Black Pantera: “Lançar dois álbuns em quatro anos não é para qualquer um!”

O Black Pantera surgiu em 2014, na cidade de Uberaba, interior de Minas Gerais e desde o lançamento de seu segundo disco, batizado de “Agressão”, tem recebido boas críticas. Para melhorar a banda carrega presença em festivais renomados como Afropunk e Download. A equipe do Heavy Metal Online bateu um papo com o trio para falar do atual momento da banda. Confira!

Heavy Metal Online – O Black Pantera é uma banda relativamente nova no underground brasileiro, com aproximados cinco anos de atividade. Porém, mesmo em pouco tempo, já tocaram fora do Brasil, chamam a atenção pelas suas letras impactantes e já possuem dois full lenght’s. Há quais fatores vocês atribuem esse grande leque de atividades em um curto espaço de tempo?

Black Pantera – Sobre o fato de a gente ter conquistado muitas coisas, já ter viajado, gravado dois álbuns, muita gente nos pergunta. Sempre falamos que a banda é nova, mas já temos certa idade, já estamos neste meio do Rock há 15 anos. Já tivemos várias experiências no decorrer da caminhada que nos proporcionaram conseguir trilhar alguns atalhos.

O lance é foco e oportunidade, estamos trabalhando em cima disto e tem dado certo. O som é a identidade da banda e já fala por si só! Quando você faz uma “parada” com objetivo você consegue alcançar mais rápido. Temos uma meta e a cada ano que passa nós conseguimos bater. Temos o controle de tudo!

Heavy Metal Online – Na França, o grupo tocou no importante festival Afropunk e no exterior ao lado de ícones como System of a Down e Slayer, dentre outros. Como é levar o som da banda para fora do país antes mesmo de se consolidar por aqui? Como é a receptividade do publico estrangeiro com a música pesada brasileira?

Black Pantera – Acho que não somos o primeiro caso. Talvez o maior exemplo que nós temos é o Sepultura. O Rock aqui entrou em uma decadência muito grande, não temos espaço nas rádios e na televisão. Temos que fazer o famoso “faça você mesmo”. No Brasil é difícil a questão de festivais, já não temos um grande leque de opções.

“Não temos espaço nas rádios e na televisão. Temos que fazer o famoso faça você mesmo!”

É bacana porque lá fora tivemos uma experiência muito boa, pois mesmo cantando em português a recepção foi muito calorosa. O cara não está entendendo o que você está dizendo, mas ele sente!

Essa conexão musical é muito boa, foi a nossa maior vitória. O Afropunk nos divulgou, do Afropunk fomos para o Download e tivemos a oportunidade de tocar em nossa língua nativa. Foi do c******. Aqui no Brasil tentamos tocar em alguns festivais, mandamos para os produtores, mas os primeiros que responderam foram os do Afropunk em 2016. Não vamos dizer que não tentamos tocar no Brasil.

Hoje tocamos mais por aqui devido a esses festivais que já fomos. Com essa bagagem que a gente trouxe os festivais começaram a olhar a gente com outros olhos. Isso está sendo ótimo, pois gostamos de tocar no Brasil!

Nossa venda no ITUNES é bem maior lá fora. França, Inglaterra, EUA superam o Brasil. O motivo eu não sei, talvez esse público consuma mais este tipo de produto. A gente começa a perceber que no Brasil as coisas começam a andar para a banda agora. Estão falando mais da gente devido ao lançamento de “Agressão”!

Heavy Metal Online – A banda vem divulgando o segundo disco oficial, “Agressão”, que contém onze faixas e letras que trazem reflexões sobre guerras e conflitos sociais. Como tem sido a repercussão deste trabalho? Fale-nos um pouco sobre esse registro para quem ainda não conferiu!

Black Pantera – Este segundo álbum veio para mostrar o amadurecimento da banda. Lançar dois álbuns em quatro anos não é para qualquer um! Desde o primeiro disco temos percebido que evoluímos musicalmente. O álbum “Agressão” foi muito mais pensado, pois o primeiro disco fizemos totalmente no “feeling”, as coisas foram surgindo. Chegamos a gravar três músicas em um dia. Este segundo foi sem pressa.

Quando você tem um primeiro álbum que vai muito bem vem à pressão do segundo álbum. De acordo com que íamos escrevendo, vimos que estávamos muito calmos. Não sentimos a pressão, foi muito natural. Quando você escuta tudo masterizado, mixado, você pensa: “É um p*** álbum!”.

Devemos muito ao produtor Ricardo Barbosa, que gravou os dois álbuns com a gente. Produção, mixagem e masterização foi tudo com ele. Ricardo Barbosa é daqui de Uberaba e sentimos a evolução dele também. Todo mundo acertou a mão. Foram meses e meses de estúdio para chegar aonde foi e as críticas têm sido ótimas!

“Quando você escuta tudo masterizado e mixado, você pensa: É um p*** álbum!”

Heavy Metal Online – Vários grupos de Minas Gerais saíram de BH para se tornarem grandes referencias no Metal brasileiro, casos de Sepultura, Chakal, Eminence e muito outros. Vocês se enxergam, em longo prazo, atingindo o status destes nomes? Como fazer para chegar ao topo do Metal nacional?

Black Pantera – A gente fica muito feliz de conseguir um caminho, sabemos que ainda estamos engatinhando. Se conseguirmos atingir 10% do que o Sepultura atingiu já é um orgulho. Somos do interior, de Uberaba! Ficamos felizes de estar nesta lista de bandas mineiras que já tocaram fora e foram bem recebidas.

Estamos chegando agora na humildade, mas a gente sabe o que quer e acredita que chegaremos mais longe. Cada ano estamos melhorando mais! O que a gente conseguir é suor do nosso trabalho. Saímos do fundo deste quintal e nem imaginávamos, não tem fórmula, é trabalhar pesado!

Heavy Metal Online – Como disseram, vocês são da cidade de Uberaba, interior de Minas Gerais. Como é fazer Metal por aí? Como superar os obstáculos de uma cidade interiorana?

Black Pantera – É uma cidade aonde o sertanejo domina! Mantivemos o foco e sabemos a galera que gosta de Rock n’ Roll. No lançamento do nosso disco, vi pessoas que não via há anos. As pessoas se interessaram e conseguiram sair de casa. Obstáculos teremos em qualquer lugar e não podemos ter comodismo.

Somos do interior, mas temos a internet, que é a nossa maior ferramenta. Se você veio do interior ou da capital não tem nada haver. Somos de Uberaba e já tocamos duas vezes no exterior e, talvez, se estivéssemos na capital não teríamos procurado fora do país. Tivemos que dar tiro para todos os lados, não só no Brasil como Europa e EUA.

Não sairemos de Uberaba enquanto levarmos o nosso som para o mundo todo estando ao lado de nossos familiares e filhos. Por mais que sejamos do interior estamos tendo muito apoio e viramos uma espécie de “orgulho musical” da cidade. O nosso som é esse, estamos prontos e a galera tem apoiado. Valeu Uberaba!

 

Assista o clipe da faixa “Rede Social”: