Flageladör promove culto ao Speed/Thrash Metal e aos decibéis; confira resenha
Fundado no ano 2000 em Niterói, no Rio de Janeiro, o Flageladör surgiu com uma premissa inegociável: resgatar a agressividade, a velocidade e o espírito do Speed/Thrash Metal oitentista cantado inteiramente em português. Liderado de forma ininterrupta pelo incansável Armandö Macedö, o grupo forjou seu nome nas trincheiras do underground através de muito suor e lançamentos que rapidamente se tornaram cultuados pela cena, a exemplo de “A Noite do Ceifador” (2006) e “Assalto da Motosserra” (2014). Com o passar dos anos, a banda cravou seu espaço como uma das forças mais leais e respeitadas do metal extremo nacional.
Então, falar sobre as qualidades do Flageladör é chover no molhado, mas sempre necessário. Como um dos grandes bastiões do Speed brasileiro, a banda criada por Armandö chega ao seu quinto disco de estúdio, “Culto aos Decibéis”, fazendo exatamente o que sabe de melhor: Metal forjado na implacável velha escola dos anos 80. Pode até parecer uma receita simples, mas manter essa chama acesa com maestria exige a bagagem de quem tem mais de 25 anos de estrada.
Gravado no Hell’s Pass Studio e lançado no primeiro semestre de 2024, o petardo traz nove faixas distribuídas em exatos 25 minutos de puro feeling old school. A produção foi cirúrgica ao captar o “clima de show” das composições, resultando em uma sonoridade crua, ríspida e sem qualquer frescura na mixagem. O ouvinte é atropelado por uma enxurrada de palhetadas velozes e solos cortantes, marcas registradas de quem respira o underground dia após dia. A faixa-título resume a obra e dialoga perfeitamente com a arte da capa: guitarras no talo, amplificadores estourando e Heavy Metal sem concessões. Ao lado de Armandö (vocal e guitarra), estavam Alan Magno (baixo) e Vinícius Talamonte (bateria), formando um power trio conciso e pujante.
As letras em português continuam afiadíssimas, retratando com fidelidade a realidade da cena banger. Faixas como “Somente o Aço nos Salvará”, “Anjo Exterminador” (gostei do uso de tom-tons!) e “Conjuração” são pedradas do início ao fim, impulsionadas por riffs rápidos e uma bateria que martela incessantemente — um verdadeiro convite para quem ainda tem pescoço e saúde para bangear (algo que já não tenho mais!). Pode soar clichê? Sim. Mas, na maioria das vezes, tudo o que queremos é exatamente isso: a pureza e a fúria dos decibéis despejados sem piedade pelos alto-falantes.
Não espere modernismos ou afinações baixas. De “Velas Negras” a “Espírito da Perversidade”, a sonoridade é rústica e impiedosa, moldada sob medida para os maníacos por tachinhas e cintos de bala. Com este lançamento, o Flageladör mantém seu nome inabalável na linha de frente do underground nacional. Que venha o próximo álbum.

