMW é certificado como Lixo Zero e zera as emissões de carbono a cada ano, integrando iniciativas de inclusão, diversidade e sustentabilidade à cadeia produtiva do entretenimento.
SERVIÇO
Capital Moto Week 2026
Data: 23 de julho a 01 de agosto de 2026
Local: Parque Granja do Torto | Brasília | DF
Instagram | Facebook | TikTok | @capitalmotoweek
Site oficial: www.capitalmotoweek.com.br
Fonte: Agência Máquina/CMW
