Levitation estreia no Brasil em janeiro de 2027 com Melvins, Osees, Boris e mais bandas

The Melvins | Crédito: Divulgação

Primeira edição do cultuado festival de Austin (Texas, EUA) acontece em 23 de janeiro, no Komplexo Tempo, com oito atrações e uma feira dedicada à produção independente

Levitation, um dos festivais de música mais cultuados e admirados do mundo, finalmente chega ao Brasil! A Maraty anuncia a primeira edição do Levitation Brasil para sábado, 23 de janeiro de 2027, no Komplexo Tempo, em São Paulo.

Com patrocínio exclusivo da Kunumi, o festival (levitationbrasil.com) reúne Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers como atrações internacionais e quatro nomes importantes da cena alternativa brasileira: Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis. O festival acontece ainda em 20 de janeiro em Buenos Aires e 21 de janeiro em Santiago.

Ingressos à venda a partir das 10h do dia 19 de agosto pela Fastix: fastix.com.br/events/levitation-brasil

O Levitation, que nasceu em Austin (Texas, EUA), chega pela primeira vez à América do Sul após 18 anos de uma trajetória que transformou um encontro dedicado à psicodelia em uma referência internacional de curadoria.

Nesses 18 anos, o festival aproximou diferentes gerações do rock psicodélico, punk, metal, indie, shoegaze, dream pop, darkwave, música eletrônica e outras vertentes experimentais, sem aderir à repetição de atrações que caracteriza parte dos grandes festivais internacionais.

A edição brasileira também terá uma feira de discos, camisetas, merchandise, livros e pôsteres. O espaço será voltado principalmente a marcas, selos e editoras independentes e alternativas, ampliando para outras áreas da produção cultural o mesmo princípio de curadoria aplicado aos palcos.

André Barcinski, produtor da Maraty, começou a idealizar uma edição brasileira do Levitation após conhecer o festival no Texas, há mais de dez anos. “Em 2014, fui pela primeira vez ao festival Levitation (que ainda se chamava Austin Psych Fest), no Texas. Fiquei impressionado com a qualidade das bandas, a organização e o clima de camaradagem entre o público e os artistas. Eu não conhecia 70% das bandas do line-up e saí de lá zonzo de tanta música boa. Desde então, sonho em poder replicar esse festival no Brasil. Foram vários anos de tentativas, e agora deu certo!”

Leandro Carbonato, produtor da Powerline e sócio da Maraty, destaca que o projeto foi concebido para permanecer no calendário sul-americano e preservar o formato que diferencia o Levitation de outros festivais internacionais. “Estamos muito felizes com a possibilidade de realizar o Levitation e queremos construir um projeto duradouro, com muitas edições. Por isso, o festival também chegará ao Chile e à Argentina. A proposta é formar uma espécie de circuito sul-americano, que permita trazer as bandas para uma turnê pela região e manter o Levitation no continente por muitos anos”.

Carbonato, aliás, é o coordenador do Levitation na América do Sul, junto com André Barcinski, e esteve em 2025 em Austin. “Estive na edição de Austin no ano passado e encontrei um festival muito diferente dos grandes eventos internacionais. A escala aproxima o público dos artistas, os palcos funcionam de forma intercalada, e é possível acompanhar todas as apresentações. A curadoria também não se orienta apenas pelo tamanho ou pela novidade de cada nome, mas pela relevância e pela qualidade artística das bandas. É essa experiência que queremos desenvolver na América do Sul”, afirma.

Rob Patrick, proprietário e fundador do Levitation, comenta sobre a inédita edição brasileira. “Estamos incrivelmente ansiosos em trazer esse artistas e o Levitation para o Brasil. Esse tem sido um sonho há muitos anos, e não poderíamos estar mais felizes em desfrutar desse line-up em São Paulo ao lado de nossas irmãs e nossos irmãos na América do Sul.”

As atrações

Melvins

Formado em 1983, em Montesano, no estado norte-americano de Washington, o Melvins ocupa uma posição fundamental na história da música pesada. Ao desacelerar a violência do hardcore e submetê-lo a riffs densos, afinações graves e estruturas deliberadamente imprevisíveis, a banda ajudou a estabelecer as bases do sludge e exerceu influência direta sobre a geração que projetaria o rock do noroeste dos Estados Unidos nos anos 1990, como o stoner e o grunge. Aliás, o Kurt do Nirvana por diversas vezes falou que Melvins foi sua inspiração direta.

Conduzido desde o início pelo guitarrista e vocalista Buzz Osborne, com Dale Crover na bateria desde 1984, o Melvins construiu uma discografia extensa e avessa à repetição. Álbuns como Gluey Porch Treatments (1987), Bullhead (1991), Lysol (1992), Houdini (1993) e Stoner Witch (1994) transformaram a banda em referência para nomes do grunge, doom, noise rock e metal experimental. O repertório atravessa canções compactas, peças de longa duração, humor corrosivo e experiências que desafiam as divisões tradicionais entre punk e metal.

A liberdade de formação também se tornou parte do método. O Melvins já trabalhou com diferentes baixistas, duas baterias, alinhamentos alternativos e projetos como Melvins 1983, dedicado à parceria entre Osborne e o primeiro baterista Mike Dillard. Na formação de turnê de 2026, Buzz Osborne e Dale Crover dividem o palco com Steven McDonald e Coady Willis.

Depois de lançar Tarantula Heart em 2024 e Thunderball, creditado ao Melvins 1983, em 2025, a banda chegou a 2026 com Savage Imperial Death March, colaboração com o Napalm Death. O encontro liga duas trajetórias que alteraram, cada uma à sua maneira, os limites do punk, do metal e da música extrema. Vale falar que enfim o Melvins retorna ao Brasil após 17 anos!

Osees

Poucas bandas contemporâneas traduzem movimento e transformação com a intensidade do Osees. Criada por John Dwyer em 1997, em São Francisco, e atualmente radicada em Los Angeles, a banda tornou-se uma das forças centrais da psicodelia norte-americana ao combinar garage punk, krautrock, hardcore, sintetizadores, improvisação e uma atividade quase ininterrupta em estúdio e na estrada.

Osees | Crédito: Nick Sayers

A sucessão de nomes acompanha as diferentes fases dessa história: OCS, Orange County Sound, The Ohsees, Thee Oh Sees, Oh Sees e Osees representam mutações de uma mesma criação liderada por Dwyer. Discos como The Master’s Bedroom Is Worth Spending a Night In (2008), Carrion Crawler/The Dream (2011), Floating Coffin (2013), Mutilator Defeated at Last (2015), Orc (2017) e Face Stabber (2019) formam um catálogo no qual energia imediata e experimentação caminham lado a lado.

A formação consolidada por Dwyer nos vocais e guitarra, Tim Hellman no baixo, Tomas Dolas nos teclados e guitarras e os bateristas Dan Rincon e Paul Quattrone deu ao Osees uma identidade de palco particularmente física. As duas baterias funcionam como motor para shows velozes, ruidosos e sujeitos a longos desvios instrumentais. Essa reputação ao vivo acompanha uma discografia que muda de direção sem abandonar o impulso rítmico.

Nos últimos anos, o Osees voltou-se ao hardcore em A Foul Form (2022), atravessou synth punk e no wave em Intercepted Message (2023), trocou grande parte das guitarras por samplers em SORCS 80 (2024) e recuperou a urgência política em ABOMINATION REVEALED AT LAST (2025).

Lançado de surpresa em junho de 2026, OFF COURSE abre outra frente: cinco faixas desenvolvidas a partir de jams psicodélicas, funk e rock progressivo.

No Brasil, a banda terá a participação da vocalista, tecladista e percussionista Brigid Dawson, que apesar de ter saído da formação oficial, ainda contribui com o grupo.

Boris

Formado em Tóquio em 1992, Boris construiu uma das discografias mais abertas e imprevisíveis da música pesada japonesa. Wata, Takeshi e Atsuo transformaram a mudança permanente em identidade, atravessando drone, doom, sludge, noise, hardcore, shoegaze, psicodelia, ambient e pop sem estabelecer uma versão definitiva para a própria música.

O nome foi retirado de “Boris”, faixa que abre Bullhead, álbum lançado pelo Melvins em 1991. A influência inicial tornou-se ponto de partida para uma linguagem independente, desenvolvida em discos como Absolutego (1996), Amplifier Worship (1998), Flood (2000), Feedbacker (2003) e Akuma no Uta (2003). Cada trabalho explora uma relação diferente entre volume, repetição, silêncio e textura.

Boris | Crédito: Divulgação

Lançado no Japão em 2005 e internacionalmente no ano seguinte, Pink projetou o trio para um público mais amplo. O álbum reuniu peso, velocidade, melodias enevoadas e longas expansões instrumentais em faixas como “Farewell”, “Pink” e “Just Abandoned Myself”. Desde então, Boris ampliou o catálogo com colaborações frequentes, especialmente com Merzbow, além de discos como NO (2020), marcado pelo hardcore, e W (2022), construído com atmosferas minimalistas e próximas do dream pop.

Em 2025, o trio realizou a primeira apresentação de sua carreira no Brasil. A fase atual concentra-se nas comemorações dos vinte anos de Pink, com turnês pela Ásia, Reino Unido e Europa ao longo de 2026. De volta ao Brasil, prometem tocar petardos do início da carreira.

Frankie and the Witch Fingers

Formada em 2013, em Bloomington, Indiana, e posteriormente estabelecida em Los Angeles, Frankie and the Witch Fingers surgiu no circuito independente norte-americano com uma combinação elétrica de garage rock, surf music e psicodelia. A banda passou a década seguinte desmontando essa fórmula e reconstruindo o próprio som por meio de post-punk, funk, new wave, sintetizadores e texturas industriais.

A evolução pode ser acompanhada em álbuns como Heavy Roller (2016), Brain Telephone (2017), ZAM (2019) e Monsters Eating People Eating Monsters… (2020). O salto representado por Data Doom (2023) aprofundou as estruturas rítmicas, os arranjos angulares e a presença eletrônica, consolidando uma identidade distante de qualquer leitura limitada ao revival psicodélico.

Dylan Sizemore, Josh Menashe, Nikki Pickle Smith, Nick Aguilar e Jon Modaff formam atualmente uma banda construída em torno do movimento. A intensa circulação internacional e a ética DIY levaram Frankie and the Witch Fingers a dividir palcos com Osees, Ty Segall, OFF!, Cheap Trick e ZZ Top. A energia dos shows acompanha um repertório em constante mutação, com guitarras nervosas, baixo pulsante, sintetizadores instáveis e canções que alternam impacto direto e passagens experimentais.

Produzido por Maryam Qudus, Trash Classic foi lançado em 2025 pela Greenway Records e pela Reverberation Appreciation Society. O oitavo álbum radicaliza a fusão de proto-punk, industrial e new wave em faixas como “Economy”, “Total Reset”, “Dead Silence” e “Gutter Priestess”.

As letras observam tecnologia, consumo e colapso social com ironia, enquanto a produção troca a nostalgia de garagem por uma sonoridade urbana, tensa e deliberadamente deformada.

Ema Stoned

Formada em São Paulo em 2011, Ema Stoned desenvolve uma música instrumental guiada pela improvisação, pela psicodelia e pela liberdade de estrutura. Alessandra “AL” Duarte na guitarra, Elke Lamers no baixo e Theo Charbel na bateria formam o trio, que adota a expressão “rock digressivo” para definir composições capazes de avançar, interromper caminhos e encontrar novas direções durante a execução.

A trajetória começou com formações mais abertas e passagens vocais, mas encontrou sua configuração mais característica na interação entre os três instrumentos. O álbum Gema (2013) apresentou a base experimental da banda; Live From Aurora (2016) documentou sua força em apresentação; e Phenomena (2019) nasceu de uma sessão de improvisação com Makoto Kawabata, guitarrista do Acid Mothers Temple, e Douglas Leal, do Yantra. O encontro aproximou a psicodelia paulistana do universo experimental japonês em uma sequência de seis movimentos.

Em Devaneio (2023), Ema Stoned aprofundou a combinação de krautrock, rock instrumental, ruído e improvisação. Faixas como “Spirulina”, “Curva do Sonho”, “Vale da Lua” e “Bico do Corvo” alternam passagens rítmicas compactas e expansões nas quais guitarra, baixo e bateria assumem funções móveis. O disco também registra uma formação feminina que ocupa o experimentalismo brasileiro sem tratar essa presença como elemento separado da criação musical.

A partir de 2025, “Curva do Sonho” ganhou uma leitura visual inspirada pelas reflexões de Ailton Krenak. Em 2026, o trio iniciou uma colaboração com Edgard Scandurra por meio do single “Cinza das Horas” e de um novo repertório apresentado ao vivo. O encontro liga a pesquisa instrumental da Ema Stoned à trajetória de um dos guitarristas mais inventivos do rock brasileiro.

Bike

Formada em 2015, em São José dos Campos, a Bike tornou-se um dos nomes brasileiros de maior circulação internacional dentro do rock psicodélico contemporâneo. Julito Cavalcante, Diego Xavier, Daniel Fumega e Gil Mosolino constroem uma música que conecta psicodelia, krautrock, Tropicália, rock progressivo e repetição motorik a ritmos, imagens e referências brasileiras.

O primeiro álbum, 1943 (2015), abriu uma sequência de lançamentos marcada por mudanças de linguagem. Em Busca da Viagem Eterna (2017) ampliou a dimensão narrativa das composições; Their Shamanic Majesties’ Third Request (2018) acentuou o caráter psicodélico; e Quarto Templo (2019) avançou sobre atmosferas mais pesadas e ritualísticas. Em Arte Bruta (2023), a banda aproximou distorção, percussão e canção brasileira com maior nitidez.

A trajetória ganhou alcance fora do país por meio de turnês europeias, apresentações no SXSW e uma sessão gravada para a rádio norte-americana KEXP. Arte Bruta também apareceu na seleção da emissora dedicada aos destaques da música alternativa latino-americana de 2023.

Em diferentes fases, a Bike dividiu apresentações com The Brian Jonestown Massacre, Os Mutantes, Boogarins e Graveyard, além de circular por festivais e palcos independentes da Europa e das Américas.

Lançado em setembro de 2025, Noise Meditations nasceu de sessões abertas de improvisação. As dez faixas preservam a psicodelia da banda, mas deslocam o centro criativo para a interação coletiva, a repetição e o desenvolvimento espontâneo. Incluído entre os cem melhores discos brasileiros de 2025 pela APCA, o álbum abriu o ciclo que levou a Bike a novas apresentações no Brasil, Chile e Argentina em 2026.

Test

O TEST converteu deathgrind, ruído e experimentação em um modelo próprio de criação e circulação. Formado em São Paulo em 2010 por João Kombi na guitarra e voz e Barata na bateria, a trajetória começou nas ruas, com apresentações realizadas do lado de fora de grandes shows e estádios, alimentadas por um gerador transportado em uma Kombi. A ação colocou o duo diante do público sem depender de convite, palco ou estrutura convencional.

O que nasceu como intervenção transformou-se em uma carreira internacional. O TEST já ultrapassou mil apresentações em trinta países, passou por todos os estados brasileiros e realizou turnês pela América do Norte, Europa, Ásia, Oceania e América Latina. A agenda inclui festivais como Obscene Extreme, Maryland Deathfest, Dark Mofo, SWR Barroselas, Novas Frequências, Abril Pro Rock e Coquetel Molotov.

A mesma abertura aparece na discografia. Arabe Macabre (2012) e Espécies (2015) estabeleceram a violência concisa do duo; O Jogo Humano (2019) foi concebido como álbum interativo, com diferentes possibilidades de percurso; e Disco Normal (2023) levou o processo de gravação para espaços abertos e locais afastados do formato tradicional de estúdio. Essa experiência deu origem ao documentário Um Disco Normal, exibido na Cinemateca Brasileira.

Ao longo da carreira, o TEST dividiu programações com Napalm Death, Carcass, Cannibal Corpse, Mr. Bungle, King Diamond, Tom Zé, Boogarins e Metá Metá. Em 2025, a colaboração com Deafkids resultou em Sem Esperanças, encontro entre grindcore, drones e percussão experimental. Depois de realizar 38 apresentações na Almost World Tour de 2026, o duo abriu outra frente com o GoaTesT, parceria com integrantes do Goatburner.

Bufo Borealis

Criado em São Paulo em 2020 pelo baixista Juninho Sangiorgio e pelo baterista Rodrigo Saldanha, Bufo Borealis explora o ponto de contato entre jazz-funk, psicodelia, rock experimental e improvisação. A formação é completada por Anderson Quevedo no saxofone, Paulo Kishimoto e Vicente Tassara nos teclados e Tadeu Dias na guitarra.

O nome nasceu de uma constelação fictícia presente na arte de One Size Fits All, de Frank Zappa and the Mothers of Invention, e também remete ao imaginário dos sapos venenosos. A referência combina com uma música que absorve fontes distintas sem buscar pureza de gênero. Miles Davis em sua fase elétrica, Curtis Mayfield, Lou Donaldson, Sly Stone, hip-hop, ritmos latinos e música instrumental brasileira aparecem entre as coordenadas do sexteto.

Pupilas Horizontais (2020) apresentou uma sonoridade baseada em grooves extensos e interação instrumental. Diptera (2022) ampliou a presença do funk e da psicodelia, enquanto Ao Vivo no Sesc Pompeia (2024) documentou a natureza variável dos shows, nos quais os temas funcionam como pontos de partida para improvisações. A experiência acumulada em diferentes cenas, do punk e hardcore ao jazz, alimenta uma execução precisa sem retirar o risco de cada apresentação.

Lançado em março de 2025, Natureza foi o primeiro álbum da banda com composições desenvolvidas por todos os integrantes. O disco apareceu entre os cem melhores trabalhos brasileiros daquele ano na seleção da APCA. Em seguida, “Mãe da Lua”, gravada com Mista Luba, aproximou o Bufo Borealis da cultura de produção do hip-hop e da fragmentação rítmica associada a Donuts, de J Dilla.

De Austin para o mundo

O Levitation nasceu em 2008, em Austin, no Texas, sob o nome Austin Psych Fest. Criado por integrantes do The Black Angels e amigos, o evento surgiu como um ponto de encontro para a então renovada cena psicodélica. A primeira edição reuniu dez atrações no Red Barn. No ano seguinte, o festival já havia passado para um formato de três dias.

A mudança para o Carson Creek Ranch, em 2013, marcou uma virada. Foi a primeira edição inteiramente ao ar livre, com três palcos, camping e uma série de pôsteres criada por artistas dos Estados Unidos e de outros países. Em 2014, o cartaz chegou a 95 atrações, entre elas The Zombies, Panda Bear, The Horrors, Loop, The Brian Jonestown Massacre, Of Montreal e The Dandy Warhols.

O nome Levitation foi adotado em homenagem aos pioneiros texanos do rock psicodélico The 13th Floor Elevators e à música “Levitation”, lançada pela banda em 1967. A mudança ganhou dimensão histórica na edição de 2015, que recebeu a reunião dos integrantes originais sobreviventes do The 13th Floor Elevators para a primeira apresentação conjunta em 45 anos, durante as comemorações dos 50 anos da banda.

Aquele ano também reuniu The Flaming Lips, Tame Impala, The Jesus and Mary Chain, Primal Scream, Spiritualized, The Black Angels, Mac DeMarco e Thee Oh Sees, nome utilizado na época pelo atual Osees.

Desde então, centenas de artistas passaram por suas programações, entre eles King Gizzard & the Lizard Wizard, Pavement, TV on the Radio, Mastodon, Slowdive, Beach House, Sonic Youth, Ty Segall, Chelsea Wolfe, The Brian Jonestown Massacre, Animal Collective, Dinosaur Jr., Black Rebel Motorcycle Club e Kikagaku Moyo.

A circulação internacional começou em 2013, com a criação do Levitation France, em Angers. A marca também chegou a Vancouver e Chicago. A edição francesa completou seu 12º ano em 2025 com ingressos esgotados, consolidando fora dos Estados Unidos o modelo de curadoria desenvolvido em Austin.

O alcance do projeto avançou ainda para o mercado fonográfico. A Reverberation Appreciation Society, coletivo e selo ligado ao festival, mantém a série Live at Levitation, com registros de apresentações de King Gizzard & the Lizard Wizard, Kikagaku Moyo, The Black Angels, Primal Scream, Osees e outros nomes associados à história do evento.

Curadoria reconhecida pela crítica

A imprensa internacional acompanha essa trajetória de perto e sempre com entusiasmo. O The Guardian definiu o Levitation como “o passado, o presente e o futuro da música psicodélica”, enquanto a NME destacou que o festival “escala o melhor do underground”.

O Dallas Observer apontou o equilíbrio de sua proposta: “Nem grande nem pequeno demais, administrado com maestria e com um público relaxado e respeitoso, o Levitation oferece uma experiência quase impecável”.

A Austin Monthly ressaltou o contraste com a padronização dos grandes eventos: “Enquanto muitos festivais recorrem aos nomes esperados em turnê ou divulgando discos, o Levitation prepara um cartaz impressionante a cada edição”.

A publicação também registrou uma definição do cofundador e diretor Rob Fitzpatrick: “A programação precisa significar algo para o público. É um tipo diferente de fã, e tentamos surpreendê-lo com cada cartaz”.

Já o site Cosmic Clash, ao analisar a edição de 2023, chamou o Levitation de “um tesouro musical” e destacou seu crescimento a partir de origens independentes até se tornar parte permanente do calendário cultural de Austin.

Uma curadoria em movimento

A história do festival também foi marcada pela capacidade de alterar seu formato. Após as condições meteorológicas severas que impediram a realização da edição de 2016 no Carson Creek Ranch, apresentações foram reorganizadas em casas de Austin. Em 2018, o Levitation retornou distribuído por oito espaços da cidade, com shows em horários escalonados e diferentes bairros. O modelo transformou Austin em parte da experiência e permitiu combinar apresentações maiores com noites em clubes.

A edição de 2026, programada para ocorrer entre 10 e 13 de setembro, mostra a amplitude alcançada por essa curadoria. São 69 atrações espalhadas por mais de 20 apresentações no Radio/East, Stubb’s, Mohawk, Empire, Hotel Vegas, Elysium e 13th Floor.

O cartaz reúne Sleep, Angine the Potrine, American Football, Bikini Kill, Molchat Doma, Peter Hook & The Light, Cabaret Voltaire, Nitzer Ebb, Arlo Parks, The Garden, Smerz, Uncle Acid & The Deadbeats, Psychedelic Porn Crumpets, Temples, Melt-Banana e Kylesa, entre outros. Os passes completos para os quatro dias já estão esgotados. A Pitchfork incluiu o Levitation em sua seleção dos festivais mais aguardados de 2026 e apontou a experimentação como elemento presente em toda a programação.

Instituto Kunumi

O Instituto Kunumi se forma como um coletivo de pesquisa dedicado a expandir as fronteiras da inteligência, da cultura e do significado. Um ponto de encontro entre ciência, humanidades e tecnologia, o Instituto investiga novas formas de inteligência e seus impactos na sociedade e em cada um de nós.

O Instituto Kunumi atua como um ecossistema híbrido entre a academia e a iniciativa privada, conectando pesquisa científica, experimentação tecnológica e artística a aplicações no mundo real. Esses encontros desenham os contornos do nosso devir.

Serviço | Levitation Brasil

Data: sábado, 23 de janeiro de 2027

Local: Komplexo Tempo

Endereço: Avenida Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo

Atrações: Melvins, Osees, Boris, Frankie and the Witch Fingers, Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis

Ingresso: fastix.com.br/events/levitation-brasil

Venda: a partir de 19 de agosto na Fastix

Ingressos físicos sem taxa: Loja 255 da Galeria do Rock (R. 24 de Maio 62, Centro)

Patrocínio: Kunumi

Produção: Maraty

Apoio: Powerline

Censura: permitida a entrada de menores de 18 anos desde que acompanhados de responsável legal.

Acessibilidade: o local é totalmente equipado para atender a PCDs e haverá um espaço exclusivo para cadeirantes poderem ver os shows com toda a visibilidade e conforto.

Fonte: Tedesco Comunicação & Mídia