Texto por Mário Pescada
Fotos por Leandro Oliveira – @leandro.n.oliveira
Depois de uma semana de muita chuva em Belo Horizonte, o tempo enfim melhoraria e o Death To All, banda tributo que segue mantendo vivo o legado do Death, encerraria na capital mineira a parte brasileira da turnê “Symbolic Healing”, que ainda passou por outras quatro cidades.
Marcado para começar às 20h e como muita gente estava em casa/bares acompanhando o clássico entre Atlético x Cruzeiro, acabou que o público só foi chegando em peso ao Mister Rock quando faltavam menos de vinte minutos para o começo do show.
Vou me corrigir: show não, aula de death metal. E não era para esperar menos do que isso, afinal, mesmo com suas diversas formações, o Death sempre foi reconhecido por ter ótimos músicos e o quarteto que compõe o Death To All é uma verdadeira seleção, se liga: Gene Hoglan (bateria, Dark Angel, ex-Testament, ex-Strapping Young Lad), Steve DiGiorgio (baixo, Act Of Denial, Testament, ex-Death, ex-Sadus), Bobby Koelble (guitarrista, Leviathan Project) e o vocalista e guitarrista Max Phelps (ex-Cynic), único que não chegou a lançar discos pelo Death.
Death To All: Steve DiGiorgio (baixo), Max Phelps (vocais, guitarra), Gene Hoglan (bateria) e Bobby Koelble (guitarra)

Como o nome da turnê já entregava, o repertório seria calcado nos discos “Spiritual Healing” (1990) e “Symbolic” (1995), que completaram 35 e 30 anos, respectivamente. Sem banda de abertura, pontualmente o Death To All subia ao palco do Mister Rock ao som de “Infernal Death”, que funcionou como uma intro para o início de uma sessão de músicas muito técnicas e brutais, tudo que o bom público presente ansiava.
Verdade é que a banda já estava com o jogo ganho, tamanha era a animação do público em poder ver e ouvir ao vivo boa parte do Death, era só administrar, mas ainda assim fizeram mais.
A primeira metade do show foi mais dedicada ao “Spiritual Healing” (1990), onde faixas como “Living Monstrosity”, “Altering The Future” e “Spiritual Healing” foram comemoradas, mas a banda também soube escolher bem faixas clássicas de outros discos. “Lack Of Comprehension” (“Human”, 1991), “Zombie Ritual” (“Scream Bloody Gore”, 1987) e “The Philosopher”, faixa do “Individual Thought Patterns” (1993) agradaram em cheio, sendo essa última uma das que a galera mais cantou junto. Quem viveu a MTv Brasil em meados dos anos 1990 tem boas lembranças do vídeo clip dessa música rolando na programação normal de finada emissora.
A desenvoltura e precisão que cada um dos músicos mostrava nos seus instrumentos impressionava e Phelps foi um destaque a mais: mais retraído que os demais, se mostrou um exímio guitarrista e ainda impressionou pela sua voz, muito similar à do saudoso Chuck Schuldiner.
Quem estava bem à vontade era DiGiorgio: descalço e “brincando” de tocar baixo, ele foi muito comunicativo com a plateia o show todo. Hoglan também levava tudo como se fosse fácil alternar tantos tempos diferentes, sempre tranquilo (exceto pela luz acesa na cara dele, pediu algumas vezes e como não foi atendido pela mesa, deu uma baquetada no holofote, capaz da baqueta estar presa ali até agora). Já o baixinho Koelble interagiu mais com o pessoal da grade enquanto debulhava as seis cordas.

Pouco antes das 21h encerrava-se a primeira parte, mas foi avisado: era hora de tocar na íntegra “Symbolic” (1995), disco chave da fase mais técnica/progressiva. Segundo DiGiorgio, nem na época do Death isso foi feito. E aí meu amigo/a, tome clássicos como “Symbolic”, “Empty Words” “Crystal Mountain” que fez muito marmanjo quase chorar e “Perennial Quest”, fechando o setlist.
Se terminasse ali já teria sido um excelente show em que todos iriam para a casa mais do que satisfeitos, prontos para encarar mais uma semana, mas eis que a banda ainda volta para um bis duplo: “Spirit Crusher” (“The Sound Of Perseverance”, 1993) e “Pull The Plug” do disco “Leprosy” (1988) fecharia a noite. Fim da aula. Nada mais, nada menos do que vinte músicas em duas horas!
Há quem não simpatize com a ideia de ter bandas como o Death To All e o também tributo Left To Die (focado nos dois primeiros discos) excursionando e tocando músicas do Death, mas eu acho que é uma oportunidade de ver baita músicos juntos tocando sons de uma das maiores bandas de death metal da história, referência até hoje.
Tenho certeza de que se estivesse vivo, Chuck Schuldiner, que em dezembro desse ano completará vinte e cinco anos do seu falecimento, estaria orgulhoso de saber que sua obra continua viva por aí.

Setlist
“Spiritual Healing” (1990) e clássicos
01 Infernal Death (intro)
02 Living Monstrosity
03 Defensive Personalities
04 Lack Of Comprehension
05 Altering The Future
06 Zombie Ritual
07 Within The Mind
08 The Philosopher
09 Spiritual Healing
“Symbolic” (1995)
10 Symbolic
11 Zero Tolerance
12 Empty Words
13 Sacred Serenity
14 1,000 Eyes
15 Without Judgement
16 Crystal Mountain
17 Misanthrope
18 Perennial Quest
Bis
19 Spirit Crusher
20 Pull The Plug


















