“Sentia que precisávamos ser, no mínimo, tão bons quanto éramos antigamente — ou melhores” — Entrevista com Jayson Green (Orchid)

Às vésperas de tocar em São Paulo com o Orchid, vocalista Jayson Green fala sobre o retorno após 22 anos, o medo de decepcionar, a recusa à nostalgia e o significado de voltar a subir ao palco hoje.

Guilherme: Oi, Jayson! É uma honra entrevistá-lo. Na próxima semana, Orchid tocará na América do Sul, incluindo um show em São Paulo, Brasil. Quais são suas expectativas para esses concertos?

Jayson: Sinceramente, não faço ideia de como vai ser. Não tenho expectativas além de poder viajar para essas cidades incríveis. Somos muito sortudos, e queria que essa turnê fosse mais longa.

Guilherme: Depois de mais de 22 anos longe dos palcos, o que motivou o retorno às apresentações ao vivo? E como tem sido tocar juntos novamente desde aquele primeiro show de reunião no The Drake, em Amherst, Massachusetts?

Jayson: Para mim, pessoalmente, foi muito assustador. Fizemos isso há tantos anos, e o fato de as pessoas ainda gostarem é insano. Eu realmente não queria decepcionar ninguém. Sentia que precisávamos ser, no mínimo, tão bons quanto éramos antigamente — ou melhores. Já vi muitos shows de reunião deprimente, e eu não queria isso. Essa volta tem um ponto final, então não vamos arrastar isso pelo mundo por muito mais tempo. É bom dizer oi e depois ir embora.



Guilherme: Observando a cena underground atual, como você a enxerga em comparação aos anos 1990 e início dos 2000, tanto em termos de comunidade quanto de urgência artística?

Jayson: Tenho 47 anos, então realmente não sinto que posso comentar isso. Isso é algo da juventude, feito pela juventude. Precisa ser um gênero subversivo criado por jovens, e parece que isso nunca vai acabar. Nostalgia é uma doença, e precisamos deixar os jovens nos liderarem. Matem todas essas bandas velhas.

Guilherme: Nesta turnê, vocês dividirão o palco com o Uniform. Você pode falar um pouco sobre sua relação com a banda e por que eles pareceram a escolha certa para essa turnê?

Jayson: Michael Berdan é um amigo que tenho há décadas. Eu o amo. Ver o Uniform como essa entidade totalmente formada do que o Michael é capaz de fazer é uma alegria enorme. Eu amo a banda e todas as suas fases. Me sinto muito sortudo por chamá-lo de amigo e por dividir o palco com eles. As referências cinematográficas e literárias funcionam muito bem para mim. Mal posso esperar para assisti-los todas as noites.



Guilherme: O Orchid é frequentemente citado como um dos pioneiros do que mais tarde ficou conhecido como screamo. Ao longo dos anos, esse som ultrapassou o underground, com algumas bandas alcançando grandes públicos, dominando plataformas de streaming e tocando em arenas e festivais para milhares de pessoas. Você imaginava que a música que vocês faziam em Massachusetts nos anos 1990 chegaria a essa escala? Como você vê essa evolução do gênero?

Jayson: Resposta curta: não. Como poderíamos imaginar isso? Achávamos que estávamos apenas copiando outras bandas. Sobre o “gênero” ter crescido, eu diria que vejo pouquíssima semelhança com aquilo tudo — e, sinceramente, não me importo com comércio. Não dou a mínima para ganhar dinheiro com isso ou ver outras pessoas ganhando dinheiro. Quero que as pessoas matem bilionários. Construam uma guilhotina, não façam um disco de screamo.

Divulgação / Tedesco Assessoria

Guilherme: Gatefold, o último álbum de estúdio do Orchid, foi lançado em 2002. Agora que a banda voltou aos palcos, os fãs podem esperar material novo no futuro ou essa fase é focada apenas em revisitar o passado?

Jayson: Isso é sobre nos reconectarmos — entre nós e com a nova geração de pessoas que quer nos ver. Foi um desafio trazer esse projeto de volta sem parecer uma reencenação, mas sim um serviço. Estamos tocando em salas grandes, não em porões. Tivemos que repensar tudo.

Guilherme: Mais uma vez, obrigado pela oportunidade. Para encerrar, o que os fãs de São Paulo podem esperar de uma apresentação ao vivo do Orchid?

Jayson: Irei entregar tudo e vou gritar por uma revolução violenta. Agora, eu vou dormir.