Pentagram em São Paulo: Fuzzly é a banda convidada para show de despedida

Fuzzly | Crédito: Divulgação

Fuzzly, nome cultuado do stoner rock nacional, fará a abertura do show de despedida do Pentagram em São Paulo, marcado para 13 de agosto, no Fabrique Club. A apresentação integra a Farewell Tour, Last Latin American Run 2026, anunciada como a despedida da lenda do doom dos palcos latino-americanos. A realização é da Powerline Music & Books e Heart Merch.

Ingresso: fastix.com.br/events/pentagrama-em-sao-paulo

Fuzzly é hoje formado por Dark Jordão na guitarra e voz, Rafael Arruda na bateria e Hugo Falcão no baixo. A escolha aproxima duas formações, Fuzzly e Pentagram, ligadas ao peso dos riffs, às guitarras carregadas de distorção e à psicodelia.

Formada em 2001, a Fuzzly construiu um repertório no qual a urgência do rock underground dos anos 1990 se encontra com o stoner, o desert rock e passagens hipnóticas. Todo o catálogo foi lançado em parceria com a Abraxas, a produtora que colocou o Brasil na rota do stoner.

Dark Jordão e Rafael Arruda estão juntos desde a origem da banda. A parceria começou em Cuiabá e ganhou estrada ainda com o EP autointitulado de 2003, que levou a Fuzzly pela primeira vez à Argentina. No ano seguinte, Middle of Nothing ampliou o peso e a agressividade do som e foi apontado pela revista Dynamite entre os melhores EPs nacionais de 2004.

A circulação pela cena independente avançou com a participação no Festival Bananada, em Goiânia, em 2005. Em janeiro de 2006, a Fuzzly voltou à Argentina para gravar o primeiro álbum, Like a Flame of Vulcaine, no Estúdio Abismo, em Buenos Aires. O disco de 11 faixas foi produzido pela banda ao lado de Claudio Filadoro, músico do Buffalo e ex-integrante do Los Natas, uma das referências do stoner sul-americano.

Depois da gravação, o trio passou por cidades como São Paulo, Florianópolis e Campo Grande, participou de coletâneas nacionais e ampliou sua circulação fora do Centro-Oeste. Em 2013, fez uma turnê pela Argentina e pelo Chile, lançou o videoclipe de “Void” e tocou na 19ª edição do Goiânia Noise Festival. Na cobertura daquele período, a Rolling Stone Brasil descreveu a Fuzzly como “stoner rock barulhento e de primeira qualidade, cheio de climas hipnóticos”.

Essa fase desembocou em Vol. II, lançado em 2014. O álbum aprofundou a presença da psicodelia e dos efeitos sem retirar a pressão das guitarras. A capa foi criada pelo artista russo Nikita Kaun, conhecido também como SunTurnsIntoWater. A turnê passou pelo Festival DoSol, em Natal, pelo Festival Abraxas e por diferentes cidades do Sul e do Sudeste, além de colocar a Fuzzly em apresentações com Radio Moscow, Truckfighters, Samavayo e Los Natas.

O terceiro álbum, From the Ashes, chegou em 2019 com seis músicas e cerca de meia hora de duração. “Illusion” contou com a colaboração de Jack Endino, produtor ligado a discos de Nirvana, Soundgarden e Mudhoney, na mixagem e masterização. As demais faixas foram finalizadas por Hugo Falcão, atual baixista da banda. A Fuzzly trabalha agora na composição de músicas para seu próximo disco.

Pentagram

O Pentagram se aproxima do fim de seu ciclo como uma das fontes originais de uma linguagem importante do metal: o doom. No começo dos anos 1970, quando o heavy metal ainda nem havia estabilizado seus contornos, Bobby Liebling e Geof O’Keefe já buscavam uma sonoridade própria, mais densa, arrastada e ameaçadora.

Crédito da foto: Anderson Hildebrando

A leitura consagrada é que o Pentagram ajudou a empurrar o hard rock para o terreno que se tornaria o heavy metal e, alguns anos depois, plantou a semente do que o mundo reconheceria como doom metal. Poucas bandas carregam esse duplo lugar histórico.

Só que a trajetória da banda nunca foi linear. Embora exista desde 1971, o Pentagram só lançaria seu primeiro álbum completo em 1985, depois de demos, mudanças de formação e de uma passagem decisiva pela encarnação chamada Death Row. O material gravado em 1981 e 1982 sob esse nome acabaria desaguando no disco que mais tarde seria canonizado como Relentless, obra de gênese tortuosa e, justamente por isso, central na mitologia do Pentagram.

Quando o doom metal se consolidou como cena, nomes como Trouble, Candlemass e Cathedral já apareciam tratando o Pentagram como uma de suas matrizes.

Essa redescoberta ganhou outra escala em 2001, com First Daze Here, compilação das gravações setentistas que revelou a muita gente o tamanho do repertório que havia ficado à margem durante décadas. O lançamento vendeu mais de 10 mil cópias, gerou versões de artistas como Witchcraft e The Dead Weather e ajudou a recolocar “Be Forewarned” entre as grandes composições do cânone pesado americano.

A turnê de despedida dos palcos

A despedida desta turnê pesa ainda mais porque a história do Pentagram sempre esteve perto do colapso. Mudanças de formação, falta de apoio de selo, hiatos, oportunidades perdidas e a dependência química de Bobby Liebling transformaram a biografia da banda numa sequência de recomeços improváveis.

A revista Louder resumiu esse percurso lembrando que o documentário Last Days Here acompanhou Liebling desde o período mais baixo da trajetória até a sobriedade e o relançamento do Pentagram, convertendo em narrativa pública uma saga que o underground já conhecia como lendária.

E o Pentagram não volta a São Paulo como peça de museu. Em janeiro de 2025, a banda lançou Lightning in a Bottle, o décimo álbum de estúdio e o primeiro em cerca de uma década, agora com Bobby Liebling ao lado de Tony Reed, Henry Vasquez e Scooter Haslip.

O disco foi apontado pela crítica especializada como um trabalho que reafirma a identidade do Pentagram e a capacidade do nome de seguir relevante, com vigor novo, mais de meio século depois de sua fundação.

SERVIÇO | PENTAGRAM EM SÃO PAULO

Banda convidada: Fuzzly

Data: 13 de agosto de 2026, quinta-feira

Abertura da casa: 19h

Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo/SP)

Ingresso: fastix.com.br/events/pentagrama-em-sao-paulo

Fonte: Tedesco Comunicação & Mídia