Ao menos para os fãs de heavy metal, São Paulo foi o centro do mundo nos durante os últimos dias do mês de abril. No período, a metrópole recebeu o Bangers Open Air, consolidado como um dos maiores festivais dedicados à música pesada na América Latina, além de uma série de eventos paralelos que ampliaram ainda mais a agenda e mantiveram o público imerso na atmosfera do rock pesado.
Encerrando essa maratona de celebrações, na última quarta-feira (29), o Angra — um dos maiores expoentes do heavy metal brasileiro — subiu ao palco do Espaço Unimed para uma apresentação especial. Após encabeçar o line-up do festival no domingo, a banda retornou com um show mais intimista, celebrando seus 35 anos de carreira e promovendo o aguardado reencontro de músicos ligados à fase do álbum Rebirth.
Sem banda de abertura, o espetáculo teve início pontualmente às 21h. Assim como na apresentação no festival, uma introdução com imagens de diferentes fases da trajetória do grupo foi exibida nos telões de LED, acompanhada por uma chuva de papéis sobre o público. Na sequência, o vocalista Alírio Netto assumiu o protagonismo com um repertório semelhante ao apresentado no domingo. A abertura com “Nothing to Say”, do álbum Holy Land, trouxe à tona sua levada rítmica inspirada em elementos brasileiros, rapidamente convertida em coro coletivo pelo público. O vocalista também se destacou em “Angels Cry” e assumiu com competência faixas como “Tide of Changes (Parts I e II)”, ambas do disco “Cycles Of Pain” que, no festival, haviam sido interpretadas por Fabio Lione — ausente nesta apresentação por questões pessoais.

Na sequência, vieram “Lisbon”, “Vida Seca” e “Carolina IV”, além de um emocionante cover de “Wuthering Heights”, de Kate Bush, no qual Alírio também demonstrou habilidade ao piano. O set contou ainda com um solo do novo baterista de Bruno Valverde e a inclusão de faixas como “Make Believe” e “Waiting Silence”, ausentes no repertório do festival. Mais uma vez, ficou evidente que a escolha por Netto foi acertada: o músico alia técnica vocal, presença de palco e versatilidade, apontando para uma fase promissora na carreira do Angra.
Após uma breve pausa, teve início o segundo ato do espetáculo, com a entrada de Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester para a execução de faixas do álbum Rebirth. A performance de músicas como “Nova Era”, “Heroes of Sand”, “Spread Your Fire” e “Acid Rain” impressionou pela precisão e pelo entrosamento — a ponto de não parecer que os músicos passaram tantos anos afastados. Se no domingo o reencontro já havia sido marcante, desta vez o grupo demonstrou ainda mais segurança e naturalidade em palco.

O repertório também foi ampliado com a inclusão de outras faixas dessa fase, como “Unholy Wars”, “Judgement Day” e “Running Alone”. Entre os destaques, um solo de bateria técnico e explosivo de Aquiles Priester (um dos gigantes do instrumento no Brasil ) e um momento descontraído conduzido por Edu Falaschi, que brincou com trechos de “Agora Estou Sofrendo” durante “Bleeding Heart”, arrancando reações entusiasmadas do público.
Seguindo a dinâmica do espetáculo anterior, integrantes de diferentes fases da trajetória do Angra retornaram ao palco para um bloco final que incluiu “Silence and Distance”, “Late Redemption” e o clássico “Carry On”, encerrando a noite de forma emblemática.
Angra Reunion entregou um verdadeiro presente aos fãs. Além de apresentar oficialmente seu novo vocalista, a banda conseguiu reunir diferentes membros de seu legado em um repertório de 3 horas de duração que celebrou Rebirth sem deixar de revisitar outras fases importantes da carreira — com destaque especial para Holy Land, que completa três décadas. Com produção caprichada e uma performance mais solta e confiante em relação ao festival, o grupo comemorou sua história já bem sucedida, mas também demonstrou que ainda há fôlego para seguir escrevendo novos capítulos relevantes em sua trajetória.

Fotos: Marcelo Catacci (credenciado pelo site Heavy Metal Online)















































Setlist
Nothing to Say
Angels Cry
Tide of Changes (Part I)
Tide of Changes (Part II)
Lisbon
Vida Seca
Carolina IV
Wuthering Heights
Make Believe
Waiting Silence
Nova Era
Heroes of Sand
Spread Your Fire
Acid Rain
Unholy Wars
Judgement Day
Running Alone
Bleeding Heart
Agora Estou Sofrendo
Silence and Distance
Late Redemption
Carry On
