Crédito das fotos: Anderson Hildebrando – @andersonh_fotografia
Desafios e mudanças sempre fizeram parte da trajetória do Bullet Bane. Formada em 2009 sob o nome Take Off The Halter, a banda iniciou sua carreira apostando em uma sonoridade de hardcore melódico que estava em evidência naquele período, fortemente influenciada por nomes como Rufio, Propagandhi e A Wilhelm Scream. Após consolidar sua formação, o grupo lançou dois excelentes trabalhos — New World Broadcast (2011) e Impavid Colossus (2014) — , que rapidamente se tornaram referências dentro da cena. Em 2017, passou a compor em português e entregou Continental, um dos trabalhos de maior destaque do hardcore melódico nacional na década.
Entretanto, justamente quando o quinteto começava a conquistar maior visibilidade, o vocalista e membro original Victor Franciscon deixou o grupo. Para ocupar seu lugar, Arthur Mutanen foi convocado para assumir os vocais. Com essa formação, o Bullet Bane lançou Ponto (2020), BLLT (2022) e ART.FICIAL (2024), trabalhos nos quais expandiu sua sonoridade ao incorporar elementos de música eletrônica e pop. Ainda assim, apesar de manter seu espaço e relevância no cenário rock independente, Arthur Mutanen e Renan Garcia decidiram deixar o Bullet Bane em 2025.
Diante disso, o futuro do Bullet Bane chegou a parecer incerto os fãs. Mais uma vez, porém, o grupo demonstrou disposição para mudanças e anunciou Lucas Guerra, ex-Pense, como novo vocalista, além de Andrew Lee, do Sometimes Sad, na bateria. Com a nova formação, a banda apresentou O AGORA QUE COBRA VIVER, trabalho que representa uma espécie de retorno às raízes do hardcore melódico, mas sem abandonar as experimentações desenvolvidas nos últimos anos. Elementos eletrônicos e pop continuam presentes, mantendo a sonoridade acessível e contemporânea característica da fase mais recente.
O Bullet Bane já vinha apresentando a nova formação e algumas das faixas do novo material ao vivo há alguns meses. Na última sexta-feira (21), entretanto, o grupo finalmente realizou a estreia oficial do novo material, em uma apresentação realizada na Fabrique Club. A ocasião serviu não apenas para apresentar canções inéditas ao público, mas também para marcar oficialmente mais um capítulo da trajetória de uma banda que parece ter feito da capacidade de se reinventar uma de suas principais características.
Para iniciar a noite, subiu ao palco a banda paulistana Emmercia. Embora possa parecer um nome recente na cena, o grupo está em atividade desde 2012. Em um set curto, o conjunto apresentou uma sonoridade pesada, mas repleta de elementos eletrônicos, com forte influência de Bring Me The Horizon. A proposta também surpreendeu ao incorporar referências pouco convencionais para o gênero, incluindo elementos de samba e MPB. Outro destaque foi a produção visual, com a banda apostando em efeitos chamativos no telão de LED. Entre as pausas das músicas, os integrantes comentaram que a Emmercia estava afastada dos palcos recentemente devido ao processo de gravação de um novo material, que será lançado em breve. Para compensar a ausência, apresentaram o novo single “Nasce Vazio”, que já conta com videoclipe disponível nas plataformas digitais.

Então, com a casa completamente lotada e cerca de 20 minutos de atraso em relação ao horário oficial, Lucas Guerra (vocais), Danilo Souza e Fernando Uehara (guitarras), Rafael Goldin (baixo) e Andrew Lee (bateria) surgiram no palco. Logo de início, Lucas foi até a beira do palco para cumprimentar os fãs posicionados na frente. Em seguida, o grupo deu início ao set com “Ecos da Memória”, faixa de abertura do novo disco, seguida por “Decisão” e “Fronteira do Infinito”. A resposta da plateia foi imediata, com a formação de um mosh pit que demonstrou a excelente recepção às músicas do novo material.

Ao término desse primeiro bloco, Lucas Guerra comentou brevemente sobre o processo de gravação do álbum, destacando a participação de todos os integrantes na construção do trabalho. Depois da sequência de novidades, o repertório voltou-se para clássicos de Continental, como “Gangorra” e “Melatonina”, além de “Cinza” e “Pulso”, dois singles importantes da fase em que Arthur Mutanen ocupava os vocais.
Depois de revisitar diferentes momentos da carreira, o foco voltou novamente para o material de 2026, com a execução de uma sequência extensa de músicas do novo álbum. Em faixas como “Estranho”, “Paradoxo do Progresso”, “Estrela Polar” e “Ponto de Vista”, destaque não apenas a técnica dos músicos, mas também o trabalho visual exibido no telão de LED. Cada composição era acompanhada por uma arte específica, criando uma experiência audiovisual pouco comum em apresentações independentes da cena hardcore. O bloco também contou com participações especiais, como Emmily Barreto, do Far From Alaska, em “Estranho”; Milton Aguiar, do Bayside Kings, em “Reta-ação”; e Cyro Sampaio, do Menores Atos, em “Mutação”. As aparições contribuíram para ampliar ainda mais a experiência, tornando o set em um evento memorável.

Na reta final, o grupo voltou a revisitar trabalhos anteriores e apresentou os singles “Pra Não Ter Que Enxergar Onde Errei” e “Sentir”. Para encerrar a apresentação, veio “Uma Vida”, provavelmente o principal single da nova fase, acompanhado a plenos pulmões por praticamente todos os presentes.
Assim, o Bullet Bane demonstrou não apenas a disposição de apresentar um novo trabalho, mas também sua capacidade de se reinventar mais uma vez. O AGORA QUE COBRA VIVER combina influências do hardcore que marcaram o início da carreira com elementos mais acessíveis explorados nos últimos anos, resultando em uma síntese das diferentes fases da banda. Dessa forma, o novo álbum se apresenta como um dos trabalhos mais criativos e representativos da trajetória do quinteto.
Fotos: Anderson Hilderbrando



























































Setlist
Ecos da Memória
Decisão
Fronteira do infinito
Gangorra
Melatonina
Cinza
Pulso
Estranho
Por você
Mais um dia
Reta-ação
Paradoxo do progresso
Estrela polar
Ponto de Vista
Mutação
Pra não ter que enxergar onde errei
Sentir
Uma vida
