Rodox Originals prova relevância e força de nova turnê com segunda data sold out em São Paulo

Formada em 2001, logo após a saída do frontman Rodolfo Abrantes dos Raimundos, a banda Rodox se consolidou como um dos nomes mais significativos do rock brasileiro dos anos 2000. Misturando hardcore, metal, rap e elementos eletrônicos em composições reflexivas e com alta carga pessoal, o grupo explorou de forma precisa a ascensão do “nu metal”, movimento popularizado por nomes como Linkin Park, Limp Bizkit e Papa Roach, sendo um dos maiores representantes do estilo por aqui.

Apesar da repercussão na mídia e legião fiel de seguidores, a trajetória da banda foi curta, chegando ao fim em 2004. Ainda assim, os álbuns “Estreito” e “Rodox” conquistaram um certo “status cult” dentro da cena rock nacional, mantendo o nome do grupo vivo ao longo das décadas. Como resultado, pedidos por uma reunião nas redes sociais sempre foram constantes.

Felizmente, a espera terminou no início de 2026. Após mais de vinte anos longe dos palcos, a Rodox retornou à ativa com boa parte de sua formação clássica: Rodolfo Abrantes, Fernando Schaefer, Pedro Nogueira e Patrick Laplan, além do guitarrista Victor Pradella, músico que já colaborava com projetos paralelos de Rodolfo e acabou incorporado à nova formação — inspiração para o nome da turnê, “Rodox Originals”.

No entanto, a excursão está longe de ser apenas um reencontro nostálgico para celebrar o passado. O grupo assumiu um compromisso sério com a retomada das atividades, embarcando em uma agenda intensa com mais de vinte apresentações apenas no primeiro semestre, incluindo festivais de grande porte, como o Porão do Rock, em Brasília. Além disso, mais datas foram adicionadas no segundo semestre, com shows em cidades do interior que geralmente ficam de fora do circuito tradicional e até mesmo com eventos no exterior.

Após um show extremamente concorrido em abril no Carioca Club, o quinteto voltou a casa de espetáculo para celebrar mais uma vez com os fãs no último sábado (23). Novamente, o evento contou com ingressos sold out. O músico Mauro Henrique e sua banda de apoio assumiram o comando da abertura.

Mesmo diante de uma concorrência considerável de eventos na capital paulista — com o Pennywise se apresentando no Hangar 110, o C6 Fest ocupando o Parque Ibirapuera e a Virada Cultural espalhando atrações de rock e outros segmentos por diversos pontos da cidade — , o público compareceu em peso ao Carioca Club. A movimentação nos arredores da casa foi intensa durante toda a tarde e início da noite, evidenciando a força da reunião. Quando a apresentação de abertura chegou ao fim e o horário do show principal se aproximava, circular pela pista já se tornava uma tarefa difícil em meio à multidão que lotava o local.

Após cerca de vinte minutos de atraso em relação ao horário previsto, o quinteto finalmente subiu ao palco e fez a casa explodir logo nos primeiros acordes de “Segue a Linha”. A roda se formou instantaneamente, dando o tom do que seria a noite. Na sequência, veio “De Costas para o Mar”, além da veloz “Cego de Jericó”, que manteve a intensidade, impulsionada pela performance avassaladora de Fernando Schaefer, que executou com precisão e agressividade a técnica skank beat.

O repertório seguiu em linha semelhante ao show anterior, equilibrando momentos de celebração coletiva em faixas como “Mais e Mais”, “Beach Punx” e “Foi Bom Esperar”, que contam com refrãos acessíveis; explosões de energia no moshpit e crowdsurfings com “Horário Nobre” e “1000 Megatons”, e instantes de pura nostalgia com “Dia Quente” e “Olhos Abertos” — canções que marcaram época devido à forte presença na programação de canais como MTV Brasil e Mix TV, além de rádios especializadas em rock. A apresentação ainda contou com participações especiais de Soldado (ex-Korzus), Alva e Mauro Henrique. Como tradição desde a época que o grupo estava ativo, os covers de “Exodus”, de Bob Marley & The Wailers, e “Alive”, do P.O.D., encerraram a noite em clima de celebração, com o público cantando cada verso em uníssono.

Se a resposta dos fãs ao retorno da banda impressiona, a performance dos músicos no palco certamente se destaca ainda mais. Rodolfo Abrantes demonstrou não apenas excelente forma vocal, mas também uma felicidade genuína por voltar a dividir o palco com seus antigos companheiros. Entre uma música e outra, compartilhou mensagens de positividade e falou sobre a emoção de reencontrar os amigos após mais de duas décadas. Pedro Nogueira e Patrick Laplan exibiram a mesma química e entrosamento que ajudaram a construir a identidade do grupo, combinando técnica refinada com intensa interação com o público. Victor Pradella, por sua vez, mostrou-se perfeitamente integrado à formação, contribuindo com segurança e competência. Já Fernando Schaefer segue como uma verdadeira força da natureza atrás do kit, despejando velocidade, potência e precisão em cada execução. De fato, a sensação era de que o tempo simplesmente não havia passado para o conjunto.

Mais do que uma celebração nostálgica, a turnê Rodox Originals apresenta uma banda madura, revitalizada e artisticamente relevante. O reencontro não apenas resgata a memória de uma geração, mas também reafirma a importância de um grupo que continua mobilizando multidões mais de vinte anos após sua despedida. Para os fãs, trata-se de um presente muito aguardado. E, diante da sintonia evidente entre os integrantes, fica difícil não imaginar que este retorno possa render novos capítulos — quem sabe até mesmo um álbum de inéditas.

Fotos: Ricardinho Fotografia (@ricardinho_fotografia)

Setlist

Segue a Linha

De Costas para o Mar

Cego de Jericó

Mais e Mais

Incinerador

Beach Punx

Horário Nobre

Foi Bom Esperar

De Uma Só Vez

Iluminado

Dia Quente

Inflexível

1000 Megatons

Olhos Abertos

Quem Tem Coragem Não Finge

Três Reis

Exodus

Alive