Cynic e Imperial Triumphant abrem o ano do metal paulistano com show de peso

Em 2023, após décadas de espera, o público headbanger paulistano finalmente teve a oportunidade de conferir ao vivo um dos nomes mais inovadores do heavy metal: o Cynic, grupo liderado por Paul Masvidal (ex-Death) e Sean Reinert, responsável por revolucionar o metal extremo ao incorporar elementos de jazz e fusion em sua sonoridade. Apesar da excelente apresentação, o evento acabou marcado por uma certa polêmica, já que integrantes do Moonspell, banda portuguesa que também integrava o line up, reclamaram da postura do Cynic, que teria avançado sobre o tempo de set destinado aos lusitanos.

Felizmente, os fãs paulistanos não precisaram esperar muito para assistir novamente ao aclamado grupo ao vivo — e, desta vez, sem brigas ou desentendimentos. Menos de três anos após a estreia por aqui, na última sexta-feira (16), o conjunto estadunidense retornou à cidade para uma apresentação na Burning House, casa localizada no bairro da Água Branca, na zona oeste da capital, dando início ao ano de shows para grande parte dos headbangers locais. Para completar a noite, o evento contou ainda com a presença dos nova-iorquinos do Imperial Triumphant, ampliando o peso e a diversidade sonora da celebração.

O clube ficou pequeno para tanta gente. Antes mesmo da abertura das portas, os fãs já formavam longas filas, aguardando a liberação do espaço. Assim que a casa foi aberta, o público ocupou o local em peso, dificultando inclusive a circulação. Infelizmente, o sistema de ar-condicionado não deu conta da lotação, e o calor intenso passou a dominar o ambiente ao longo da noite.

Com alguns minutos de atraso em relação ao horário oficial, Zachary Ezrin (vocal), Kenny Grohowski (bateria) e Steve Blanco (baixo) subiram ao palco para apresentar o curioso avant-garde metal do Imperial Triumphant. Em um set de quase uma hora, o trio mascarado passeou por diferentes momentos da discografia, executando faixas como “Lexington Delirium”, “Gomorrah Nouveaux”, “Hotel Sphinx” e “Industry of Misery”. Zachary impressionava com guturais violentos, enquanto Steve “destruía” no contrabaixo, exibindo técnica refinada, inclusive com uso excessivo de slaps. No entanto, o grande destaque era a bateria de Kenny, marcada por viradas aparentemente caóticas, sem um ritmo convencional, mas que ainda assim funcionavam de maneira surpreendentemente coesa dentro das músicas. Apesar da identidade visual que oculta os rostos, os músicos conseguiram animar bastante o público, incentivando palmas e interação constante. O set ainda contou com elementos teatrais e bem-humorados, como o lançamento de champanhe sobre a plateia e a entrada em cena com um saxofone em chamas. Um grupo realmente diferente e inovador, que, mesmo com um som extremo, entrega um show animado e interativo.

Após a troca de cenário, uma sonora psicodélica começou a ecoar pelos alto-falantes. Em seguida, Paul Masvidal surgiu no palco e saudou o público com um simpático “boa noite” em português. Os demais músicos entraram, e o show teve início com “Sentiment” e “Integral Birth”, esta última marcada por um pedal duplo avassalador. Logo depois, veio o primeiro grande momento de interação da noite com “Veil of Maya”, faixa que abre o clássico Focus, destacando o efeito vocal de Paul ao simular uma voz “alienígena”, em contraste com os guturais agressivos de Derek Rydquist.

Em 2023, o setlist do Cynic esteve fortemente centrado em Focus, já que a banda celebrava os 30 anos do álbum. Desta vez, o repertório mostrou-se mais abrangente, contemplando diferentes fases da carreira com músicas como “The Unknown Guest”, “Adam’s Murmur” e “The Space for This”. Em determinado momento, Paul Masvidal realizou um breve trecho solo, executando “Wheels Within Wheels” e um curioso cover de “Last Flowers” (Radiohead). Já a reta final foi dedicada ao magnum opus da banda, com “I’m But a Wave To…”, “Uroboric Forms” e “How Could I”, levando o público a reunir as últimas forças, mesmo sob o calor intenso que persistia no clube.

As duas bandas apresentaram propostas bastante distintas, mas ambas agradaram plenamente ao público. O Imperial Triumphant impressionou pela originalidade e pelo cuidado com a identidade visual e performática. Já o Cynic mostrou-se renovado, com destaque especial para a brutalidade de Derek Rydquist, que acrescentou ainda mais peso ao material original — apesar de atuar apenas como músico convidado na turnê, seria excelente vê-lo integrado de forma definitiva. Assim, o calendário paulistano de 2026 — que promete muitas atrações de peso — começou com o pé direito.

Fotos: Gil Oliveira

Imperial Triumphant

  • Lexington Delirium
  • Gomorrah Nouveaux
  • Devs est Machina
  • Transmission to Mercury
  • Chernobyl Blues
  • Hotel Sphinx
  • Industry of Misery
  • Swarming Opulence

Cynic

  • Sentiment
  • Integral Birth
  • Veil of Maya
  • Evolutionary Sleeper
  • The Unknown Guest
  • Celestial Voyage
  • Adam’s Murmur
  • The Space for This
  • Wheels Within Wheels
  • Last Flowers
  • Textures
  • I’m but a Wave to…
  • Uroboric Forms
  • How Could I